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A
saga das MEKO continua

Acima A F89 Aradu,
da Marinha Nigeriana, vista pouco tempo depois de entregue.
Atualmente, o navio encontra-se reduzido à imobilidade,
e seu poder de combate é praticamente nulo. (Foto:
B+V)
Há
várias dezenas de fragatas do tipo MEKO construídas
e encomendadas entre elas nada menos que 25 MEKO
200. Agora, o conceito está sendo aplicado a uma
nova geração de fragatas e corvetas.
Mário Roberto Vaz Carneiro
O
estaleiro Blohm + Voss GmbH (B+V) é um dos mais conhecidos
do mundo. Fundado no Século XIX, foi responsável
pela construção de inúmeros navios
de primeira linha, entre eles o encouraçado Bismarck.
Em 1969, os engenheiros da empresa iniciaram o desenvolvimento
de um conceito denominado MEKO (Mehrzweck Kombination, ou
seja, Combinação Multifunção),
que se revelou um verdadeiro ovo de Colombo.
Tratava-se da colocação de itens de equipamento
(como sensores e armamento) em containers, palhetas ou módulos
padronizados, que a B+V denominou Unidades Funcionais (UF).
Obviamente, um sistema como esse traz algumas desvantagens
em termos de espaço e peso. Entretanto, os engenheiros
da B+V estimam que a adoção do conceito MEKO
leva a um aumento de volume de apenas 2%, e de peso da ordem
de 1% a 2%.
Para cada UF, as interfaces com os sistemas do navio (elétrico,
hidráulico, ar condicionado, transmissão de
dados, etc.) estão na mesma posição
qualquer que seja o modelo do equipamento instalado na palheta
em questão. E mais: sempre que possível esses
módulos são colocados nas vias de acesso de
equipamentos de grande porte localizados nos conveses inferiores.
Isso permite que esses itens possam ser retirados através
das aberturas resultantes da remoção provisória
de uma palheta.
A aplicação do conceito resulta em inúmeras
vantagens, como por exemplo:
o cliente tem ampla liberdade para especificar os
sistemas que melhor se encaixem nos seus requisitos, sem
que o atendimento de suas especificações implique
na introdução de modificações
no projeto ou na estrutura do navio;
pelo mesmo motivo, quaisquer modernizações
de meia-vida que venham a ser implementadas têm seu
custo consideravelmente reduzido;
o custo inicial da construção é
diminuído, devido à modularidade, que possibilita
a racionalização dos métodos construtivos;
a adoção de métodos construtivos
paralelos, e não lineares, resulta na redução
no prazo de construção de um navio: enquanto
o estaleiro se concentra na parte estrutural, os armamentos
e sensores podem ser montados nos módulos em outros
locais, para futura instalação no navio, já
feitos os testes de funcionamento, bastando conectar as
interfaces;
redução do tempo em que o navio é
retirado de operações para revisões
e reparos, com a conseqüente diminuição
do custo ao longo da vida útil.
A introdução do sistema MEKO foi um dos responsáveis
pelo boom de exportações de navios
de superfície por parte da indústria naval
pós-guerra da Alemanha, que após 1945 praticamente
se limitara, com raras exceções, a exportar
submarinos e lanchas rápidas de ataque.
Primeiras
vendas
Completado o
trabalho de desenvolvimento do conceito MEKO, a B+V iniciou
em 1976 o esforço de comercialização.
É interessante observar que, embora o sistema MEKO
tenha sido oferecido em navios de deslocamentos que variavam
de aproximadamente 800 t (MEKO 80) a 3.600 t (MEKO 360),
o primeiro modelo a ser encomendado foi exatamente o maior.
Em 3 de novembro de 1977 a Marinha nigeriana assinou contrato
para o fornecimento de uma fragata MEKO 360H1, a que denominou
Republic. Com a quilha batida em 1å de dezembro de
1978, o navio foi lançado em 25 de janeiro de 1980.
Em 1å de novembro do mesmo ano, o nome foi mudado para Aradu
(que significa trovão"), sendo o navio
entregue e incorporado em 1981.
