29Abril2017


    

Segurança & Defesa

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A saga das MEKO continua

Há várias dezenas de fragatas do tipo MEKO construídas e encomendadas — entre elas nada menos que 25 MEKO 200. Agora, o conceito está sendo aplicado a uma nova geração de fragatas e corvetas.

• Mário Roberto Vaz Carneiro

O estaleiro Blohm + Voss GmbH (B+V) é um dos mais conhecidos do mundo. Fundado no Século XIX, foi responsável pela construção de inúmeros navios de primeira linha, entre eles o encouraçado Bismarck. Em 1969, os engenheiros da empresa iniciaram o desenvolvimento de um conceito denominado MEKO (Mehrzweck Kombination, ou seja, “Combinação Multifunção”), que se revelou um verdadeiro “ovo de Colombo”. Tratava-se da colocação de itens de equipamento (como sensores e armamento) em containers, palhetas ou módulos padronizados, que a B+V denominou Unidades Funcionais (UF). Obviamente, um sistema como esse traz algumas desvantagens em termos de espaço e peso. Entretanto, os engenheiros da B+V estimam que a adoção do conceito MEKO leva a um aumento de volume de apenas 2%, e de peso da ordem de 1% a 2%.


Acima 
A F89 Aradu, da Marinha Nigeriana, vista pouco tempo depois de entregue. Atualmente, o navio encontra-se reduzido à imobilidade, e seu poder de combate é praticamente nulo. (Foto: B+V)

Para cada UF, as interfaces com os sistemas do navio (elétrico, hidráulico, ar condicionado, transmissão de dados, etc.) estão na mesma posição qualquer que seja o modelo do equipamento instalado na palheta em questão. E mais: sempre que possível esses módulos são colocados nas vias de acesso de equipamentos de grande porte localizados nos conveses inferiores. Isso permite que esses itens possam ser retirados através das aberturas resultantes da remoção provisória de uma palheta.

A aplicação do conceito resulta em inúmeras vantagens, como por exemplo:

• o cliente tem ampla liberdade para especificar os sistemas que melhor se encaixem nos seus requisitos, sem que o atendimento de suas especificações implique na introdução de modificações no projeto ou na estrutura do navio; 

• pelo mesmo motivo, quaisquer modernizações de meia-vida que venham a ser implementadas têm seu custo consideravelmente reduzido; 

• o custo inicial da construção é diminuído, devido à modularidade, que possibilita a racionalização dos métodos construtivos;

• a adoção de métodos construtivos paralelos, e não lineares, resulta na redução no prazo de construção de um navio: enquanto o estaleiro se concentra na parte estrutural, os armamentos e sensores podem ser montados nos módulos em outros locais, para futura instalação no navio, já feitos os testes de funcionamento, bastando conectar as interfaces;

• redução do tempo em que o navio é retirado de operações para revisões e reparos, com a conseqüente diminuição do custo ao longo da vida útil.

A introdução do sistema MEKO foi um dos responsáveis pelo “boom” de exportações de navios de superfície por parte da indústria naval pós-guerra da Alemanha, que após 1945 praticamente se limitara, com raras exceções, a exportar submarinos e lanchas rápidas de ataque.  

Primeiras vendas
Completado o trabalho de desenvolvimento do conceito MEKO, a B+V iniciou em 1976 o esforço de comercialização. É interessante observar que, embora o sistema MEKO tenha sido oferecido em navios de deslocamentos que variavam de aproximadamente 800 t (MEKO 80) a 3.600 t (MEKO 360), o primeiro modelo a ser encomendado foi exatamente o maior. 

Em 3 de novembro de 1977 a Marinha nigeriana assinou contrato para o fornecimento de uma fragata MEKO 360H1, a que denominou Republic. Com a quilha batida em 1å de dezembro de 1978, o navio foi lançado em 25 de janeiro de 1980. Em 1å de novembro do mesmo ano, o nome foi mudado para Aradu (que significa “trovão"), sendo o navio entregue e incorporado em 1981.

