Acima
Os dois NPaFlu Classe “Pedro Teixeira” (na foto,
o próprio Pedro Teixeira) são os principais
meios flutuantes com que conta a Marinha para a patrulha
dos rios da Amazônia, além dos três navios
menores, da Classe “Roraima”. A MB, entretanto,
planeja uma classe de novos NPaFlu, de pequeno calado e
menor deslocamento ainda, mas que serão construídos
em maior número.
A defesa da Amazônia
brasileira tem sido, ao longo dos tempos, uma preocupação
constante. Em 1728, ainda sob controle da Coroa Portuguesa,
foi criada a Divisão Naval do Norte, com sede em
Belém. Já como parte de uma nação
independente, a Marinha do Brasil aprofundou-se cada vez
mais no vasto território amazônico, usando
seus caminhos naturais: os rios.
• Alexandre
Fontoura *
Para garantir uma
presença naval militar brasileira na região
a Marinha do Brasil criou, em 1868, a Flotilha do Amazonas
(FlotAm), com sede em Manaus, para substituir a antiga Divisão
Naval do Norte. O aumento do tráfego fluvial fez
com que a Marinha estabelecesse, em 1875, a Capitania Fluvial
da Amazônia Ocidental.
Embora nunca tivesse deixado de manter sua presença
na Amazônia, a Marinha sabia que a região merecia
ainda mais atenção. Assim, em 1968, foi estabelecido
o Comando Naval de Manaus. Em 1974, entretanto, esse Comando
foi desativado e, um ano depois, foi criado o Grupamento
Naval do Norte, sediado em Belém, no Estado do Pará.
Entre 1985 e o início dos anos 90, as Forças
Armadas Brasileiras começaram a reavaliar seu papel
na Defesa Nacional. Embora de maneira geral a sociedade
civil não desse demonstração de se
preocupar com a assunto, os militares detectaram a existência
de uma campanha pela “internacionalização
da Amazônia”. Entre os movimentos percebidos
estavam a divulgação de certas teses encampadas
por entidades internacionais e por importantes líderes
mundiais, notadamente de países do chamado G-7, o
grupo que engloba os sete países mais ricos do mundo.
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Ao
lado Contra-Almirante Gallo (Esq.) e Vice-Almirante
Barbosa (Dir.): trabalho sem solução de
continuidade em prol de uma maior presença da
Marinha na Amazônia |
Foi
assim que surgiram projetos como o Calha Norte e outros,
com o objetivo de aumentar a presença do Estado na
Região Norte do País, possuidora de uma das
maiores taxas de “vazio demográfico”
do planeta. Parelelamente, os esforços para uma maior
integração econômica com países
do Cone Sul resultaram na diminuição das desconfianças
até então existentes e no conseqüente
enxugamento da estrutura militar no Sul do país.
Com isso, as Forças Armadas puderam voltar seus olhos
mais diretamente para a Amazônia, sendo iniciado um
processo para aumentar a presença militar brasileira
na área. Esse processo envolveu a transferência
para lá de várias unidades anteriormente sediadas
no Sul do país.
A tarefa de manter uma presença constante nos rios
da Bacia Amazônica é complexa. Afinal, são
mais de 20 mil quilômetros de rios navegáveis,
o que representa meia volta ao mundo, ou mais de duas vezes
a extensão do litoral brasileiro. Mesmo assim, a
Marinha aceitou o desafio e, em 1994, criou o Comando Naval
da Amazônia Ocidental (CNAO).
Além de enfrentar o problema do patrulhamento de
área tão grande, a Marinha vem lutando contra
seu maior inimigo – a constante falta de recursos.
A intenção é aumentar sua presença
na região, reafirmando a soberania brasileira e levando
em seus navios, conhecidos pelas comunidades ribeirinhas
como “os navios da esperança”, um pouco
de solidariedade e a certeza de que, embora geograficamente
isolados, ainda fazem parte de um país chamado Brasil.
Marcando
presença
A Marinha do Brasil sempre foi reconhecida pela eficiência
de seu planejamento, mesmo – ou até principalmente
– em ações que envolvem longos prazos.