A carreira da F 89 Aradu não tem sido das
mais auspiciosas principalmente o ano de 1987, quando
o navio sucessivamente encalhou no Rio Congo, colidiu com
um cais em Lagos e envolveu-se numa colisão no mar.
Entre outubro de 1990 e fevereiro de 1994 a Aradu
foi submetida a uma revisão no Victoria Island Naval
Dockyard, em Lagos. Após voltar ao serviço,
o navio continuou tendo seguidos problemas.
Atualmente, seu valor combativo é, no mínimo,
duvidoso. O prazo de validade dos mísseis Otomat,
por exemplo, já foi ultrapassado há muito,
não tendo sido adquirido um novo lote. A ausência
de oficiais da Marinha nigeriana no encontro de usuários
MEKO recentemente realizado em Mar del Plata (Argentina)
onde estavam oficiais argentinos, portugueses, neo-zelandeses,
australianos, gregos, turcos, malasianos, sul-africanos,
alemães e chilenos pode indicar que a situação
da Aradu é pior do que se pensa.
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Ao
lado A Almirante Brown deu o nome à
classe de MEKO 360 que até hoje forma a espinha
dorsal da frota de superfície da Argentina. (Foto:
B+V) |
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As
MEKO adquiridas a seguir foram duas 360H2, e o comprador
foi a Argentina. O contrato para a aquisição
de seis unidades, quatro das quais seriam construídas
no país, foi assinado em 11 de dezembro de 1978.
Posteriormente, ao se decidir pela compra de um lote de
MEKO 140 (de que falaremos mais adiante), o acordo foi mudado
para quatro unidades, todas construídas na Alemanha.
Os navios são designados na Argentina como destructores",
ou seja, contratorpedeiros. Na época em que entraram
em serviço (1983-84), esses navios extremamente modernos
(D10 Almirante Brown, D11 La Argentina, D12
Heroína e D13 Sarandi) constituíam-se
nas mais capazes unidades de escolta em operação
na América Latina. Atualmente, entretanto, já
se sente a necessidade de uma modernização
de meia-vida, o que se configura em um empreendimento um
tanto problemático, face às conhecidas dificuldades
por que passa a economia do país vizinho.
CLIQUE AQUI
PARA VER A FICHA TÉCNICA DAS MEKO 360
A encomenda seguinte
de navios do tipo MEKO também veio da Argentina,
assinando-se um contrato em agosto de 1979 para a construção
no próprio país de um lote de seis fragatas
leves (MEKO 140).
As quilhas foram batidas entre 1980 e 1983, sendo os navios
lançados entre 1982 e 1986. As quatro primeiras unidades
(F 41 Espora, F42 Rosales, F43 Spiro
e F44 Parker) sofreram atrasos relativamente pequenos,
entrando em serviço entre 1985 e 1990. O mesmo não
aconteceu, porém, com a F45 Robinson e a F46
Gomez Roca. Sua construção foi interrompida
pelo menos duas vezes , devido a problemas orçamentários.
Até nos períodos em que os trabalhos estavam
em andamento o ritmo era muito lento. Assim, apenas recentemente
a Armada Argentina passou a poder contar com o seu sexteto
de MEKO 140.
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Ao
lado Após longos atrasos na construção
das duas últimas unidades, a Armada Argentina
pode finalmente contar com a totalidade (seis) de
fragatas MEKO 140 encomendadas na década de
70. (Foto: A. Galarce)
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O
sucesso da MEKO 200
A partir de 1983,
entretanto, iniciou-se o reinado da MEKO
200. Em abril daquele ano a Turquia encomendou quatro
unidades da MEKO 200TN, sendo duas a serem construídas
no país com assistência técnica da B+V.
A F240 Yavuz e a F241 Turgut Reis foram construídas,
respectivamente pela Blohm + Voss (Hamburgo) e pela Howaldtswerke
(Kiel); ambas tiveram a quilha batida em 1985, com a primeira
entrando em serviço em julho de 1987 e a segunda
em fevereiro de 1988. A F242 Fatih e a F243 Yildirim
foram construídas no estaleiro Gölçük,
na Turquia, entrando em serviço, respectivamente,
em julho de 1988 e em julho de 1989.