A carreira da F 89 Aradu não tem sido das mais auspiciosas — principalmente o ano de 1987, quando o navio sucessivamente encalhou no Rio Congo, colidiu com um cais em Lagos e envolveu-se numa colisão no mar. Entre outubro de 1990 e fevereiro de 1994 a Aradu foi submetida a uma revisão no Victoria Island Naval Dockyard, em Lagos. Após voltar ao serviço, o navio continuou tendo seguidos problemas. 

Atualmente, seu valor combativo é, no mínimo, duvidoso. O prazo de validade dos mísseis Otomat, por exemplo, já foi ultrapassado há muito, não tendo sido adquirido um novo lote. A ausência de oficiais da Marinha nigeriana no encontro de usuários MEKO recentemente realizado em Mar del Plata (Argentina) — onde estavam oficiais argentinos, portugueses, neo-zelandeses, australianos, gregos, turcos, malasianos, sul-africanos, alemães e chilenos — pode indicar que a situação da Aradu é pior do que se pensa.

Ao lado A Almirante Brown deu o nome à classe de MEKO 360 que até hoje forma a espinha dorsal da frota de superfície da Argentina. (Foto: B+V)

As MEKO adquiridas a seguir foram duas 360H2, e o comprador foi a Argentina. O contrato para a aquisição de seis unidades, quatro das quais seriam construídas no país, foi assinado em 11 de dezembro de 1978. Posteriormente, ao se decidir pela compra de um lote de MEKO 140 (de que falaremos mais adiante), o acordo foi mudado para quatro unidades, todas construídas na Alemanha. Os navios são designados na Argentina como “destructores", ou seja, contratorpedeiros. Na época em que entraram em serviço (1983-84), esses navios extremamente modernos (D10 Almirante Brown, D11 La Argentina, D12 Heroína e D13 Sarandi) constituíam-se nas mais capazes unidades de escolta em operação na América Latina. Atualmente, entretanto, já se sente a necessidade de uma modernização de meia-vida, o que se configura em um empreendimento um tanto problemático, face às conhecidas dificuldades por que passa a economia do país vizinho.

A encomenda seguinte de navios do tipo MEKO também veio da Argentina, assinando-se um contrato em agosto de 1979 para a construção no próprio país de um lote de seis fragatas leves (MEKO 140). As quilhas foram batidas entre 1980 e 1983, sendo os navios lançados entre 1982 e 1986. As quatro primeiras unidades (F 41 Espora, F42 Rosales, F43 Spiro e F44 Parker) sofreram atrasos relativamente pequenos, entrando em serviço entre 1985 e 1990. O mesmo não aconteceu, porém, com a F45 Robinson e a F46 Gomez Roca. Sua construção foi interrompida pelo menos duas vezes, devido a problemas orçamentários. Até nos períodos em que os trabalhos estavam em andamento o ritmo era muito lento. Assim, apenas recentemente a Armada Argentina passou a poder contar com o seu sexteto de MEKO 140.

À direita Após longos atrasos na construção das duas últimas unidades, a Armada Argentina pode finalmente contar com a totalidade (seis) de fragatas MEKO 140 encomendadas na década de 70. (Foto: A. Galarce)

O sucesso da MEKO 200
A partir de 1983, entretanto, iniciou-se o “reinado” da MEKO 200. Em abril daquele ano a Turquia encomendou quatro unidades da MEKO 200TN, sendo duas a serem construídas no país com assistência técnica da B+V. A F240 Yavuz e a F241 Turgut Reis foram construídas, respectivamente pela Blohm + Voss (Hamburgo) e pela Howaldtswerke (Kiel); ambas tiveram a quilha batida em 1985, com a primeira entrando em serviço em julho de 1987 e a segunda em fevereiro de 1988. A F242 Fatih e a F243 Yildirim foram construídas no estaleiro Gölçük, na Turquia, entrando em serviço, respectivamente, em julho de 1988 e em julho de 1989. 