Assim, a pequena estrutura existente no início foi
ampliada ao longo dos anos. Com a continuidade de esforços
garantida por sucessivos comandos, que não permitiram
que o que fora conseguido com esforço e dedicação
se perdesse, a Marinha vem tornando sua presença
na Amazônia Ocidental cada vez mais conspícua.
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Ao
lado A MB contará para emprego na Amazônia,
em breve, com um Batalhão de Fuzileiros especialziados
em operações ribeirinhas, além
de um Centro de Adestramento. |
Desde
sua implantação, o CNAO ocupa um prédio
construído no terreno do Grupamento de Fuzileiros
Navais de Manaus; foi criado um Destacamento Aéreo
(DAEFlotAM) para apoiar os navios da FlotAm com helicópteros,
e estabelecida uma estrutura mínima para apoio e
reparo aos seus meios flutuantes. Como exemplo do contínuo
esforço para aumentar a presença na Amazônia,
podemos citar o fato de que, hoje, o CNAO está em
processo de transferência para uma sede própria,
o Grupamento de Fuzileiros Navais de Manaus está
sendo transformado em Batalhão de Operações
Ribeirinhas, está sendo criado o Centro de Adestramento
de Operações Ribeirinhas (CADOR), o DAEFlotAM
foi transformado no 3º Esquadrão de Helicópteros
de Emprego Geral (HU-3) e estuda-se dotá-lo (ou criar
uma nova unidade) com helicópteros de maior porte,
como os Super Puma/Cougar. Isso, é claro, além
da construção e aquisição de
mais meios flutuantes, incluindo uma nova classe de Navios-Patrulha
Fluviais (NPaFlu) de menor porte e menor calado do que o
dos atuais navios classe “Roraima”, e um Navio
de Transporte de Tropas Fluvial, que seria obtido com a
conversão de uma casco de embarcação
regional projetado para o transporte de passageiros. O objetivo
dessa matéria é, justamente, dar uma idéia
do que já foi feito desde a implantação
do CNAO e o que será feito nos próximos anos.
Continuidade
No dia 10 de fevereiro de 2002 tivemos a oportunidade única
de conversar, simultaneamente, com o então Comandante
Naval da Amazônia Ocidental, Vice-Almirante Murillo
de Moraes Rego Corrêa Barbosa, e com seu sucessor,
o Contra-Almirante Francisco Luiz Gallo, que recebeu o Comando
do Almirante Barbosa no dia seguinte à nossa entrevista.
Ao
lado A MB opera o NAsH Dr. Montenegro desde
o ano 2000, por meio de um convênio com o Governo
do Estado do Acre. |
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Perguntado
sobre os fatos e realizações que destacaria
durante os dois anos em que esteve à frente do CNAO,
o Vice-Almirante Barbosa relacionou os preparativos para
a transferência da sede do Comando e da Capitania
Fluvial da Amazônia Ocidental para a Ilha de São
Vicente, em frente ao centro de Manaus, deixando a sede
atual (dentro das dependências do Quartel do Grupamento
de Fuzileiros Navais de Manaus), bem como a execução
das primeiras fases visando a transformação
do próprio Grupamento em Batalhão de Operações
Ribeirinhas. “Conseguimos, além disso, aumentar
nossa capacidade de apoio logístico, com a transferência
do Dique Flutuante Almirante Jerônimo Gonçalves
para a Estação Naval do Rio Negro, e estamos
iniciando a construção de um cais fixo e de
novas oficinas na ENRN, incluindo eletrônica, refrigeração,
eletricidade e motores. Isso proporcionará autonomia
e auto-suficiência em reparos aos meios navais e embarcações
miúdas da região e grande economia de tempo
e de recursos, pois não precisaremos mais recorrer
às instalações da Base de Val-de-Cães,
em Belém, que está a 900 milhas de Manaus”,
explicou o VA Barbosa.