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Ao
lado Yavuz, primeira MEKO 200 TN da Marinha
Turca. O primeiro lote de quatro navios é facilmente
distinguível dos lotes posteriores pela presença
do domo oval do radar WM-25. (Foto: B+V) |
Em
julho de 1986 Portugal assinou a aquisição
de três MEKO 200PN, num programa em que o país
arcou com 40% do custo dos navios, ficando os restantes
60% a cargo de um conjunto de outros países (Estados
Unidos, Canadá, Noruega, Alemanha e Holanda). A primeira
fragata, F330 Vasco da Gama, foi construída
pela B+V, com a quilha batida em 1989 e a entrada em serviço
em 1990. As outras duas (F331 Alvares Cabral e F332
Corte Real) ficaram a cargo da Howaldtswerke, tendo
a quilha sido batida em 1989 e a entrada em serviço
em 1991.
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Ao
lado O armamento das MEKO 200 portuguesas (classe
Vasco da Gama) é praticamente todo
de origem americana, à exceção
do canhão francês de 100mm, na proa.
No espaço à frente do passadiço
poderá eventualmente ser instalado um sistema
de defesa de ponto. (Foto: B+V)
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Em
1989 a Grécia assinou os contratos para a construção
de uma MEKO 200HN em Hamburgo e mais três unidades
na Grécia. A F 452 Hydra, construída
pela B+V, teve a quilha batida em 1990, foi lançada
em 1991 e entrou em serviço no ano seguinte. Entretanto,
os três navios restantes (F453 Spetsai, F454
Psara e F 455 Salamis) tiveram um período
de gestação bem mais longo, principalmente
pelas dificuldades enfrentadas pelo Hellenic Shipyard. Os
Estados Unidos financiaram parte substancial do armamento
e do equipamento eletrônico, mas mesmo assim a última
MEKO 200HN só entrou em serviço ao final de
1998. A Grécia estuda agora a possível aquisição
de mais duas MEKO 200HN, armadas para defesa antiaérea
de área.
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Ao
lado F452 Hydra, vista antes de ser entregue
à Marinha da Grécia. Observe-se o canhão
de 127mm e os dois sistemas Phalanx de defesa de ponto;
a meia-nau, sob o bote, os tubos lança-torpedos.
(Foto: B+V) |
Em
14 de agosto de 1989 a Austrália assinou contrato
com a Australian Marine Engineering Consolidated, Ltd. (AMECON)
para a construção de oito MEKO 200ANZ, com
opção de mais duas ou quatro unidades adicionais
para a Marinha da Nova Zelândia (que no mês
seguinte decidiu adquirir somente dois navios). Essa variante
da MEKO 200 é baseada na 200PN, construída
para Portugal. A AMECON posteriormente foi vendida para
o grupo Transfield, atualmente conhecido como Tenix, mas
não houve alteração no contrato. A
primeira das oito MEKO 200ANZ da Royal Australian Navy,
a FF150 Anzac, foi incorporada em 28 de maio de 1996,
sendo seguida pela FF151 Arunta, em 12 de dezembro
de 1998. As demais (FF152 Warramunga, FF153 Stuart,
FF154 Parramatta, FF155 Ballarat, FF156 Toowoomba
e FF157 Perth) estão sendo gradativamente
entregues, com as incorporações devendo se
estender até 2004, pelo menos.
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Ao
lado Por motivos de economia, as MEKO 200 australianas
(na foto a Anzac) receberam armamento extremamente
reduzido em comparação à sua
capacidade potencial. (Foto: B+V)
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As
MEKO 200 australianas têm armamento mais leve do que
seria de esperar. Por motivo de economia, os primeiros navios
são armados somente com um canhão Mk.45 de
127mm, dois tubos triplos lança-torpedos Mk.32, e
um sistema Mk.41 de lançamento vertical para oito
mísseis RIM-7P Sea Sparrow, havendo somente previsão
para a instalação futura de oito mísseis
superfície-superfície Harpoon, e um sistema
Phalanx de 20mm. O convôo à ré possibilita
a operação de um helicóptero Kaman
SH-2G Seasprite. Eventualmente, todos os navios se beneficiariam
do Warfighting Improvement Programme, que seria implantado
a um custo de US$750 milhões, objetivando complementar
a dotação de armamento. O programa WIP, que
incluía a instalação de mísseis
Standard SM-2, foi cancelado em 1999.
