14Dezembro2017

  

Segurança & Defesa

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Reequipamento da FAA em seu momento mais crítico

Desde que, em dezembro de 2015, foi dada baixa nas aeronaves de combate Mirage III/5, a Fuerza Aérea Argentina ficou sem nenhum avião supersônico. Muito se falou em possíveis compras e principalmente de ofertas recebidas, porém nada se materializou — tudo recaía, basicamente, no reduzido orçamento destinado à defesa.

Juan Carlos Cicalesi

Embora o governo anterior e o atual tenham mantido acesa a “chama da esperança” de que venha a ser adquirida uma aeronave supersônica, o fato é que as possibilidades que têm sido aventadas envolvem — face aos parcos recursos disponíveis — modelos totalmente defasados, e mesmo que em alguns casos eles tenham sido submetidos a modernizações; é interessante apontar que suas células têm mais horas de voo que as dos Mirages desativados...


Acima Desde a despedida dos Mirage, a Argentina não dispõe de aeronaves de combate supersônicas (Foto: J. C. Cicalesi).

Essas propostas incluíram caças IAI Kfir, Mirage F1, Mirage 2000 e até o F-5. Houve até menções aos inatingíveis Lockheed Martin F-16 e Saab Gripen, ou algum modelo chinês como o J-10, entre outros. Jornais, políticos, fabricantes e até a imprensa especializada se estenderam em especulações, mas sem perceber que o problema fundamental era o orçamento de defesa, que nem sequer permite que voem os mais novos aviões de treinamento disponíveis, como é o caso dos Grob 120TP e também dos IA-63 Pampa II.


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Entre os modelos oferecidos em segunda mão incluía-se o Mirage F1 (Foto: Armée de l’Air).

Muito se falou sobre a visita do atual Ministro de Defensa, Julio Martinez, à feira de Eurosatory (Paris), e sua reunião com seu par francês, Jean Yves LeDrian. Entretanto, o assunto tratado foi fundamentalmente o possível fornecimento de motores Astazou que a empresa SAFRAN (Turbomeca) poderia disponibilizar para os FMA IA-58 Pucará.


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Um fato interessante é que as aeronaves oferecidas à Argentina tinham mais horas de voo em suas células do que os Mirages que teoricamente deveriam substituir (Foto: J. C. Cicalesi).

Isso permitiria a colocação em voo de mais alguns exemplares do veterano turboélice, cuja operação é barata. A aeronave é necessária para a viabilização do chamado “Escudo Norte”, plano que objetiva vigiar e patrulhar a fronteira norte do país, onde são comuns os voos clandestinos ligados ao narcotráfico.

É de se esperar que em algum momento o governo tome a decisão política de aumentar o orçamento de defesa, possibilitando em primeiro lugar que se ponha em condições de voo todas as aeronaves atualmente “groundeadas”, e que, paralelamente, se inicie a seleção de algum dos modelos cuja aquisição já foi proposta ao longo dos anos recentes.

 

Abaixo Ao contrário do que se especulou, as conversas entre os ministros da defesa da Argentina e da França em Eurosatory envolveram basicamente o fornecimento de alguns motores Astazou para permitir a colocação em condições de voo de mais alguns Pucará (Foto: J. C. Cicalesi).