26Março2017

   
    

Segurança & Defesa

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Heyl Ha’Avir: as asas de David

A Força Aérea de Israel, embora importantíssima, é relativamente pouco coberta em detalhe na mídia internacional. O artigo que se segue visa preencher parcialmente essa lacuna.


Acima Um F-4E Phantom II modernizado, conhecido localmente como Kurnass (Marreta) 2000 decola. Suspeita-se que essas aeronaves possuem a capacidade de ataque com armas nucleares (Foto: Ofer Zidon)  

• René J. Francillon 

O planejamento para estabelecer um braço aéreo (denominado Shin Alaph ou Sherut Avir) do Haganah foi iniciado antes que a Grã-Bretanha anunciasse que iria abandonar o antigo mandato da Liga das Nações para administração da Palestina, e as operações se iniciaram antes mesmo da proclamação do Estado de Israel, em 14 de maio de 1948. As duas primeiras vitórias em combate aéreo foram obtidas em 3 de junho de 1948, com mais 26 sendo conseguidas antes da assinatura do armistício de Rodes, em 25 de fevereiro de 1949. Desde então, a IDF/AF (Israel Defense Forces/Air Force) raramente teve períodos contínuos de paz mais longos do que alguns meses, e atualmente é considerada uma das forças aéreas mais bem treinadas do mundo.

Ao lado No início de sua história, a Força Aérea Israelense utilizou todo e qualquer tipo de aeronave que estivesse ao seu alcance. As procedências eram variadas e exemplos típicos dessa fase eram os caças Avia S199 (versão remotorizada e de menor desempenho do famoso caça alemão Bf109, fabricados na então Tchecoeslováquia) e o caça britânico Spitfire. Fotos: IDF/AF      

Em termos de equipamento, a história da IDF/AF — ou Tavah Haganah le Israel/Heyl Ha’Avir) pode talvez ser melhor descrita como tendo evoluído dos trapos para a riqueza. Na sua estréia, ao final da década de 40, a força foi obrigada a utilizar uma coletânea variada de aeronaves com valor tático limitado. Seus caças de primeira linha eram Avia S.199 (versões remotorizadas do famoso Bf109G, recém-construídas na então Tchecoeslováquia, menos capazes do que as versões alemães originais) e Spitfires de segunda mão, de várias origens.

Atualmente, a Heyl Ha’Avir é uma das forças aéreas melhor equipadas em todo o mundo, e suas tripulações têm mais experiência e voam mais horas do que grande parte de suas congêneres. Por outro lado, a despeito da generosidade americana, os recursos financeiros continuam sendo um problema para a IDF/AF. Entre 1949 e 1987 a ajuda dos EUA totalizou cerca de US$134,9 bilhões, incluindo juros mas excluindo a correção inflacionária (ou seja, uma média de US$24.000 dólares por cada cidadão israelense). Essa ajuda continua atualmente ao nível de US$5 bilhões anuais, tendo atingido US$6,194 bilhões em 1997. Ainda assim, por exemplo, a substituição dos treinadores primários Cheevayee (Piper Super Cub) e básicos Tsukit (Fouga Magister modernizados) já foi adiada várias vezes.

Operacionalmente, a jovem arma aérea de Israel fez o melhor possível com seus meios limitados durante a Guerra de Independência, em 1948-1949. Aproximadamente sete anos depois, quando já dispunha de um número limitado de caças a jato, a IDF/AF beneficiou-se de assistência direta da França e indireta da Grã-Bretanha, cobrindo as forças terrestres que se deslocavam através do Deserto do Sinai para chegar ao Canal de Suez. Em 1967, melhor equipada, a Heyl Ha’Avir estabeleceu superioridade aérea total sobre as forças aéreas árabes durante as primeiras horas da Guerra dos Seis Dias. Seus sucessos durante esse conflito, entretanto, foram manchados pelos ataques contra o navio americano USS Liberty.

Ao lado Hoje, a IAF é uma das forças aéreas mais operacionais e dotadas de melhor equipamento no mundo. Seus pilotos estão entre os mais bem-treinados e respeitados do planeta.