As duas unidades neo-zelandesas, a F77 Te Kaha e
a F111 Te Mana, foram incorporadas respectivamente
em 1997 e 1999, sendo construídas em estaleiros australianos.
A exemplo das MEKO 200 da RAN, esses dois navios são
sub-armados, dispondo somente do canhão de 127mm,
dos oito mísseis RIM-7P disparados verticalmente
a partir do sistema Mk.41 e de um sistema Phalanx, além
do helicóptero SH-2F.
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Ao
lado Em formação, as quatro fragatas
da classe Brandenburg (Klasse 123), da Marinha
Alemã. (Foto: B+V) |
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Ao
lado Concepção artística
mostrando como será a classe alemã Saschen,
também conhecida como Klasse 124.
Note-se como a estrutura é muito mais limpa
do que os navios da Klasse 123. (Foto:
B+V)
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Em 28
de junho de 1998 a Marinha Alemã encomendou a um consórcio
composto pela B+V, Thyssen Nordseewerke e Howaldtswerke a
construção de quatro fragatas Klasse
123", que se tornariam a classe Brandenburg".
Os quatro navios (F215 Brandenburg, F216 Schleswig-Holstein,
F217 Bayern e F218 Mecklenburg-Vospommern) foram
construídos com o emprego do conceito modular MEKO,
sendo incorporados entre 1994 e 1996. Essas fragatas constituíram-se
num prelúdio para a Klasse
124", ou classe Sachsen", três das
quais (F219 Sachsen, F220 Hamburg e F221 Hessen)
estão em construção, com a incorporação
da primeira unidade estando prevista para 2002. Espera-se
que uma quarta fragata (F222 Thüringen) seja eventualmente
construída. A exemplo da Klasse 123", a
nova classe também empregou largamente o conceito MEKO.
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Ao
lado F244 Barbados, primeira MEKO 200 TN
Track II-A turca. Com três sistemas Sea Zenith
de 25mm, os navios tem elevada capacidade de autodefesa
próxima contra ameaças aéreas.
(Foto: B+V) |
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Ao
lado Externamente, as MEKO 200 TN Track-IIB são
praticamente idênticas às IIA. Talvez
a maior diferença visual seja a ausência
do lançador óctuplo de Sea Sparrow,
já que as Track-IIB utilizam mísseis
de lançamento vertical. (Foto: B+V)
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Em janeiro de 1990
a Turquia assinou a compra de mais um par de fragatas MEKO,
e em dezembro de 1982 a aquisição de mais duas.
Esses navios, conhecidos como MEKO 200TN Track II-A e MEKO
200TN Track II-B, diferem de seus antecessores principalmente
por adotarem propulsão CODOG, terem equipamentos eletrônicos
mais modernos, melhor sistema de ar condicionado e proteção
NBQ mais avançada, além de serem mais longos
e terem maior deslocamento. Os navios do tipo Track II-A são
o F244 Barbados e o F245 Oruçreis (construídos
respectivamente pela B+V e pelo estaleiro Gölçük),
e os do tipo Track II-B, que possuem um sistema de combate
diferente, são o F246 Salihreis (construído
pela B+V) e o F 247 Kemalreis (construído pelo
Gölçük). É possível que se
concretize a aquisição de pelo menos duas unidades
adicionais, o que tornaria a Turquia o maior operador mundial
de MEKO 200.
Nova
geração
Por mais eficientes
que possam ser os projetos MEKO da primeira geração,
não há como esconder que a maioria de suas características
originou-se de requisitos identificados há algumas
décadas. A tecnologia é algo que evolui continuamente,
e na segunda metade da década de 90 a B+V anunciou
uma nova geração de projetos, mais adequados
às novas condições do combate naval.
