17Outubro2017

 

 

  

 

Segurança & Defesa

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No Rio, o USS America (LHA-6)

Com dimensões comparáveis do Navio-Aeródromo brasileiro São Paulo, mas de deslocamento muito maior, esteve no Rio de Janeiro na primeira semana de agosto de 2014 o Navio de Assalto Anfíbio USS America (LHA 6), da U. S. Navy.

 

 
Acima O USS America chega ao Rio e prepara-se para a manobra de atracação (Foto: D. Carneiro). 

Vinicius D. Cavalcante
(fotos V.D.Cavalcante/Segurança & Defesa)

Esse é o quarto navio da U. S. Navy a ostentar esse nome, e trata-se do primeiro de uma classe que deverá englobar um total de cinco navios.  O projeto tem como base o do USS Makin Island (LHD 8, da classe “Wasp”), mas com uma diferença fundamental: o America não dispõe da doca alagável, para recolher/lançar blindados de assalto anfíbios, lanchas de desembarque ou mesmo hovercrafts. A assinatura do contrato para o projeto de detalhamento e a construção do USS America foi assinado em junho de 2007, a quilha foi batida em julho de 2009 nas instalações da Huntington Ingalls Industries (no Mississippi) e o lançamento foi feito em junho de 2012. O navio é novíssimo, e ainda não foi incorporado à frota americana.

O navio foi concebido para operar uma componente aérea composta por helicópteros (CH-53, CH-46, MH-60, AH-1, CH-46, e outros modelos), aeronaves de rotores basculantes MV-22 e aviões de combate F-35B, havendo diversas composições possíveis. O convés de voo tem 249,6m x 36,0m, e a ausência da doca embarcações de desembarque permitiu uma ampliação da área de estocagem e manutenção de aeronaves, maior capacidade de combustível de aviação, além de um maior convés para cargas e veículos. A exemplo dos outros grandes navios de assalto, o USS America dispõe de um completo hospital de bordo, e em relação á classe “Wasp”, possui melhores instalações de comando e controle.


Ao ladoVista da “Ilha” do USS America, ressaltando-se o grande volume de sistemas eletrônicos.

A componente aérea típica deverá ser de doze Boeing MV-22B Osprey, seis Lockheed F-35B Lightning II (STOVL, empregados em ataque ao solo ou para defesa aérea), quatro helicópteros Sikorsky CH-53K King Stallion para transporte pesado, sete helicópteros de ataque Bell AH-1Z ou UH-1Y Venom e dois Sikorsky MH-60S para busca e salvamento, esclarecimento e ataque contra alvos de superfície. A composição do complemento aeronaves do navio irá variar de acordo com a missão a ser executada. Operando até 20 F-35B (além de dois ou três MH-60S) o USS America poderá projetar poder como um pequeno NAe, assegurando cobertura aérea às demais unidades navais, atacando alvos aéreos, de superfície (marítimos ou terrestres).


Ao lado
Blindado sobre rodas LAV-25 do U.S. Marine Corps.

O USS America chegou ao Rio de Janeiro na manhã do dia 5 de agosto, e foi aberto á imprensa no dia seguinte. O navio saiu do estaleiro em Pascagoula, no Mississipi, dirigiu-se à Base de Guantánamo (em Cuba), e visitou Cartagena (Colômbia). Do Rio, seguirá para o Chile e em seguida para o Peru, seguindo posteriormente para seu destino final, a base de San Diego, na Califórnia. Concomitantemente às visitas aos portos das nações amigas, a belonave e seus tripulantes empreendem exercícios conjuntos com as forças amigas.

Abaixo MV-22 Osprey no convés de voo, na configuração de pouso e decolagem.

Abaixo MV-22 visto na configuração de armazenamento, utilizada para poupar espaço. 


Acima MV-22 no hangar, com as hélices dobradas mas com as asas em posição normal.

Abaixo A complexidade mecânica do sistema de dobramento das hélices é evidente.