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Ao
lado A transferência, para a Estação
Naval do Rio Negro, do Dique Flutuante Alte. Jerônimo
Gonçalves deu grande autonomia ao CNAO no apoio
e reparo dos navios da FlotAM. |
A
chegada do Dique Flutuante não poderia ser mais oportuna,
pois menos de uma semana após sua chegada o Navio
de Assistência Hospitalar Carlos Chagas sofreu danos
em suas obras vivas e foi docado e reparado na própria
ENRN, evitando que precisasse ser rebocado até Belém
para os reparos.
O Contra-Almirante Gallo declarou estar muito feliz com
sua nova atribuição e entusiasmado ao tomar
conhecimento do trabalho e das realizações
das OM da Marinha na região. “Agora, meu trabalho
será o de dar continuidade ao que já foi conseguido
até o momento por meus antecessores, e lutar para
que os recursos necessários à implementação
do que falta ser realizado sejam garantidos”, destacou.
Mudança
de sede e mais fuzileiros
Embora pareça uma medida de efeito apenas administrativo,
um dos mais importantes projetos da Administração
Naval na área é a mudança da sede do
Comando Naval da Amazônia Ocidental, de suas instalações
atuais, “emprestadas” pelo Grupamento de Fuzileiros
Navais de Manaus, para a Ilha de São Vicente. Lá
será restaurado um prédio histórico
e serão construídos outros, visando dar melhores
condições de abrigo ao CNAO e à Capitania
Fluvial da Amazônia Ocidental, que também deixará
sua atual sede, num prédio no Centro de Manaus, próximo
ao Porto da cidade.
Ao
lado A LAR (Lancha de Ação
Rápida) foi comprovada como o melhor meio para
a transferência de tropas dos navios da FlotAm
para as margens dos rios. |
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A
transferência é importante porque liberará
espaço, na área ocupada pelo Grupamento de
Fuzileiros Navais de Manaus, para a transformação
deste em Batalhão de Operações Ribeirinhas
(BtlOpRib). Na verdade, as obras já se encontram
em andamento e as primeiras fases do programa já
foram concluídas, com o acréscimo ao Grupamento
de mais uma Companhia de Fuzileiros e uma de Serviços.
Todo o processo deverá levar três anos e, ao
final, o chamado Batalhão de Operações
Ribeirinhas de Manaus deverá contar com cerca de
900 homens e com o apoio de um Centro de Adestramento de
Operações Ribeirinhas, também em implantação,
para o aperfeiçoamento da doutrina operacional e
do treinamento em operações ribeirinhas.
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Ao
lado O futuro Batalhão de Operações
Ribeirinhas deverá contar com 900 homens. |
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Como
se vê, o efetivo do novo Batalhão é
ligeiramente inferior ao de um Batalhão de Infantaria
de Fuzileiros Navais tradicional. Isso ocorre porque a estrutura
do BtlOpRib é simplificada, com alguns componentes
acumulando funções de apoio ao combate. No
CFN, um Grupo de Combate (GC) tradicional é composto
por 13 militares, sendo um 3º sargento, três cabos
e nove soldados. Um Pelotão FN de Infantaria tradicional
é composto por três GC, acrescidos por um tenente
(comandante do pelotão), um 2º sargento, um mensageiro,
um rádio-operador e um enfermeiro, totalizando cerca
de 45 militares. Nas Operações Ribeirinhas
e em outras, quando se faz necessário, a composição
dos GC e, conseqüentemente, dos PelFN é simplificada,
acumulando-se em alguns militares as funções
ditas de apoio ao combate, como o rádio-operador
por exemplo, e de comando, incluindo-se na própria
Esquadra de Tiro o seu comandante. Assim, o efetivo do PelFNOpRib
diminui para cerca de 30 militares.
Ainda no que concerne aos Fuzileiros Navais sediados na
Amazônia, a Marinha iniciou, em 2001, a substituição
de seus armamentos individuais, o fuzil de assalto FAL e
a metralhadora MAG, ambos de calibre 7,62 mm, pelos novo
fuzil M16A2 e pela metralhadora MINIMI, de calibre 5,56
mm.