Trata-se da família MEKO A, na qual se
objetivou uma melhoria no desempenho, acompanhada de um menor
custo ao longo da vida útil. O grupo inclui a corveta/fragata
A100 (cujo deslocamento pode variar de 800 t a 2.500 t, mediante
a inserção de uma seção de comprimento
variável a meia-nau) e a fragata A200, cujo deslocamento
pode chegar até a 4.000t. Externamente os dois tipos
diferem consideravelmente de seus antecessores, já
que em seu projeto foi feito um considerável esforço
para aumentar a furtividade, obtendo-se grandes reduções
das assinaturas radar e infravermelho. Entre outras providências
foi eliminado o uso de chaminés; a exaustão
dos gases é feita através de um duto horizontal
resfriado por injeção de água do mar,
e que ejeta os gases (já a uma temperatura de 60•C
a 80•C ) por uma abertura na popa, logo acima da linha dágua.
A B+V assegura que isso possibilita uma redução
de até 75% na assinatura IV. Para diminuir a assinatura
radar, foram eliminados quaisquer ângulos retos, aplicados
materiais absorventes de emissões de radar, adotada
uma superestrutura o mais lisa possível
e utilizada inclinação para dentro das
superfícies laterais (o chamado perfil frontal
X).
Outra interessante inovação das MEKO A é
a adoção de um sistema de propulsão denominado
CODAG-WARP (Combined Diesel And Gas Waterjet And Refined
Propellers), com dois motores diesel e uma turbina (as potências
logicamente são variáveis de acordo com o tamanho
do navio). O sistema permite o uso de até três
eixos: os dois externos estariam ligados aos motores diesel
e utilizariam hélices de passo controlável (ou
jatos lineares), sendo usados em velocidade de cruzeiro; a
turbina, localizada no centro, acionaria um jato dágua
e seria empregada para velocidade máxima, em conjunto
com os diesel. A B+V estima que um navio desse tipo poderia
cruzar 84% de sua vida útil utilizando apenas um dos
motores diesel (impulsionando os dois eixos).
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Ao
lado Concepção artística da
MEKO A200 SAN, a ser fornecida em número de quatro
para a África do Sul. Observe-se o design extremamente
limpo, o que confere excelentes características
de furtividade. (Foto: B+V) |
As MEKO A comparam-se
de forma extremamente favorável com projetos convencionais
de tamanho semelhante. Os custos de operação
ao longo de sua vida útil podem ser reduzidos em até
20%, o deslocamento pode ser 25% menor do que navios de desempenho
semelhante, e graças a um elevadíssimo
grau de automação o número de
tripulantes pode ser muito inferior. Uma A200 poderia ter130
tripulantes a menos que uma fragata da classe Brandenburg".
A MEKO A200 dispõe de um sistema de lançamento
vertical de mísseis, que tanto pode acomodar mísseis
antiaéreos como anti-submarino. Na função
antiaérea, a MEKO A200 utilizaria como sensores principais
um radar de varredura eletrônica e um radar de busca
de longo alcance. Entre os sistemas que poderiam ser integrados
estão os radares APAR e SMART-L (ambos da Signaal)
e o SPY-1F, da Lockheed Martin. A A200 é igualmente
eficaz em missões A/S, podendo aceitar sem problemas
a instalação de sonares rebocados.
A B+V oferece também no mercado o MPV (MEKO Patrol
Vessel), um Navio-Patrulha com 77 m de comprimento e 1.500
t de deslocamento, com somente um eixo e com capacidade de
atingir a velocidade de 21 nós.
Mais
encomendas
O primeiro sucesso
de exportação da A200 aconteceu quando, em 3
de dezembro de 1999, foi assinado um contrato de US$930 milhões
para o fornecimento de quatro A200SAN
para a África do Sul. A primeira e a terceira unidades
serão construídas pela B+V em Hamburgo, ficando
as outras duas a cargo da HDW, em Kiel. As entregas serão
iniciadas em 2005, após a instalação
e integração dos sistemas de combate por um
grupo misto francês e sul-africano.
Os navios deslocarão 3.590 t (carregados), terão
comprimento de 121,0 m, boca de 16,3 m, calado de 4,40 m e
sua velocidade máxima será superior a 27 nós.
O armamento constará de um canhão OTOBreda de
76mm, um reparo duplo Denel de canhões de 35mm, oito
mísseis superfície-superfície MM40 Block
2 Exocet, mísseis superfície-ar Kentron Umkhonto
de lançamento vertical; e tubos lança-torpedos.