No convés de carga, sob o hangar, estavam expostos dois veículos anfíbios sobre rodas LAV do U. S. Marine Corps, das versões LAV-25 (com canhão Bushmaster de 25m) e LAV-AT (com torre para dois lançadores de mísseis TOW II). Tais veículos, que podem ser transportados como carga externa pelo helicóptero CH-53K, estavam dotados de blindagem adicional cerâmica para melhorar-lhes a proteção balística.

Abaixo O imenso convés de voo do America tem 249,6m x 36,0m.

Várias outras viaturas e outros equipamentos estavam expostos, e chamou particularmente a atenção um equipamento de tradução linguística que permite às tropas se comunicarem em mais de 150 idiomas, inclusive com grande número de variações de dialetos. O operador fala em inglês, e a máquina, acoplada a um amplificador e caixa de som, transmite o que foi dito na linguagem do interlocutor, a uma distância que pode chegar a até algumas centenas de metros.


Acima Helicóptero multifunção MH-60M, configurado para emprego de mísseis Hellfire.

No elevador do hangar estava um dos três MH-60S Sea Hawk que o navio trazia. O helicóptero, que desempenha múltiplas funções (transporte, busca e salvamento, esclarecimento marítimo e ataque), estava configurado com suportes para mísseis Hellfire. Também no hangar, havia um V-22 Osprey, com seus rotores dobrados. Como é sabido, a aeronave, fruto de um longo desenvolvimento conjunto da Bell Helicopters e da Boeing, utiliza rotores basculantes que permitem o pouso e decolagem como um helicóptero e o voo horizontal como um como um avião turboélice. Foi essa a primeira aparição desse tipo de aeronave no Brasil. Esse V-22 demonstrava sua capacidade de transportar veículo leve M1161 Growler — viatura que substituiu as antigas “Mulas Mecânicas” dos fuzileiros navais, e que foi desenvolvido especialmente para uso a partir do Osprey.


Acima
Vista dos lançadores de mísseis RAM e ESSM de vante.

Para permitir seu armazenamento em maior número a bordo — tanto no hangar como no convés de voo — o Boeing V-22 Osprey utiliza uma complexo sistema mecânico para alinhamento das asas com a fuselagem e dobragem de suas hélices. Imagina-se o desafio que deve ter sido o projeto e o desenvolvimento dessa aeronave, em que o Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos aposta para mudar os parâmetros do transbordo de tropas num assalto anfíbio.

Atuando como capitânia de uma unidade expedicionária, o America deve operar com pelo menos dois navios de apoio (como LPDs ou LPHs), além de unidades navais de escolta (cruzadores, contratorpedeiros, fragatas e submarinos). Seu armamento defensivo do navio é compatível com uma unidade de sua importância. São dois lançadores óctuplos de mísseis RIM-162D Evolved Sea Sparrow, dois lançadores de mísseis RIM-116 RAM (cada um com 21 mísseis), e dois reparos Vulcan Phalanx Mk. 15 de 20mm. Há também previsão para a eventual instalação de três canhões Mk. 38 Mod 2 de 25mm e até 14 metralhadoras de 12,7mm, montadas em sete reparos duplos. •

Abaixo O Contra-Almirante Frank L. Ponds, Comandante do Expeditionary Strike Group 3, recebe um exemplar de “ Segurança & Defesa”


USS AMERICA (LHA-6)
FICHA TÉCNICA

Comprimento total...................................... 257,3m

Comprimento na linha d’água ..................... 237,1m

Boca ......................................................... 32,3m

Calado ...................................................... 8,75m

Deslocamento a plena carga ....................... 44.970t

Cap. de transporte (fuzileiros) ..................... 1.687 (+184 no máximo)

Velocidade ................................................. 22 nós

Tripulação  ................................................. 1.059

Eixos ......................................................... 2

Propulsão  ................................................. COGES: 2 x turbinas GE LM2500, gerando 70.000HP + dois motores auxiliares de 5.000hp cada, para deslocamento à velocidade de 12 nós.