Durante a Guerra de Atrito, a IDF/AF, apesar de superada numericamente, conteve seus inimigos — equipados com aeronaves russas —, mas sofreu críticas por ter derrubado um Boeing 727-224 líbio em 2 de fevereiro de 1973, causando a morte de 108 civis. O avião, que havia se desviado da rota e penetrado levemente no espaço aéreo do Deserto do Sinai — então ocupado por Israel — foi abatido por F-4Es próximo à extremidade setentrional dos Great Bitter Lakes. No outono do mesmo ano, pega de surpresa no início do Yom Kippur, a IDF/AF combateu tenazmente em situação altamente desfavorável. No final, Israel foi salvo da derrota pelo fornecimento, pelos Estados Unidos, de aeronaves, munições e equipamentos eletrônicos.

Entre 1982 e 2000, a Heyl Ha’Avir se distinguiu em várias ocasiões. Em 7 de junho de 1981 demoliu o reator nuclear de Osirak, no Iraque. Em junho de 1982, superou a Força Aérea Síria sobre o Vale do Beeka, no Líbano, e em outubro de 1985 atacou o quartel-general da Organização da Libertação da Palestina (OLP) na Tunísia.

Hoje, a IDF/AF usa seus helicópteros de ataque para se contrapor às operações da Intifada, executadas por palestinos armados com pedras e armas leves. Para o bem dos israelenses, palestinos e outros habitantes do Oriente Médio, esperamos que os próximos 50 anos de existência da IDF/AF sejam mais pacíficos.

Visão Geral
Há quinze anos, conseguir fotos de aeronaves israelenses ostentando emblemas das unidades a que pertenciam era algo impensável. Emblemas e matrículas eram eliminados pelos censores militares em todas as fotos fornecidas àqueles suficientemente persistentes para enviar repetidas solicitações de material ilustrativo. O nome das aeronaves e suas designações numéricas eram segredos bem guardados, embora os analistas militares árabes provavelmente dispusessem de informações bem detalhadas, por terem acesso a fotos feitas por satélites russos e dados obtidos em operações de COMINT (Communications Intelligence, ou seja, Inteligência de Comunicações).

Ao lado Por estar literalmente cercado de países inimigos, com bases aéreas a poucas centenas de quilômetros (algumas a dezenas), Israel necessita estar preparado para uma reação rápida de sua Força Aérea. Na foto, um caça F-15 Eagle, conhecido localmente como Baz (Falcão) em sua versão A/B e como Akef (Búteo) nas versões C/D, realiza uma decolagem usando pós-combustão plena. Os novos F-15I, derivados da versão “E” da USAF, são conhecidos em Israel como Ra’am.

Atualmente, aeronaves ostentando marcas de esquadrões são mostradas ao público durante shows aéreos em Israel, enquanto outras encontram-se em exposição no museu situado na Base Aérea de Hatserim. Cruzando essas informações com dados publicados por fabricantes de aeronaves e equipamentos, é possível montar uma Ordem de Batalha razoavelmente detalhada da IDF/AF.

Tanto quanto se sabe, a Heyl Ha’Avir possui atualmente 17 esquadrões de primeira linha e mais 12 de reserva equipados com jatos de combate. Onze esquadrões utilizam aeronaves de transporte, reabastecimento, ligação e de guerra eletrônica. Dois esquadrões, um com aeronaves de asa fixa e outro com helicópteros, executam a tarefa de apoio marítimo, enquanto nove outros esquadrões utilizam uma variedade de tipos de helicópteros, principalmente em apoio a forças terrestre. Existem também cinco esquadrões de treinamento. 

À direita O General Dynamics/Lockheed Martin F-16 Fighting Falcon é hoje o caça adquirido em maior quantidade pela Heyl Ha’Avir. A aeronave recebe diversas denominações localmente, dependendo da versão. O F-16A/B é chamado de Netz (Gavião), o F-16C é conhecido como Barak (Relâmpago), enquanto os F-16D, equipados para guerra eletrônica, recebem denominação diferente, sendo conhecidos como Brakeet (Raio).