Na “Cabeça
do Cachorro”
Além do reforço em pessoal e em meios navais
e de apoio em Manaus, a Marinha vem aumentando sua presença
em Tabatinga (AM), na fronteira com Peru e Colômbia,
região conhecida como “Cabeça do Cachorro”
(devido ao seu formato, no mapa do Brasil), onde será
construído um aquartelamento para um Pelotão
Fuzileiros Navais. Planeja-se também a construção
de uma Estação Naval na cidade, em terreno
contíguo ao da sede da Delegacia da Capitania Fluvial
da Amazônia Ocidental em Tabatinga, que deverá
ser elevada à condição de Capitania
de Segunda Classe. Atualmente, há sempre um Navio
Patrulha Fluvial em Tabatinga, operando em sistema de rodízio.
A cada mês, um NPaFlu é enviado a Tabatinga,
“rendendo” o NPaFlu anterior, que retorna a
Manaus.
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Ao
lado O P-21 Raposo Tavares atracado em Tefé,
Amazonas, próximo às fronteiras com Peru
e Colômbia. É constante a presença
de um navio da FlotAM na cidade, bem como em Tabatinga,
também no Amazonas. |
Com
essa constante presença de navios na cidade, a Marinha
sentiu a necessidade de maior apoio logístico no
local. Assim, com a chegada do Dique Flutuante Almirante
Jerônimo Gonçalves, a Balsa-Oficina que até
então prestava apoio aos navios da FlotAm, atracada
ao Pier da ENRN, foi transferida para Tabatinga. Simultaneamente,
a MB celebrou convênio com a BR Distribuidora para
a construção naquela cidade de tanques para
óleo diesel e querosene de aviação,
e para a manutenção de dois pontos de reabastecimento,
em Tefé e em Santo Antônio do Içá,
ambos no Amazonas. Além disso, foram construídos
vários depósitos e tanques de óleo
diesel e querosene de aviação em várias
localidades estratégicas ao longo das calhas dos
principais rios, sob guarda das prefeituras dessas localidades,
também por meio de convênios com as mesmas.
A Marinha também construiu, com recursos do Programa
Calha Norte, a primeira de uma série de balsas para
armazenamento e transporte de combustível, com capacidade
para 200 mil litros de diesel, que podem ser rebocadas e
fundeadas em locais estratégicos.
Meios
flutuantes
O CNAO vem obtendo importantes vitórias também
no que se refere à obtenção de novos
meios flutuantes para a FlotAM e para a modernização
dos já existentes. Assim, foi realizada a remotorização
dos NAsH Carlos Chagas e Oswaldo Cruz. Os navios foram reequipados,
na Base de Val-de-Cães, em Belém, com novos
e potentes motores navais Volvo-Penta, em substituição
os antigos e menos potentes motores diesel Scania, de caminhão.
Também foi obtido, no ano 2000, por meio de convênio
com o Governo do Estado do Acre, um terceiro Navio de Assistência
Hospitalar, o NAsH Dr. Montenegro. Inicialmente foram enfrentados
alguns percalços, em virtude de problemas de projeto,
como lemes que deixavam o navio com mais calado do que o
necessário. A Marinha realizou diversas modificações
na embarcação, de modo a melhor adequá-la
à navegação nos rios da região
e à sua missão.
No que se refere aos Navios-Patrulha Fluviais (NPaFlu),
a Diretoria de Engenharia Naval (DEN) realizou licitação
– também ganha pela Volvo-Penta – para
a remotorização dos navios da classe “Roraima”.
Como o prazo para a entrega dos motores é de cerca
de 150 dias, é provável que o Rondônia
seja o primeiro NPaFlu a ser remotorizado, pois haverá
coincidência com a data prevista para seu Período
de Manutenção Geral (PMG). Assim, a FlotAm
deverá entrar 2003 com um dos NPaFlu classe “Roraima”
já remotorizado; os trabalhos nos outros dois sendo
concluídos até 2005.