Além disso, o navio poderá operar um helicóptero
Oryx ou dois Lynx. Os principais sensores serão um
radar de busca 3-D Thales MRR, um radar de navegação,
dois radares de direção de tiro e um sonar de
casco Thomson-Marconi.
Outro país a decidir-se pela A200 foi o Chile, cujo
programa para a obtenção de novas fragatas denomina-se
Projeto Tridente. Após examinar um total de 32 plataformas,
a Armada de Chile pré-selecionou quatro , e em 2 de
agosto de 1999 solicitou propostas de fornecimento. O resultado
do exame das mesmas, anunciado em 15 de outubro do mesmo ano,
indicou que a MEKO A200ACH,
apresentada pela B+V, era a que mais se adequava aos requisitos
chilenos. Assim, em novembro de 1999 o presidente do Chile
autorizou a adjudicação do Contrato de Engenharia
Básica.
O objetivo é a construção de quatro unidades,
a primeira das quais deveria fazer as provas operacionais
no segundo semestre de 2005, entrando em serviço no
ano seguinte. As outras se seguiriam ao ritmo de uma por ano,
estando portanto todas já em serviço em 2009.
Os navios seriam construídos localmente pelo estaleiro
ASMAR, em Talcahuano. Como já seria de esperar, a competição
é forte entre os grupos fornecedores e integradores
de sistemas. Isso ficou bem claro durante a Exponaval 2000,
realizada em Valparaíso, e durante a qual a Lockheed
Martin Canada, a Celsius Tech, a SISDEF e a Thomson-CSF Signaal
procuraram mostrar as vantagens de seus produtos e propostas.
Em janeiro de 2002, porém, as pretensões da
Armada do Chile sofreram um duro golpe, quando o presidente
Ricardo Lagos decidiu adiar o programa, por razões
orçamentárias. Agora, a Armada de Chile procura
uma solução intermediária, arrendando
ou comprando alguns navios de segunda-mão.
A Malásia também resolveu adquirir navios do
tipo MEKO A, embora o contrato ainda não tenha sido
assinado. A marinha daquele país pretende se mobiliar
com até 27 novas corvetas para patrulha oceânica,
e a classe escolhida após uma acirrada concorrência
que incluiu propostas da Austrália, Dinamarca e Reino
Unido foi a A100 RMN. A entrega da última unidade
do primeiro lote de seis navios, a serem construídos
pelo estaleiro NSDB na própria Malásia a um
custo aproximado de US$1,4 bilhão, está prevista
para 2005.
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Ao
lado As corvetas MEKO A100 RMN da Malásia
não serão inicialmente equipadas com mísseis
RAM (o lançador é mostrado em sombreado
imediatamente à frente do passadiço) e
MM40 Exocet. (Foto: B+V) |
Uma grande vitória
para a MEKO A100 aconteceu em 18 julho de 2000, quando a Marinha
Alemã selecionou a classe para servir de base ao seu
programa de corvetas K130. Esses navios, com deslocamento
de 1.580 t, têm 88m de comprimento, seriam construídos
em três lotes de cinco unidades cada, e destinam-se
a substituir as aproximadamente 30 Lanchas Rápidas
de Ataque das classes S143A", S143B e
S148". O custo da construção do primeiro
grupo de navios deve atingir US$925 milhões.
A proposta vencedora foi apresentada por um consórcio
denominado ARGE K130 (Arbeitsgemeinschaft K 130, conhecido
no estrangeiro como German Corvette Consortium), liderado
pela B+V e incluindo os estaleiros Thyssen Nordseewerke (TNSW)
e Friedrich Lürssen Werft, bem como a EADS Germany GmbH
e a Thomson-CSF Signaal, essas duas últimas empresas
como integradores de sistemas. O projeto ficou sob a responsabilidade
da B+V e da Lürssen, e o resultado é um amálgama
do conceito da A100 com os recentes projetos de corvetas elaborados
pela Lürssen. A B+V deverá construir dois navios,
a Lürssen mais dois, e a TNSW o restante. Entretanto,
é possível que a HDW, que juntamente com a STN
Atlas Elektronic compunha o consórcio competidor, receba
uma parcela do trabalho de construção das K130.