As unidades de asa fixa são normalmente alocadas a dez bases aéreas, mas, durante períodos de grande ameaça, são também desdobradas para uma base-satélite, duas estradas utilizadas como pistas e aeroportos civis. Logicamente, os helicópteros, quando não estão operando a partir de suas bases normais, estão mais dispersos ainda. Em cada base permanente (Bacha) cada ala (Karnaf) é composta de quatro a oito esquadrões (Tayeset).

Antes de detalhar os principais elementos de combate da Heyl Ha’Avir, deve se fazer menção ao esquadrão de ensaios e avaliação de aeronaves (Tayeset 601, equipado com uma variedade de tipos), ao esquadrão de ensaio e avaliação de mísseis (Tayeset 151) e aos outros dez esquadrões não equipados com aeronaves: Tayesets 146, 155 e 120 (drones e VANTs); Tayesets 136, 138, 139 e 150 (mísseis superfície-ar), e mais três esquadrões de mísseis balísticos.  

A força de combate
Com exceção de quatro esquadrões da reserva (Tayesets 132, 143, 149 e 251), que utilizam o Kfir C7, todos os esquadrões de jatos de combate estão atualmente equipados com aeronaves de procedência americana.

Desenvolvido a partir do Dassault Mirage, para o qual Israel havia obtido uma licença para produção em 27 de abril de 1962, o Kfir é impulsionado por um motor americano J79. Embora o empuxo estático seja superior em 37% ao do Atar 101 que era utilizado pelo Mirage IIICJ (Shahak, ou Céu em hebraico), o modelo inicial do Kfir, o C1, não era satisfatório. O empuxo adicional não compensava o arrasto extra resultante do aumento do tamanho da parte traseira da fuselagem, enquanto a posição do centro de gravidade do avião ficou muito para trás. A adição de nose strakes e superfícies canard fixas resolveu a segunda deficiência, mas o Kfir C2 ainda não era tão capaz em missões ar-ar como o Shahak original. 

Ao lado Os veneráveis A-4N e TA-4J/H Skyhawk, conhecidos em Israel como Ahit (Abutre), ainda são usados por cinco esquadrões de caça da reserva da Heyl Ha’Avir e na escola de instrução de vôo.

 

Conseqüentemente, com a disponibilidade do F-15 e do F-16, a missão do caça da IAI passou a ser primariamente ar-solo. Para isso, a capacidade do Kfir C7 foi aumentada através da adição de pilones extras na parte inferior da fuselagem, incorporação de aviônicos mais modernos e instalação de um sistema defensivo melhorado. Os Kfir C2 foram liberados pela IDF/AF para exportação para o Equador apenas cinco anos após o primeiro exemplar dessa variante ter sido entregue ao Tayeset 101, em maio de 1977.

Ao contrário do que se diz freqüentemente, Israel não começou a encomendar aeronaves americanas após a imposição de um embargo pela França. Um embargo parcial foi realmente imposto pelo governo francês em 1967, mas o embargo total veio apenas em janeiro de 1969, alguns dias depois que “comandos” israelenses transportados em helicópteros Tsir’ah (Super Frelon fornecidos pelos franceses) atacaram o aeroporto de Beirute em retaliação à morte de um passageiro israelense em Atenas, em 16 de dezembro de 1968.

Nessa altura, jatos Douglas A-4H já equipavam os Tayesets 109 e 115 enquanto bipostos TA-4H já eram usados pela Escola de Vôo (BIST, ou Beit Hasefer Le Tisa). Atualmente, o A-4N (Ahit, ou Abutre em hebraico) ainda equipa cinco esquadrões de reserva (Tayesets 102, 137, 141, 145 e 202), enquanto Ahits mono e bipostos continuam sendo usados na BIST.