Em julho de 1986 Portugal assinou a aquisição de três MEKO 200PN, num programa em que o país arcou com 40% do custo dos navios, ficando os restantes 60% a cargo de um conjunto de outros países (Estados Unidos, Canadá, Noruega, Alemanha e Holanda). A primeira fragata, F330 Vasco da Gama, foi construída pela B+V, com a quilha batida em 1989 e a entrada em serviço em 1990. As outras duas (F331 Alvares Cabral e F332 Corte Real) ficaram a cargo da Howaldtswerke, tendo a quilha sido batida em 1989 e a entrada em serviço em 1991. 

Ao lado Yavuz, primeira MEKO 200 TN da Marinha Turca. O primeiro lote de quatro navios é facilmente distinguível dos lotes posteriores pela presença do domo oval do radar WM-25. (Foto: B+V) 

 

Em 1989 a Grécia assinou os contratos para a construção de uma MEKO 200HN em Hamburgo e mais três unidades na Grécia. A F 452 Hydra, construída pela B+V, teve a quilha batida em 1990, foi lançada em 1991 e entrou em serviço no ano seguinte. Entretanto, os três navios restantes (F453 Spetsai, F454 Psara e F 455 Salamis) tiveram um período de gestação bem mais longo, principalmente pelas dificuldades enfrentadas pelo Hellenic Shipyard. Os Estados Unidos financiaram parte substancial do armamento e do equipamento eletrônico, mas mesmo assim a última MEKO 200HN só entrou em serviço ao final de 1998. A Grécia estuda agora a possível aquisição de mais duas MEKO 200HN, armadas para defesa antiaérea de área.

Em 14 de agosto de 1989 a Austrália assinou contrato com a Australian Marine Engineering Consolidated, Ltd. (AMECON) para a construção de oito MEKO 200ANZ, com opção de mais duas ou quatro unidades adicionais para a Marinha da Nova Zelândia (que no mês seguinte decidiu adquirir somente dois navios). Essa variante da MEKO 200 é baseada na 200PN, construída para Portugal. A AMECON posteriormente foi vendida para o grupo Transfield, atualmente conhecido como Tenix, mas não houve alteração no contrato. A primeira das oito MEKO 200ANZ da Royal Australian Navy, a FF150 Anzac, foi incorporada em 28 de maio de 1996, sendo seguida pela FF151 Arunta, em 12 de dezembro de 1998. As demais (FF152 Warramunga, FF153 Stuart, FF154 Parramatta, FF155 Ballarat, FF156 Toowoomba e FF157 Perth) estão sendo gradativamente entregues, com as incorporações devendo se estender até 2004, pelo menos. 

As MEKO 200 australianas têm armamento mais leve do que seria de esperar. Por motivo de economia, os primeiros navios são armados somente com um canhão Mk.45 de 127mm, dois tubos triplos lança-torpedos Mk.32, e um sistema Mk.41 de lançamento vertical para oito mísseis RIM-7P Sea Sparrow, havendo somente previsão para a instalação futura de oito mísseis superfície-superfície Harpoon, e um sistema Phalanx de 20mm. O convôo à ré possibilita a operação de um helicóptero Kaman SH-2G Seasprite. Eventualmente, todos os navios se beneficiariam do Warfighting Improvement Programme, que seria implantado a um custo de US$750 milhões, objetivando complementar a dotação de armamento. O programa WIP, que incluía a instalação de mísseis Standard SM-2, foi cancelado em 1999.


Acima O armamento das MEKO 200 portuguesas (classe “Vasco da Gama”) é praticamente todo de origem americana, à exceção do canhão francês de 100mm, na proa. No espaço à frente do passadiço poderá eventualmente ser instalado um sistema de defesa de ponto. (Foto: U.S. Navy photo by Mass Communication Specialist Seaman Apprentice Shonna Cunningham/Released)

Abaixo Por motivos de economia, as MEKO 200 australianas (na foto a Perth) receberam armamento extremamente reduzido em comparação à sua capacidade potencial. (Foto: B+V) 

As duas unidades neo-zelandesas, a F77 Te Kaha e a F111 Te Mana, foram incorporadas respectivamente em 1997 e 1999, sendo construídas em estaleiros australianos. A exemplo das MEKO 200 da RAN, esses dois navios são sub-armados, dispondo somente do canhão de 127mm, dos oito mísseis RIM-7P disparados verticalmente a partir do sistema Mk.41 e de um sistema Phalanx, além do helicóptero SH-2F. 

