13Agosto2026

 

Segurança & Defesa

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Sistema FIERGS e Abimde mobilizam setor de defesa e segurança

O Sistema FIERGS (Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul), por meio do Comitê da Indústria de Defesa e Segurança (Comdefesa), e a Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE) reuniram líderes empresariais do setor e autoridades das Forças Armadas, no dia 24 de junho na sede da AEL Sistemas, em Porto Alegre-RS, para debater oportunidades e desafios da indústria de defesa e segurança no Brasil. O encontro destacou a importância do setor para a manutenção da soberania nacional, o desenvolvimento tecnológico e o fortalecimento da base industrial brasileira.

Entre os temas discutidos estiveram a ampliação da participação de fornecedores nacionais em contratos públicos e os mecanismos para estimular o crescimento da cadeia produtiva. O vice-coordenador do Comdefesa, Guilherme Cunha, ressaltou a capacidade tecnológica das empresas gaúchas. “Temos uma diversidade de equipamentos semelhante à de São Paulo. Produzimos aeronaves, microssatélites, sistemas eletrônicos e aviônicos, entre outros produtos”, afirmou. Segundo ele, o cenário geopolítico internacional também reforça a relevância do setor. “Precisamos garantir soberania e autonomia tecnológica. Além disso, a indústria de defesa impulsiona o desenvolvimento. Muitas das tecnologias criadas para aplicações militares acabam sendo incorporadas ao uso civil e beneficiam toda a sociedade”, destacou.

Para ampliar a participação de pequenas e médias empresas na cadeia produtiva, Cunha defendeu processos mais transparentes e acessíveis. Ele também ressaltou a importância de ampliar o uso de soluções nacionais por órgãos ligados à defesa, segurança pública e proteção civil, como polícias, bombeiros e Defesa Civil. Outro assunto debatido foi o Termo de Licitação Especial (TLE). Os participantes apontaram que a falta de informação sobre o instrumento e a morosidade dos processos têm dificultado sua aplicação, inclusive por órgãos públicos, reduzindo o interesse das empresas em aderir ao mecanismo.

A plenária contou com a presença do deputado estadual Gustavo Victorino, presidente da Frente Parlamentar de Apoio à Indústria da Defesa e Segurança. O parlamentar enfatizou a necessidade de construir soluções em conjunto com o setor produtivo: “Conhecemos os desafios e precisamos avançar na busca por alternativas. Por meio da Frente Parlamentar, já conseguimos trazer seis carros anfíbios modelo Urutu para o Rio Grande do Sul. Também é importante ampliar o conceito de indústria de defesa e segurança. Temos empresas capazes de produzir alimentos desidratados, por exemplo, fundamentais para ações de Defesa Civil em emergência. Elas também devem fazer parte do escopo de indústria da defesa.

O diretor-executivo da ABIMDE, Tenente-Brigadeiro José Augusto Crepaldi Affonso, acrescentou que o Brasil possui empresas altamente capacitadas para atender às demandas nacionais de defesa e segurança. Segundo ele, o desafio está em fortalecer a "articulação entre a indústria e os órgãos contratantes, ampliando as oportunidades para fornecedores brasileiros".

Além da reunião, os representantes da indústria participaram de uma visita guiada às instalações da empresa. O diretor de Negócios da AEL Sistemas, José Eduardo Klippel, apresentou os processos de fabricação e integração de equipamentos eletrônicos utilizados na aviação e em aplicações de defesa. Ele também demonstrou como as tecnologias desenvolvidas em Porto Alegre são empregadas por clientes no Brasil e no exterior. "Temos um capital humano excelente no Rio Grande do Sul e 50% da nossa equipe já teve experiência no exterior, o que nos ajuda a trocar conhecimentos e nos posicionarmos no cenário global", afirmou.

A AEL Sistemas é uma das principais empresas brasileiras de tecnologia para os setores de defesa e aeroespacial. Com sede em Porto Alegre, desenvolve e integra sistemas eletrônicos avançados para aeronaves, veículos e plataformas militares. Entre seus principais produtos estão sistemas aviônicos, computadores de missão, displays multifuncionais, sistemas de comunicação e soluções para comando e controle. A empresa participa ainda de programas estratégicos das Forças Armadas brasileiras, como os caças Gripen e a modernização de aeronaves militares, além de exportar tecnologia para diversos países (Foto: Lucas Machado, FIERGS).