À direita Com a maior disponibilidade dos F-15 e F-16, a principal missão dos IAI Kfir passou a ser o ataque ao solo. As últimas unidades do Kfir C7 em uso equipam esquadrões da reserva. 

 

Um lote inicial de 48 F-4E e seis RF-4E (respectivamente denominados Kurnass e Oref, ou seja, Marreta e Corvo) já havia sido encomendado através de um programa conhecido como “Peace Echo I”. Os primeiros aviões entraram em serviço com o Tayeset 201 em setembro de 1969. Exemplares do Kurnass 2000, modernizados, equipam atualmente dois esquadrões de primeira linha (Tayesets 119 e 201) e duas unidades de reserva (Tayesets 107 e 142).

Exatamente no momento em que os EUA estava se tornando um de seus maiores fornecedores de armamento ocorreu o ataque israelense — acidental ou mal concebido — ao USS Liberty. Embora isso não tenha sido negado nem confirmado pelos governos de Israel ou dos Estados Unidos, aparentemente os israelenses conseguiram rapidamente reverter a resultante animosidade entre altos oficiais americanos através de um expediente interessante: o fornecimento aos EUA de exemplares de caça soviéticos modernos. Em 6 de junho de 1967, dois dias antes que o Liberty fosse atacado, e pouco depois da captura pelos israelenses do aeródromo egípcio de Al Arish, seis MiG-21s da Al Quwwat al Jawwiya al Jaza’eriya (Força Aérea da Argélia) pousaram por engano no local. Seus pilotos foram capturados e os seis aviões nunca mais apareceram em público. É lógico presumir que foram levados em aviões cargueiros para a Area 51, no estado de Nevada (EUA), para participar da avaliação “Have Donut”. Seja como for, a assistência militar americana não apenas continuou em nível intenso como tornou-se de importância crítica para a sobrevivência do Estado de Israel durante a Guerra do Yom Kippur, em 1973.

Ao lado Os primeiros F-15 — quatro F-15A FSD (Full-Scale Development) — chegaram em Israel em 10 de dezembro de 1976. Hoje, além de aparelhos das versões A/B/C e D, existem 25 F-15I (bipostos batizados de Ra’am, diferindo dos F-15E da USAF por serem equipados com sistemas especificados pela IDF/AF), como os da foto.

 

Ao longo dos últimos 30 anos, a IDF/AF tem se “americanizado” cada vez mais, e hoje em dia seus mais importantes aviões de combate são o F-15 e o F-16. Os primeiros F-15 — quatro F-15A FSD (Full-Scale Development) — chegaram em Israel em 10 de dezembro de 1976. Eventualmente, seguiram-se um quinto F-15A FSD, 19 F-15A de fábrica, 19 F-15A ex-USAF, dois F-15B de fábrica e quatro F-15B ex-USAF. Esses aviões, ao contrário dos F-15A/B da USAF (totalmente dedicados a missões ar-ar), são caças táticos multifunção. Batizados de Baz (Falcão): podem transportar armamento ar-solo e aceitam a instalação de tanques conformais. Também dispõem de um pilone adicional sob cada asa, são equipados com sistemas israelenses de guerra eletrônica, e podem carregar uma variedade de armas desenvolvidas em Israel (incluindo mísseis ar-ar Shafrir II e Python III).

Mesmo que a IDF/AF tenha recebido nada menos que 49 F-15A/B, apenas um esquadrão da reserva, o Tayeset 148, parece ainda estar equipado com o Baz — não se sabe se o Tayeset 148 é um esquadrão excepcionalmente grande, ou se grande parte dos F-15A/B estão armazenados, ou ainda se o número de acidentes foi excepcionalmente alto.

Dezoito F-15C e 13 F-15D, que entraram em serviço em 1981, equipam atualmente os Tayesets 106 e 133, tendo sido batizados de Akef (Búteo). Até o presente, o maior feito dos Akefs foi o ataque ao quartel-general da OLP na Tunísia, em 1º de outubro de 1985. Complementando essas variantes existem 25 F-15I (bipostos batizados de Ra’am, diferindo dos F-15E da USAF por serem equipados com sistemas especificados pela IDF/AF), que voaram suas primeiras missões de combate em janeiro de 1998, operando no Tayeset 69.