Ao lado Em formação, as quatro fragatas da classe “Brandenburg” (Klasse 123), da Marinha Alemã. (Foto: B+V)

Em 28 de junho de 1998 a Marinha Alemã encomendou a um consórcio composto pela B+V, Thyssen Nordseewerke e Howaldtswerke a construção de quatro fragatas “Klasse 123", que se tornariam a classe “Brandenburg". Os quatro navios (F215 Brandenburg, F216 Schleswig-Holstein, F217 Bayern e F218 Mecklenburg-Vospommern) foram construídos com o emprego do conceito modular MEKO, sendo incorporados entre 1994 e 1996. Essas fragatas constituíram-se num prelúdio para a “Klasse 124", ou classe “Sachsen", três das quais (F219 Sachsen, F220 Hamburg e F221 Hessen) estão em construção, com a incorporação da primeira unidade estando prevista para 2002. Espera-se que uma quarta fragata (F222 Thüringen) seja eventualmente construída. A exemplo da “Klasse 123", a nova classe também empregou largamente o conceito MEKO.


Acima
Concepção artística mostrando como será a classe alemã “Saschen”, também conhecida como “Klasse 124”. Note-se como a estrutura é muito mais “limpa” do que os navios da “Klasse 123”. (Foto: B+V)

À direita F244 Barbados, primeira MEKO 200 TN Track II-A turca. Com três sistemas Sea Zenith de 25mm, os navios tem elevada capacidade de autodefesa próxima contra ameaças aéreas. (Foto: B+V)

Em janeiro de 1990 a Turquia assinou a compra de mais um par de fragatas MEKO, e em dezembro de 1982 a aquisição de mais duas. Esses navios, conhecidos como MEKO 200TN Track II-A e MEKO 200TN Track II-B, diferem de seus antecessores principalmente por adotarem propulsão CODOG, terem equipamentos eletrônicos mais modernos, melhor sistema de ar condicionado e proteção NBQ mais avançada, além de serem mais longos e terem maior deslocamento. Os navios do tipo Track II-A são o F244 Barbados e o F245 Oruçreis (construídos respectivamente pela B+V e pelo estaleiro Gölçük), e os do tipo Track II-B, que possuem um sistema de combate diferente, são o F246 Salihreis (construído pela B+V) e o F 247 Kemalreis (construído pelo Gölçük). É possível que se concretize a aquisição de pelo menos duas unidades adicionais, o que tornaria a Turquia o maior operador mundial de MEKO 200.

À direita Externamente, as MEKO 200 TN Track-IIB são praticamente idênticas às IIA. Talvez a maior diferença visual seja a ausência do lançador óctuplo de Sea Sparrow, já que as Track-IIB utilizam mísseis de lançamento vertical. (Foto: B+V)

Nova geração
Por mais eficientes que possam ser os projetos MEKO da primeira geração, não há como esconder que a maioria de suas características originou-se de requisitos identificados há algumas décadas. A tecnologia é algo que evolui continuamente, e na segunda metade da década de 90 a B+V anunciou uma nova geração de projetos, mais adequados às novas condições do combate naval.

