24Novembro2017

 

  

 

Segurança & Defesa

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No Rio, o Vice-Almirante Kurt W. Tidd, Comandante da Quarta Frota da US Navy

Esteve recentemente no Brasil, a convite da Marinha do Brasil, o Vice-Almirante Kurt Tidd, atual Comandante da IV Frota da U. S. Navy. O Almirante Tidd tem tido uma carreira variada e intensa na Marinha americana, e entre as funções que desempenhou destaca-se a de Comandante do Grupo de Ataque a bordo do navio-aeródromo USS “Dwight D. Ensenhower” durante a Operação “Enduring Freedom”. Ultimamente, o Almirante atuava como vice-diretor de Operações no Estado-Maior Conjunto, em Washington, D.C.

Ao lado Almirante Kurt W. Tidd, Comandante da IV Frota da U. S. Navy.


Por ocasião de sua visita, tivemos no dia 16 de março de 2012 oportunidade de conversar por aproximadamente 45 minutos com o oficial americano, ao qual agradecemos a gentileza de nos ter concedido esse tempo, apesar da exigüidade do tempo livre em sua agenda. Em seus comentários iniciais, o Almirante Tidd declarou estar bastante impressionado com o profissionalismo reinante na Marinha do Brasil, destacando em especial as instalações de treinamento para submarinos, inclusive a torre hiperbárica. Entre outras atividades, o Almirante visitou também a fragata “Independência” e o navio-aeródromo “São Paulo”.

O Almirante Tidd indicou a preocupação americana com o tráfico ilegal em certas áreas da jurisdição do seu comando, que inclui drogas e armas. Expandindo seu raciocínio, disse: “Esse tráfego gera e movimenta uma grande quantidade de dinheiro, que é canalizado para financiar as atividades de organizações ilegais transnacionais”.

Inquirimos o Almirante se — especialmente numa época em que os dólares para defesa estão sendo intensamente disputados — estabelecer uma nova Frota numerada para se contrapor a ameaças bem menos intensas do que a representada pelos submarinos e corsários alemães durante a Segunda Guerra refletia uma relação custo/benefício favorável. Perguntamos, especificamente, se não seria mais econômico enfrentar essa ameaça de baixa intensidade através de Grupos-Tarefa ou Forças-Tarefa. O Almirante Tidd explicou que a criação da IV Frota “foi uma decisão interna na própria U. S. Navy, já que anteriormente as solicitações para atividades nessa área geográfica custavam mais a ser atendidas, pois não estavam no mesmo nível daquelas provenientes das Frotas numeradas. Embora eu seja o mais moderno Comandante de uma Frota numerada, o meu cargo possibilita e facilita muito a obtenção do que é necessário”.

“Esse tráfego gera e movimenta uma grande quantidade de dinheiro, que é canalizado para financiar as atividades de organizações ilegais transnacionais”

 

Perguntado sobre como ele, na qualidade de Comandante da IV Frota, via a o fato do Brasil caminhar firmemente em direção à obtenção de submarinos nucleares de ataque, o Almirante Tidd disse que “via com naturalidade, pois se trata de uma pretensão justa do Brasil”. Declarou-ter visitado um submarino brasileiro e ter ficado impressionado com a segurança com que nossos submarinos são operados, e referindo-se ao submarino nuclear frisou que “é do interesse de todos que a MB opere seus submarinos nucleares com esse mesmo nível segurança e profissionalismo”.

Durante a conversa, o Almirante frisou que a IV Frota não possui meios fixos, mas opera os meios que lhe são alocados para o cumprimento das tarefas: “Atualmente estamos com quatro fragatas, algumas aeronaves de patrulha marítima, uma equipe de mergulhadores e salvatagem realizando exercícios com Colômbia e Trinidad e Tobago, no Caribe, e um navio hospital”.

 “O submarino nuclear é uma pretensão justa do Brasil”.

 

Mencionamos que quando a Operação “Unitas” foi criada, a ênfase era claramente em guerra anti-submarino, embora se treinasse também guerra anti-superfície e antiaérea. Perguntamos qual a ênfase atual, em sua ótica. O Almirante Tidd respondeu: “Uma das vantagens da Operação Unitas é exatamente ser adaptável, possibilitando treinar o enfrentamento de vários tipos de ameaças”. E continuou: “Embora treinemos vários aspectos de operações navais conjuntas, a ênfase atual é em operações de segurança marítima, principalmente em contraposição a ameaças constituídas por grupos que não representam nações. Treinamos como lidar com ameaças assimétricas. Essas operações nos permitem, por exemplo, identificar quem está em uma área, quem não está, quais as intenções e, se necessário, decidir se há necessidade ou não de uma intervenção e — caso haja — quem deverá ser acionado: se forças e imposição da lei, se forças armadas de outros países, se nossas próprias forças armadas, etc.”.

“Segurança & Defesa” mais uma vez agradece ao Almirante Kurt Tidd pela oportunidade que nos concedeu, e também à assessoria de imprensa do Consulado dos Estados Unidos da América no Rio de Janeiro, cuja inestimável colaboração tornou possível a operacionalização da entrevista. •

 “Uma das vantagens da Operação Unitas é exatamente ser adaptável, possibilitando treinar o enfrentamento de vários tipos de ameaças”