Com a confirmação de uma encomenda de 50 F-16I em janeiro de 2000, o General Dynamics/Lockheed Martin Falcon tornou-se a aeronave adquirida em maior número pela Heyl Ha’Avir. Recentemente, em setembro de 2001, foi decidida a aquisição de mais 52 F-16I. Batizados localmente como Netz (Gavião), os F-16A/B entraram em serviço em Israel durante o verão de 1980. Os 67 novos F-16A e oito novos F-16B entregues sob a égide do programa “Peace Marble I” foram complementados em 1994 por 50 aviões anteriormente pertencentes à USAF (36 monopostos e 14 bipostos). Informações adicionais levam a crer que o Netz atualmente equipa sete esquadrões (Tayesets 104, 115, 116, 140, 144, 147 e 253) — o que faz acreditar que o número de F-16A/B perdidos em acidentes foi muito pequeno ou então que alguns desses esquadrões na realidade não existem.

Através do programa “Peace Marble II” e “Peace Marble III”, a Heyl Ha’Avir recebeu respectivamente 75 F-16 Block 30 (51 “C” e 24 “D”) e 60 Block 40 (30 “C” e 30 “D”). Os israelenses realizaram modernizações desses monopostos (denominados Barak, ou Relâmpago) e bipostos (Brakeet, ou Raio), que em muito aumentaram sua capacidade. Os Baraks e Brakeets atualmente equipam cinco esquadrões (Tayesets 101, 105, 109, 110 e 117). As entregas dos primeiros novos 50 bipostos F-16I devem ser iniciadas em 2003, permitindo a retirada de serviço do Kurnass 2000. 

A força de transporte/REVO/GE
Aeronaves Pere (Selvagem) e Barvaz (Pato Silvestre) — respectivamente variantes de transporte e de guerra eletrônica do venerável Douglas C-47 — serviram com o Tayeset 122 desde 1962, e anteriormente com o Tayeset 103. Esses dois tipos, os mais antigos aviões da IDF/AF, estão em processo de substituição por um novo lote de Beech Super King Air 200 ST e T. Denominados Zufitl (Colibri), os King Air têm servido a Israel por anos, nos Tayesets 100 e 130, juntamente com outros tipos.

Ao lado A Força Aérea Israelense tem uma expressiva dotação de 24 aviões C-130 Hercules, cuja versão de transporte e reabastecimento em vôo é denominada de Kamaf (Rinoceronte), enquanto a versão de guerra eletrônica é conhecida como Yanshuf (Filhote de Águia).

 

O principal transporte tático da IDF/AF é o Lockheed Hercules, que serve com o Tayeset 131 em missões de transporte e reabastecimento em vôo (com o nome de Kamaf, ou Rinoceronte), e guerra eletrônica (com o nome de Yanshuf, ou Filhote de Águia). A partir do outono de 1971, Israel recebeu dez novos C-130H (um dos quais foi posteriormente modificado para reabastecimento em vôo, enquanto outros dois foram equipados como plataformas de guerra eletrônica EC-130H) e dois novos KC-130H, juntamente com 12 C-130E ex-USAF. Entretanto, ainda não se sabe se a administração Bush estará disposta a financiar a aquisição desses transportes táticos, à medida que israelenses de direita ficam cada vez mais intransigentes, organizando protestos contra as propostas americanas de acordo com os palestinos.

Turbojatos Boeing 707, anteriormente pertencentes a companhias aéreas, entraram em serviço com a IDF/AF em novembro de 1971. Atualmente, dois 707-320B/C convertidos para motores turbofan são empregados pelo Tayeset 120 (com o nome de R’em = Unicórnio, para transporte, e Saknayee = Pelicano, para reabastecimento em vôo), enquanto o Tayeset 134 emprega a versão de comando e controle, denominada Barboor (Cisne).