Trata-se da “família” MEKO A, na qual se objetivou uma melhoria no desempenho, acompanhada de um menor custo ao longo da vida útil. O grupo inclui a corveta/fragata A100 (cujo deslocamento pode variar de 800 t a 2.500 t, mediante a inserção de uma seção de comprimento variável a meia-nau) e a fragata A200, cujo deslocamento pode chegar até a 4.000t. Externamente os dois tipos diferem consideravelmente de seus antecessores, já que em seu projeto foi feito um considerável esforço para aumentar a furtividade, obtendo-se grandes reduções das assinaturas radar e infravermelho. Entre outras providências foi eliminado o uso de chaminés; a exaustão dos gases é feita através de um duto horizontal resfriado por injeção de água do mar, e que ejeta os gases (já a uma temperatura de 60•C a 80•C ) por uma abertura na popa, logo acima da linha d’água. A B+V assegura que isso possibilita uma redução de até 75% na assinatura IV. Para diminuir a assinatura radar, foram eliminados quaisquer ângulos retos, aplicados materiais absorventes de emissões de radar, adotada uma superestrutura o mais “lisa ”possível e utilizada inclinação “para dentro ”das superfícies laterais (o chamado “perfil frontal X”). 

Outra interessante inovação das MEKO A é a adoção de um sistema de propulsão denominado CODAG-WARP (Combined Diesel And Gas – Waterjet And Refined Propellers), com dois motores diesel e uma turbina (as potências logicamente são variáveis de acordo com o tamanho do navio). O sistema permite o uso de até três eixos: os dois externos estariam ligados aos motores diesel e utilizariam hélices de passo controlável (ou jatos lineares), sendo usados em velocidade de cruzeiro; a turbina, localizada no centro, acionaria um jato d’água e seria empregada para velocidade máxima, em conjunto com os diesel. A B+V estima que um navio desse tipo poderia cruzar 84% de sua vida útil utilizando apenas um dos motores diesel (impulsionando os dois eixos).

Ao lado Concepção artística da MEKO A200 SAN, a ser fornecida em número de quatro para a África do Sul. Observe-se o design extremamente “limpo”, o que confere excelentes características de furtividade. (Foto: B+V)

As MEKO A comparam-se de forma extremamente favorável com projetos “convencionais ”de tamanho semelhante. Os custos de operação ao longo de sua vida útil podem ser reduzidos em até 20%, o deslocamento pode ser 25% menor do que navios de desempenho semelhante, e — graças a um elevadíssimo grau de automação — o número de tripulantes pode ser muito inferior. Uma A200 poderia ter130 tripulantes a menos que uma fragata da classe “Brandenburg".

A MEKO A200 dispõe de um sistema de lançamento vertical de mísseis, que tanto pode acomodar mísseis antiaéreos como anti-submarino. Na função antiaérea, a MEKO A200 utilizaria como sensores principais um radar de varredura eletrônica e um radar de busca de longo alcance. Entre os sistemas que poderiam ser integrados estão os radares APAR e SMART-L (ambos da Signaal) e o SPY-1F, da Lockheed Martin. A A200 é igualmente eficaz em missões A/S, podendo aceitar sem problemas a instalação de sonares rebocados.

A B+V oferece também no mercado o MPV (MEKO Patrol Vessel), um Navio-Patrulha com 77 m de comprimento e 1.500 t de deslocamento, com somente um eixo e com capacidade de atingir a velocidade de 21 nós.

Mais encomendas
O primeiro sucesso de exportação da A200 aconteceu quando, em 3 de dezembro de 1999, foi assinado um contrato de US$930 milhões para o fornecimento de quatro A200SAN para a África do Sul. A primeira e a terceira unidades serão construídas pela B+V em Hamburgo, ficando as outras duas a cargo da HDW, em Kiel. As entregas serão iniciadas em 2005, após a instalação e integração dos sistemas de combate por um grupo misto francês e sul-africano.

Os navios deslocarão 3.590 t (carregados), terão comprimento de 121,0 m, boca de 16,3 m, calado de 4,40 m e sua velocidade máxima será superior a 27 nós. O armamento constará de um canhão OTOBreda de 76mm, um reparo duplo Denel de canhões de 35mm, oito mísseis superfície-superfície MM40 Block 2 Exocet, mísseis superfície-ar Kentron Umkhonto de lançamento vertical; e tubos lança-torpedos. Além disso, o navio poderá operar um helicóptero Oryx ou dois Lynx. Os principais sensores serão um radar de busca 3-D Thales MRR, um radar de navegação, dois radares de direção de tiro e um sonar de casco Thomson-Marconi.