Ao
lado Os NPaFlu Classe "Roraima"
estão sendo remotorizados. Os dois NAsH já
passaram pelo mesmo processo e, depois, será
a vez dos dois NPaFlu Classe "Pedro Teixeira". |
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No
momento, a DEN realiza um estudo de configuração,
com prazo de conclusão de seis meses, para a remotorização
dos dois navios maiores, os NPaFlu Pedro Teixeira e Raposo
Tavares. A questão a definir é: deve-se manter
a configuração atual, com quatro motores diesel,
ou substituí-los por apenas dois motores de maior
potência? Paralelamente, o CNAO encaminhou à
DEN os requisitos para o desenvolvimento de uma nova classe
de NPaFlu, de menor porte e calado do que o dos atuais navios
da classe “Roraima”, mas que seriam construídos
em maior número. Esses navios — embora isso
ainda não seja uma questão fechada —
deverão ser armados com, pelo menos, um canhão
Oerlikon de 20 mm (metralhadora, na terminologia adotada
na MB), metralhadoras de 12,7 mm ou 7,62 mm, e um morteiro
de 81 mm. Serão dotados de uma Lancha de Ação
Rápida (LAR), idêntica às que já
equipam os demais NPaFlu, com capacidade de transportar
13 fuzileiros navais armados, um artilheiro para a metralhadora
7,62 mm montada em um reparo na proa e mais o piloto.
A LAR demonstrou ser o tipo de embarcação
mais adequado para a missão de transferir grupos
de Fuzileiros dos navios para as margens dos rios. “Hovercrafts”
e mesmo botes de borracha mostraram-se totalmente inadequados
para a operação nos rios da Amazônia,
em função do grande número de troncos
de madeira flutuando ou submersos, capazes de literalmente
despedaçá-los.
Desde sua origem em 1997, as LAR receberam diversas denominações
dentro da mesma sigla, podendo-se citar Lancha de Ação
Ribeirinha, Lancha Armada Rápida, Lancha Armada Ribeirinha,
Lancha Artilhada Rápida, etc. A denominação
hoje em uso corrente é Lancha de Ação
Rápida, e a obtenção de um maior número
delas, além daquelas orgânicas dos navios da
FlotAm, também está entre as prioridades do
CNAO. Já foram conseguidas quatro – duas construídas
na Base de Val-de-Cães – e planeja-se a obtenção
de outras. Elas serão ainda mais necessárias
como meio de projeção de poder para terra,
após a obtenção do mais novo meio flutuante
para a FlotAM: um Navio Transporte de Tropas Fluvial, que
também vem sendo denominado pela MB como Navio de
Desembarque Fluvial.
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Ao
lado A Marinha estuda a aquisição
de um Navio de Transporte de Tropas para uso na Amazônia.
Um casco de navio regional, cuja construção
foi interrompida, é uma das opções
em avaliação. |
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Entre
as possibilidades em estudo encontra-se a aquisição,
modificação e incorporação de
um casco de grande navio regional, em construção
pelo Estaleiro Rio Negro (ERIN). Este navio teve sua encomenda
cancelada pela empresa contratante do serviço, e
desde então o CNAO planeja sua aquisição,
esperando conseguir os recursos necessários à
sua compra e à conversão de seu projeto ao
transporte de tropas. Originalmente, o navio teria a capacidade
de transportar cerca de 400 passageiros, mas obviamente
esta capacidade será reduzida no caso de tropas,
em função do conforto e dos equipamentos a
serem transportados. Estima-se uma capacidade de transportar
250 fuzileiros navais.
O transporte de tropas neste tipo de embarcação
foi testado e aprovado na última Operação
RIBEIREX, entre os dias 15 e 31 de outubro de 2001, com
a participação de uma embarcação
civil, de nome Manoel Monteiro, quando foram transportados
cerca de 200 militares do CFN e do Exército Brasileiro.