À direita Alguns Boeing 707 foram adquiridos e modificados para uso em missões de transporte, reabastecimento em vôo e Comando e Controle.

 

Quando necessário, esses aviões podem ser complementados por Boeing 747s da El Al, com marcas discretas. Um deles é o Boeing 747-245F (SCD) matriculado 4X-AXK. O avião havia sido encomendado, mas não aceito, pela Seabord World Airlines e em seguida entregue à Flying Tiger Line, subseqüentemente passando para a Federal Express e para a Singapore International Airlines. Cinco anos após ter sido oficialmente adquirido pela El Al, o avião continua voando sem as devidas marcas... Talvez o relacionamento entre a El Al e o elemento de transporte da IDF/AF seja tão nebuloso quando aquele que ligava a Aeroflot com a Voenno-Transportnaya Aviatsiya (V-TA) russa.

As duas únicas unidades da IDF/AF especializadas em guerra eletrônica são o Tayeset 126 (sediado em Lod) e o Tayeset 191 (sediado em Sde Dov). O primeiro é equipado com o IAI Arava 202, única variante do Arava a prestar serviço militar prolongado em Israel; o outro esquadrão utiliza aeronaves Beech RC-12D/K (Kookiya, ou Cuco) e RU-21 (Tsofit, ou Tordo) fornecidos pelos Estados Unidos.

Cinco esquadrões são responsáveis pelas tarefas de ligação e transporte de autoridades: Tayeset 100 (com Cessna U206 e Dornier Do-28B-, respectivamente denominados Choheet = Codorniz, e Agur = Grou, bem como o já mencionado Beech Super King Air = Zufitl); Tayeset 129 (Choheets e SOCATA Trinidad — esses denominados Pashosh, ou Cotovia); Tayeset 128 (Beech U-21A, conhecidos como Sh’hafir, ou Ibis em hebraico); Tayeset 125 (Pashoshs e Zamir —Beech Queen Air); e Tayeset 247 (Agurs e Choheets). Vale a pena observar que alguns dos Do 28B-1 Agur são equipados com antenas adicionais, indicando que podem também atuar como plataformas SIGINT/COMINT (Inteligência de Sinais/Inteligência de Comunicações).

Ao lado O Beech RC-12D/K é conhecido entre os pilotos da Heyl Ha’Avir como Kookiya, ou Cuco.

 

Força de helicópteros
Desde que recebeu seu primeiro helicóptero — um Hiller 360 — em maio de 1961, a IDF/AF multiplicou sua força de aeronaves de asa rotativa, possuindo hoje nove esquadrões. Um desses, o Tayeset 125, opera duas variantes do Bell 206 — o Saifan (Jet Ranger) e o Seyfaneet (Coruja), Long Ranger — para ligação e observação.

O transporte médio é função dos Yanshuf, variantes do Sikorsky S-70A-50 e UH-60 que equipam o Tayeset 124. Esses Black Hawks estão atualmente sendo equipados com uma sonda retrátil de reabastecimento em vôo (semelhante às dos HH/MH-60 da USAF) e equipamento FLIR instalado numa torreta. Acredita-se que alguns tenham sido equipados com o sistema de jamming Long Star, da Rafael, que inclui equipamentos de MAGE, IDF (Instantaneous Direction Finding), IFM (Instantaneous Frequency Measurement) e MBAT (Multibeam Array Transmitter), para missões não-letais de supressão das defesas aéreas inimigas.

Para transporte pesado utiliza-se o Ya’sur 2000, uma variante modernizada de vários modelos do Sikorsky S-65 e CH-53, empregada pelos Tayesets 114 e 118. Exemplares adicionais do Yanshuf podem vir a ser adquiridos para substituir o Ya’sur 2000.

Ao lado A Heyl Ha’Avir vem modernizando seus esquadrões de helicópteros nos últimos anos, adquirindo aeronaves como os UH-60 Black Hawk e AH-64 Apache.