À direita F452 Hydra, vista antes de ser entregue à Marinha da Grécia. Observe-se o canhão de 127mm e os dois sistemas Phalanx de defesa de ponto; a meia-nau, sob o bote, os tubos lança-torpedos. (Foto: B+V) 

 

Outro país a decidir-se pela A200 foi o Chile, cujo programa para a obtenção de novas fragatas denomina-se Projeto Tridente. Após examinar um total de 32 plataformas, a Armada de Chile pré-selecionou quatro , e em 2 de agosto de 1999 solicitou propostas de fornecimento. O resultado do exame das mesmas, anunciado em 15 de outubro do mesmo ano, indicou que a MEKO A200ACH, apresentada pela B+V, era a que mais se adequava aos requisitos chilenos. Assim, em novembro de 1999 o presidente do Chile autorizou a adjudicação do Contrato de Engenharia Básica. 

O objetivo é a construção de quatro unidades, a primeira das quais deveria fazer as provas operacionais no segundo semestre de 2005, entrando em serviço no ano seguinte. As outras se seguiriam ao ritmo de uma por ano, estando portanto todas já em serviço em 2009. Os navios seriam construídos localmente pelo estaleiro ASMAR, em Talcahuano. Como já seria de esperar, a competição é forte entre os grupos fornecedores e integradores de sistemas. Isso ficou bem claro durante a Exponaval 2000, realizada em Valparaíso, e durante a qual a Lockheed Martin Canada, a Celsius Tech, a SISDEF e a Thomson-CSF Signaal procuraram mostrar as vantagens de seus produtos e propostas.

Em janeiro de 2002, porém, as pretensões da Armada do Chile sofreram um duro golpe, quando o presidente Ricardo Lagos decidiu adiar o programa, por razões orçamentárias. Agora, a Armada de Chile procura uma solução intermediária, arrendando ou comprando alguns navios de segunda-mão. 

A Malásia também resolveu adquirir navios do tipo MEKO A, embora o contrato ainda não tenha sido assinado. A marinha daquele país pretende se mobiliar com até 27 novas corvetas para patrulha oceânica, e a classe escolhida — após uma acirrada concorrência que incluiu propostas da Austrália, Dinamarca e Reino Unido — foi a A100 RMN. A entrega da última unidade do primeiro lote de seis navios, a serem construídos pelo estaleiro NSDB na própria Malásia a um custo aproximado de US$1,4 bilhão, está prevista para 2005. 

Ao lado As corvetas MEKO A100 RMN da Malásia não serão inicialmente equipadas com mísseis RAM (o lançador é mostrado em sombreado imediatamente à frente do passadiço) e MM40 Exocet. (Foto: B+V)

Uma grande vitória para a MEKO A100 aconteceu em 18 julho de 2000, quando a Marinha Alemã selecionou a classe para servir de base ao seu programa de corvetas K130. Esses navios, com deslocamento de 1.580 t, têm 88m de comprimento, seriam construídos em três lotes de cinco unidades cada, e destinam-se a substituir as aproximadamente 30 Lanchas Rápidas de Ataque das classes “S143A", “S143B ”e “S148". O custo da construção do primeiro grupo de navios deve atingir US$925 milhões.

A proposta vencedora foi apresentada por um consórcio denominado ARGE K130 (Arbeitsgemeinschaft K 130, conhecido no estrangeiro como German Corvette Consortium), liderado pela B+V e incluindo os estaleiros Thyssen Nordseewerke (TNSW) e Friedrich Lürssen Werft, bem como a EADS Germany GmbH e a Thomson-CSF Signaal, essas duas últimas empresas como integradores de sistemas. O projeto ficou sob a responsabilidade da B+V e da Lürssen, e o resultado é um amálgama do conceito da A100 com os recentes projetos de corvetas elaborados pela Lürssen. A B+V deverá construir dois navios, a Lürssen mais dois, e a TNSW o restante. Entretanto, é possível que a HDW, que juntamente com a STN Atlas Elektronic compunha o consórcio competidor, receba uma parcela do trabalho de construção das K130. 