A K130 terá como missão principal a guerra de
superfície, e suas tarefas incluirão a vigilância
de águas costeiras. Entretanto, os navios terão
capacidade de operar em mar aberto, em chamadas operações
fora de área. O armamento de tubo será
composto de um canhão OTOBreda de 76mm e dois sistemas
de defesa de ponto Mauser Marineleichgeschütz de 27mm
(MLG 27). A bordo haverá ainda oito mísseis
antinavio, dois reparos para lançamento de mísseis
antiaéreos RAM Block 1A (cada um para 21 mísseis)
e um sistema de lançamento vertical para oito mísseis
LFK-Polyphem, guiados por fibra ótica. Na popa haverá
um convés de vôo, para a operação
de um helicóptero de 10 t (NH90 ou similar) e dois
Veículos Aéreos Não Tripulados para vigilância
aérea e guiamento intermediário dos mísseis
superfície-superfície. Refletindo sua versatilidade,
as corvetas possuirão sonar de casco e sonar rebocado,
e para 2007-2008 está prevista a instalação
de um sistema anti-torpédico do tipo hard kill,
atualmente em desenvolvimento.
A furtividade é uma característica importante
da K130, e entre as medidas adotadas está o uso de
cortinas rígidas, feitas em aço, para esconder
os botes infláveis e os lançadores de mísseis
localizados a meia-nau. A última corveta do lote inicial
de cinco unidades deverá ser entregue em 2008, e o
programa deverá estar concluído em 2015.
Outro cliente é a Polônia, que pretende adquirir
até sete corvetas a que denominou Projeto 621
(Gawron-II), tendo como base uma variante da A100
com deslocamento de 2.035 t, com as entregas iniciando-se
em 2003. As quilhas das duas primeiras unidade foram batidas
em 28 de novembro de 2000 no estaleiro polonês SMW (que
atuará como contratante principal, enquanto o German
Corvette Consortium funcionará como subcontratado).
Em relação à K130, os navios poloneses
têm algumas diferenças importantes. O armamento
constará de um canhão de 76mm (provavelmente
da OTOBreda), oito mísseis mar-mar (possivelmente o
Saab Bofors Dynamics RBS-15 Mk.3), oito mísseis superfície-ar
(o principal candidato é o Evolved Sea Sparrow), dois
reparos triplos de tubos lança-torpedos de 324mm (o
torpedo será o MU90/Impact), um sistema de defesa de
ponto (provavelmente o RIM-116A Sea RAM) e duas plataformas
de sistemas anti-submarino (sendo que o Saab Bofors ASW601
é o principal competidor). Ainda não foram definidos
os sistemas nem o tipo de helicóptero a ser adotado.
Acima
Os perfil da MEKO 200PN (Marinha Portuguesa, acima) e da 200HN
(Marinha da Grécia, abaixo) demonstram a facilidade
com que a filosofia MEKO permite a adoção de
diferentes configurações de armamento e sensores.
(Foto: B&V)
Futuro
Existem outras
possibilidades de comercialização de navios
do tipo MEKO, além das já mencionadas acima.
Na Turquia, a B+V tenta conseguir com que a marinha local
reduza o programa de aquisição de fragatas MilGem
de doze para oito, o que liberaria recursos para a compra
de quatro corvetas MEKO. Além disso, o programa turco
TF2000, que visa a obtenção de fragatas antiaéreas,
poderia ser atendido pela A200.
A Austrália também pretende adquirir fragatas
antiaéreas, e um dos candidatos seria a classe Sachsen
alemã. Além disso, a U.S. Coast Guard
está examinando a adoção do conceito
MEKO para os navios que substituirão os cutters atualmente
em uso, segundo o Programa Deepwater.
Não é à toa que a B+V está otimista.
Numa época em que os orçamentos de defesa estão
encolhidos, ter tantas frentes comerciais abertas é
uma garantia de futuros negócios, e poucos estaleiros
em todo o mundo podem gabar-se de desfrutar de tal situação.
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