 

Dois esquadrões de helicópteros de ataque, os Tayesets 160 e 161, são equipados com o Tsefa (Víbora). Esses helicópteros são variantes modernizadas e padronizadas do Bell AH-1E/F/S, equipadas com o sistema de pontaria noturno IAI-TAMAN NTS (Night Targetting System). Esses helicópteros receberão motores General Electric T700-GE-701C em substituição aos atuais Lycoming T53-L-703.

Ainda mais capaz é o Petens (Cobra, em hebraico), variante israelense do AH-64A Apache, que equipa os Tayesets 113, 127 e 190. Eles são complementados pelos AH-64D, cujos oito primeiros foram encomendados em setembro de 2000. 

 
Força de apoio marítimo

A IDF/AF tem ainda mais um operador de helicópteros: é o Tayeset 193, sediado em Palmahim. Tendo como tarefa o apoio marítimo a partir de bases terrestres e do convés de corvetas e navios-patrulha, essa unidade, conhecida como Gaf Masok Yami, é equipada com um Dolpheen e sete Atalef (respectivamente Delfim e Morcego, em hebraico). O primeiro é um dos dois Aerospatiale SA365G que serviu de protótipo para os HH-65A da U.S. Coast Guard, enquanto os demais são Eurocopter AS565SA extensamente modificados para atender às necessidades israelenses em operações navais.

O único outro esquadrão da IDF/AF com missões navais é o Tayeset 105 (denominado Gaf Siyur Yami), que opera a partir da Base Aérea de Lod. A unidade usa aviões IAI 1124 Westwind equipados com um radar de busca Litton APS-504(V)2 num radome maior e capazes de transportar um míssil antinavio Gabriel de cada lado da seção central da fuselagem. Os três Shahafs deverão ser substituídos na tarefa de vigilância costeira por cinco Beech Super King Air 200T (mais uma variante do Zufit a entrar em serviço na IDF/AF).

Ao lado A Força Aérea Israelense possui grande número de helicópteros, incluindo alguns Defender 

 

Treinamento
A maior parte do treinamento é realizada em aeronaves obsoletas, existindo grande necessidade de reequipamento urgente. Após uma seleção inicial em Hatserim e Sde Kedem, voando no Cheevayee (Águia Pescadora; trata-se do Piper PA-18-150 Super Cub), os cadetes prosseguem para receber treinamento básico em Hatserim. A instrução básica é realizada na BIST a bordo do IAI Tsukit (Fouga Magister, chamado de Esmerilhão — antes de ser modernizado o avião era conhecido como Snunit, ou Andorinha).

Os pilotos selecionados para a aviação de caça/ataque permanecem em Hatserim, sendo designados para o Tayeset 252, uma unidade de reserva equipada com bipostos TA-4H/J e monopostos A-4N. Já aqueles escolhidos para a aviação de transporte, juntamente com os futuros navegadores, vão para o Tayeset 130, outra unidade composta principalmente de reservistas, que opera uma mistura de bimotores leves Queen Air (Zamir = Rouxinol) e Super King Air (Zufit = Colibri).

Os futuros pilotos de helicópteros são treinados no Tayeset 123 a bordo do Bell 212 (Anapha = Garça), enquanto os pilotos de helicópteros de ataque e atiradores treinam no Hughes/McDonnell Douglas 500MD/TOW (Lahatoot = Acrobata) do Tayeset 162. Ambos os esquadrões pertencem à reserva.

Finalmente, não se deve esquecer do Tayeset 505 que, equipado com uma variedade de ultraleves e planadores, funciona como um aeroclube militar com sede na Base Aérea de Tel Nov, possuindo destacamentos em Ein Shemer e Meggido.

O governo de Israel nega a existência de um programa nuclear com fins militares. Entretanto, várias provas circunstanciais levam a crer que o país realmente possui armamento nuclear.