A K130 terá como missão principal a guerra de superfície, e suas tarefas incluirão a vigilância de águas costeiras. Entretanto, os navios terão capacidade de operar em mar aberto, em chamadas operações “fora de área”. O armamento de tubo será composto de um canhão OTOBreda de 76mm e dois sistemas de defesa de ponto Mauser Marineleichgeschütz de 27mm (MLG 27). A bordo haverá ainda oito mísseis antinavio, dois reparos para lançamento de mísseis antiaéreos RAM Block 1A (cada um para 21 mísseis) e um sistema de lançamento vertical para oito mísseis LFK-Polyphem, guiados por fibra ótica. Na popa haverá um convés de vôo, para a operação de um helicóptero de 10 t (NH90 ou similar) e dois Veículos Aéreos Não Tripulados para vigilância aérea e guiamento intermediário dos mísseis superfície-superfície. Refletindo sua versatilidade, as corvetas possuirão sonar de casco e sonar rebocado, e para 2007-2008 está prevista a instalação de um sistema anti-torpédico do tipo “hard kill”, atualmente em desenvolvimento.

A furtividade é uma característica importante da K130, e entre as medidas adotadas está o uso de cortinas rígidas, feitas em aço, para esconder os botes infláveis e os lançadores de mísseis localizados a meia-nau. A última corveta do lote inicial de cinco unidades deverá ser entregue em 2008, e o programa deverá estar concluído em 2015.

Outro cliente é a Polônia, que pretende adquirir até sete corvetas a que denominou “Projeto 621” (“Gawron-II”), tendo como base uma variante da A100 com deslocamento de 2.035 t, com as entregas iniciando-se em 2003. As quilhas das duas primeiras unidade foram batidas em 28 de novembro de 2000 no estaleiro polonês SMW (que atuará como contratante principal, enquanto o German Corvette Consortium funcionará como subcontratado). 

Em relação à K130, os navios poloneses têm algumas diferenças importantes. O armamento constará de um canhão de 76mm (provavelmente da OTOBreda), oito mísseis mar-mar (possivelmente o Saab Bofors Dynamics RBS-15 Mk.3), oito mísseis superfície-ar (o principal candidato é o Evolved Sea Sparrow), dois reparos triplos de tubos lança-torpedos de 324mm (o torpedo será o MU90/Impact), um sistema de defesa de ponto (provavelmente o RIM-116A Sea RAM) e duas plataformas de sistemas anti-submarino (sendo que o Saab Bofors ASW601 é o principal competidor). Ainda não foram definidos os sistemas nem o tipo de helicóptero a ser adotado. 


Acima
Os perfil da MEKO 200PN (Marinha Portuguesa, acima) e da 200HN (Marinha da Grécia, abaixo) demonstram a facilidade com que a filosofia MEKO permite a adoção de diferentes configurações de armamento e sensores. (Foto: B&V)

Futuro
Existem outras possibilidades de comercialização de navios do tipo MEKO, além das já mencionadas acima. Na Turquia, a B+V tenta conseguir com que a marinha local reduza o programa de aquisição de fragatas MilGem de doze para oito, o que liberaria recursos para a compra de quatro corvetas MEKO. Além disso, o programa turco TF2000, que visa a obtenção de fragatas antiaéreas, poderia ser atendido pela A200.

A Austrália também pretende adquirir fragatas antiaéreas, e um dos candidatos seria a classe “Sachsen ”alemã. Além disso, a U.S. Coast Guard está examinando a adoção do conceito MEKO para os navios que substituirão os cutters atualmente em uso, segundo o Programa Deepwater. 

Não é à toa que a B+V está otimista. Numa época em que os orçamentos de defesa estão encolhidos, ter tantas frentes comerciais abertas é uma garantia de futuros negócios, e poucos estaleiros em todo o mundo podem gabar-se de desfrutar de tal situação. •