Helicópteros
e Capitania
Duas outras áreas merecem também atenção
por parte do CNAO. A primeira delas é a dotação
de helicópteros à disposição
da FlotAM. Criado a partir do Destacamento Aéreo
da FlotAM (DAEFlotAM), o 3º Esquadrão de Helicópteros
de Emprego Geral (HU-3), equipado com aeronaves UH-12 Esquilo,
precisará de um “reforço” na tarefa
de apoio ao futuro Batalhão de Operações
Ribeirinhas do CFN. Estuda-se, para tanto, a aquisição
de pelo menos quatro helicópteros de médio
porte, que provavelmente deverão ser do tipo SuperPuma/Cougar,
uma vez que esse tipo de aeronave já é empregado
pela Força Aeronaval. O que ainda não se sabe
é se esses helicópteros seriam alocados também
ao HU-3, ou se seria criada uma nova unidade. A necessidade
deste tipo de aeronave, entretanto, é indiscutível.
A outra área que vem recebendo a devida atenção
do CNAO é a dotação da Capitania Fluvial
da Amazônia Ocidental com os meios necessários
à realização da dificílima tarefa
de cuidar da segurança da navegação
aquaviária. Na região existem milhares de
embarcações de pequeno e médio portes,
transportando dezenas ou centenas de passageiros, muitas
vezes além da capacidade de lotação
desses barcos. Isso sem contar o incessante trabalho para
a conscientização de tripulantes e passageiros
para a correta navegação e implementação
das medidas de segurança para a salvaguarda da vida
humana.
Abaixo
Além de sua missão militar, a Marinha
do Brasil executa um importante trabalho social nos
rios da Amazônia, como a assistência médica
às populações
ribeirinhas. |
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Pode-se
aquilatar a dificuldade desse trabalho durante os dias que
antecedem a realização do tradicional Festival
Folclórico de Parintins, no Amazonas. Durante um
só dia, entre 600 e 800 embarcações
de passageiros de todos os portes e tipos deixam Manaus,
rio abaixo, rumo à cidade de Parintins, na ilha Tupinambarana,
próximo à fronteira com o Pará. A volta
é outro problema, desta vez em Parintins, com os
mesmos barcos deixando o porto da pequena cidade, de volta
a Manaus. Devido ao trabalho consciente e ao profissionalismo
dos homens da Capitania e da Marinha, até hoje não
foi registrado nenhum acidente ou incidente grave durante
esse evento.
A Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental conta, hoje,
com Delegacias em Porto Velho (RO) e Tabatinga (AM) e com
Agências em Boca do Acre, Eirunepé, Tefé,
Itacoatiara e Parintins, no Amazonas, e em Guajará-Mirim,
no Acre. A Delegacia de Tabatinga será elevada à
condição de Capitania de Segunda Classe, e
novas lanchas de fiscalização e agências
flutuantes deverão ser adquiridas.
Trabalho
incessante
Manter uma presença naval importante e, mais do que
isso, garantir e reafirmar a soberania nacional numa área
tão vasta como a Amazônia Ocidental não
é um trabalho fácil e nem para uma só
geração. Mas a Marinha do Brasil, com a dedicação
de seus efetivos, vêm demonstrando que isso é
possível, apesar da crônica falta de recursos.
Com determinação, criatividade, bom senso,
e um correto planejamento a longo prazo, a Marinha consegue,
além de cumprir sua missão militar, levar
solidariedade, esperança e o sentimento de brasilidade,
a populações em áreas longínquas
que, via de regra, são praticamente desconhecidas
e esquecidas pelo resto do país. Mas não,
felizmente, pelos comandantes do CNAO e das OM a eles subordinadas,
nem pelos homens e mulheres que guarnecem e formam a “alma”
dos “Navios da Esperança”.
Nota:
O autor deseja agradecer a cavalheiresca acolhida e o apoio
que recebeu do Vice-Almirante Murillo de Moraes Rego Corrêa
Barbosa, do Contra-Almirante Francisco Luiz Gallo e do Capitão-de-Mar-e-Guerra
Carlos Gomes para a realização desta matéria.
Nossos votos de pleno sucesso em suas novas atribuições.
* Colaborou Vagner Oliveira.