A força oculta
Em 1956, pouco depois da crise de Suez, Shimon Peres (que futuramente viria ser Ministro das Relações Exteriores de Israel e ganharia o prêmio Nobel da Paz) e Golda Meir (Primeira-Ministra de 1969 a 1974) negociaram com o governo francês a aquisição de um reator nuclear EL102 de 18 MW. A construção de um prédio para abrigar o reator no Deserto de Negev foi detectada em dezembro de 1960 por um U-2 da CIA (Central Intelligence Agency). Em abril do ano seguinte, uma delegação americana (cuidadosamente monitorada pelos israelenses) conduziu uma inspeção sem resultados na instalação de Dimona (onde Israel dizia ser feito apenas o processamento de fosfato). Um ano depois, o reator atingiu o regime crítico. 

À Direita A aviação de treinamento está totalmente obsoleta e necessita de modernização urgente. A instrução primária é realizada em aviões Piper Super Cub (foto do alto), enquanto a instrução básica é feita em treinadores IAI Tsukit (Fouga Magister modernizados), iguais ao que é visto na foto.

Desde então, comenta-se que Israel teria conseguido seu primeiro par de bombas nucleares operacionais antes da Guerra dos seis Dias, em 1967, e que o país — em conjunto com a África do Sul — teria realizado um teste atmosférico no Oceano Índico em 22 de setembro de 1979.

Logicamente, Israel desmente tudo isso. Entretanto, acredita-se que o país disponha de bombas nucleares/de neutrons para emprego pelos Kurnass 2000 dos Tayesets 119 e 201, e pelos Ra’aam do Tayeset 69. E mais: cabeças de guerra nucleares (e, segundo um relatório feito há dez anos pela Defense Intelligence Agency americana, também cabeças de guerra químicas) poderiam ser lançadas por mísseis balísticos Jericho.

Até o momento, os governos israelense e francês têm se abrigado convenientemente atrás do fato de que a França decretou um embargo contra Israel (durante o verão de 1967, segundo alguns, enquanto outros acreditam na data oficial, 3 de janeiro de 1969), O fato é que o contrato para o fornecimento de mísseis balísticos de alcance intermediário (IRBM) Dassault MD620 Jéricho foi cancelado apenas em maio de 1969, após a transferência de mísseis, desenhos industriais e especificações.

O desenvolvimento desse míssil, que inicialmente tinha um alcance de 500 km e uma cabeça de guerra de 500 kg, continuou em Israel (com ou sem a ajuda dos franceses — essa é a dúvida...), levando ao desenvolvimento e colocação em operação do Jericho II e IIB, com alcances maiores (respectivamente 1.500 km e 2.500 km) e maiores cargas úteis (1.000 kg). Acredita-se que esses mísseis atualmente equipem os Tayeset 150 e 248 a partir das suas principais bases em Sedof Mikha e Zacharia, bem como a partir de bases avançadas em Be’er Yaakov e Palmahim. Além disso, um ICBM (Míssil Balístico Intercontinental), com alcance de 5.000 km, pode ter sido desenvolvido a partir do veículo lançador de satélites Offeq.

Com ou sem mísseis balísticos e armas nucleares, a Heyl Ha’Avir permanece sendo a mais poderosa força aérea do Oriente Médio. Se isso será ou não suficiente para garantir um futuro seguro para Israel é outra questão, à medida que os produtores árabes de petróleo ficam cada vez mais impacientes em relação à ajuda aparentemente sem limites que os Estados Unidos prestam ao estado judeu. Um novo embargo árabe ao fornecimento de petróleo, em relação ao qual o pessoal altamente treinado da IDF/AF nada poderia fazer, alteraria drasticamente o panorama. •


NOTA DO AUTOR: Exceto em apontar o endereço do website da IDF para a obtenção de fotografias, os porta-vozes da IDF/AF não prestaram qualquer ajuda ao autor, que também não buscou nem recebeu auxílio dos governos americano e britânico. Assim, o manuscrito não foi submetido à censura israelense para aprovação, como freqüentemente é o caso de artigos publicados em revistas britânicas ou americanas. O conteúdo do artigo, portanto, é uma estimativa obtida pela análise de dados disponíveis em uma variedade de fontes ostensivas na Europa e nos Estados Unidos.