22Agosto2017

 

 

 

 

Segurança & Defesa

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El Dorado Canyon

Com o subtítulo “Reagan’s Undeclared War with Qadafi”, esse livro de 360 páginas, com três mapas e 30 fotos, tem como autor Joseph T. Stank. Trata-se de mais uma publicação da Naval Institute Press, disponível diretamente do Customer Service, USNI Operations Center, tel (1) (410) 224-3378, com maiores informações podendo ser obtidas no site www.navalinstitute.org.

Logicamente, a obra é voltada à Operação El Dorado Canyon, mandada executar pelo então presidente Ronald Reagan, e que constou de ataques aéreos de aviões da USAF e da USN as alvos líbios em 1986, como represália a ataques terroristas a cidadãos americanos — a semelhança é bastante forte, portanto, com as operações no Afeganistão quinze anos depois. Apenas uma pequena parte da obra cuida do ataque propriamente dito; a maior parte do texto cobre o lado político, as reuniões e decisões tomadas a portas fechadas pelos altos escalões do governo norte-americano. É, no mínimo, reveladora a descrição do modo através do qual se decidiu que a Líbia seria o país a ser atacado, e não a Síria, por exemplo. De qualquer forma, o autor descreve a escalada militar, que passou por exercícios navais americanos em águas consideradas territoriais pela Líbia, e mais particularmente pelo incidente no Golfo de Sidra, quando dois Su-22 foram derrubados por dois F-14. A força de ataque americana durante a “El Dorado Canyon” constou de 18 F-111F da USAF e doze A-6E Intruder da USN (originalmente quinze, mas um abortou a decolagem a partir do USS America, enquanto outros dois, do USS Coral Sea, tiveram que retornar a meio-caminho). Os F-111F decolarem de Lakenheath (Reino Unido) e seguiram uma extensa rota, já que não podiam sobrevoar a Espanha ou a França; levavam ao todo 72 bombas de 500 libras e 48 de 2.000 libras. Aproximadamente um terço das bombas nem foi lançado: seis aviões tiveram que abortar a missão, e outro foi perdido antes que pudesse lançar o armamento. Dos onze aviões que lançaram as bombas, apenas quatro conseguiram fazê-lo no alvo ou próximo a ele. A Marinha foi mais feliz: cinco dos seis A-6E que atacaram Benina lançaram 60 bombas Mk.82 de 500 libras, enquanto o restante lançou doze Mk.20 de 500 libras. Os outros seis A-6E lançaram 72 bombas Mk.82 de 500 libras contra Benghazi, conseguindo setenta acertos. Militarmente, portanto, o sucesso foi discutível. Quanto às implicações políticas, recomendamos a leitura.