
Acima
Um F-4E Phantom II modernizado, conhecido localmente como
Kurnass (Marreta) 2000 decola. Suspeita-se que essas aeronaves possuem a capacidade
de ataque com armas nucleares.
A Força Aérea de Israel, embora importantíssima,
é relativamente pouco coberta em detalhe na mídia
internacional. O artigo que se segue visa preencher parcialmente
essa lacuna.
René J. Francillon
O planejamento para
estabelecer um braço aéreo (denominado Shin
Alaph ou Sherut Avir) do Haganah foi iniciado antes que
a Grã-Bretanha anunciasse que iria abandonar o antigo
mandato da Liga das Nações para administração
da Palestina, e as operações se iniciaram
antes mesmo da proclamação do Estado de Israel,
em 14 de maio de 1948. As duas primeiras vitórias
em combate aéreo foram obtidas em 3 de junho de 1948,
com mais 26 sendo conseguidas antes da assinatura do armistício
de Rodes, em 25 de fevereiro de 1949. Desde então,
a IDF/AF (Israel Defense Forces/Air Force) raramente teve
períodos contínuos de paz mais longos do que
alguns meses, e atualmente é considerada uma das
forças aéreas mais bem treinadas do mundo.
 |
|
 |
|
| Acima
No início de sua história, a Força
Aérea Israelense utilizou todo e qualquer tipo
de aeronave que estivesse ao seu alcance. As procedências
eram variadas e exemplos típicos dessa fase eram
os caças Avia S199 (versão remotorizada
e de menor desempenho do famoso caça alemão
Bf109, fabricados na então Tchecoeslováquia)
e o caça britânico Spitfire. Fotos: IDF/AF |
|
Em
termos de equipamento, a história da IDF/AF —
ou Tavah Haganah le Israel/Heyl Ha’Avir) pode talvez
ser melhor descrita como tendo evoluído dos trapos
para a riqueza. Na sua estréia, ao final da década
de 40, a força foi obrigada a utilizar uma coletânea
variada de aeronaves com valor tático limitado. Seus
caças de primeira linha eram Avia S.199 (versões
remotorizadas do famoso Bf109G, recém-construídas
na então Tchecoeslováquia, menos capazes do
que as versões alemães originais) e Spitfires
de segunda mão, de várias origens.
Atualmente, a Heyl Ha’Avir é uma das forças
aéreas melhor equipadas em todo o mundo, e suas tripulações
têm mais experiência e voam mais horas do que
grande parte de suas congêneres. Por outro lado, a
despeito da generosidade americana, os recursos financeiros
continuam sendo um problema para a IDF/AF. Entre 1949 e
1987 a ajuda dos EUA totalizou cerca de US$134,9 bilhões,
incluindo juros mas excluindo a correção inflacionária
(ou seja, uma média de US$24.000 dólares por
cada cidadão israelense). Essa ajuda continua atualmente
ao nível de US$5 bilhões anuais, tendo atingido
US$6,194 bilhões em 1997. Ainda assim, por exemplo,
a substituição dos treinadores primários
Cheevayee (Piper Super Cub) e básicos Tsukit (Fouga
Magister modernizados) já foi adiada várias
vezes.
Operacionalmente, a jovem arma aérea de Israel fez
o melhor possível com seus meios limitados durante
a Guerra de Independência, em 1948-1949. Aproximadamente
sete anos depois, quando já dispunha de um número
limitado de caças a jato, a IDF/AF beneficiou-se
de assistência direta da França e indireta
da Grã-Bretanha, cobrindo as forças terrestres
que se deslocavam através do Deserto do Sinai para
chegar ao Canal de Suez. Em 1967, melhor equipada, a Heyl
Ha’Avir estabeleceu superioridade aérea total
sobre as forças aéreas árabes durante
as primeiras horas da Guerra dos Seis Dias. Seus sucessos
durante esse conflito, entretanto, foram manchados pelos
ataques contra o navio americano USS Liberty.
 |
Ao
lado Hoje, a IAF é uma das forças
aéreas mais operacionais e dotadas de melhor
equipamento no mundo. Seus pilotos estão entre
os mais bem-treinados e respeitados do planeta. |
Durante
a Guerra de Atrito, a IDF/AF, apesar de superada numericamente,
conteve seus inimigos — equipados com aeronaves russas
—, mas sofreu críticas por ter derrubado um
Boeing 727-224 líbio em 2 de fevereiro de 1973, causando
a morte de 108 civis. O avião, que havia se desviado
da rota e penetrado levemente no espaço aéreo
do Deserto do Sinai — então ocupado por Israel
— foi abatido por F-4Es próximo à extremidade
setentrional dos Great Bitter Lakes. No outono do mesmo
ano, pega de surpresa no início do Yom Kippur, a
IDF/AF combateu tenazmente em situação altamente
desfavorável. No final, Israel foi salvo da derrota
pelo fornecimento, pelos Estados Unidos, de aeronaves, munições
e equipamentos eletrônicos.
Entre 1982 e 2000, a Heyl Ha’Avir se distinguiu em
várias ocasiões. Em 7 de junho de 1981 demoliu
o reator nuclear de Osirak, no Iraque. Em junho de 1982,
superou a Força Aérea Síria sobre o
Vale do Beeka, no Líbano, e em outubro de 1985 atacou
o quartel-general da Organização da Libertação
da Palestina (OLP) na Tunísia.
Hoje, a IDF/AF usa seus helicópteros de ataque para
se contrapor às operações da Intifada,
executadas por palestinos armados com pedras e armas leves.
Para o bem dos israelenses, palestinos e outros habitantes
do Oriente Médio, esperamos que os próximos
50 anos de existência da IDF/AF sejam mais pacíficos.
Visão
Geral
Há quinze anos, conseguir fotos de aeronaves israelenses
ostentando emblemas das unidades a que pertenciam era algo
impensável. Emblemas e matrículas eram eliminados
pelos censores militares em todas as fotos fornecidas àqueles
suficientemente persistentes para enviar repetidas solicitações
de material ilustrativo. O nome das aeronaves e suas designações
numéricas eram segredos bem guardados, embora os
analistas militares árabes provavelmente dispusessem
de informações bem detalhadas, por terem acesso
a fotos feitas por satélites russos e dados obtidos
em operações de COMINT (Communications Intelligence,
ou seja, Inteligência de Comunicações).
 |
| Acima
Por estar literalmente cercado de países inimigos,
com bases aéreas a poucas centenas de quilômetros
(algumas a dezenas), Israel necessita estar preparado
para uma reação rápida de sua Força
Aérea. Na foto, um caça F-15 Eagle, conhecido
localmente como Baz (Falcão) em sua versão
A/B e como Akef (Búteo) nas versões C/D,
realiza uma decolagem usando pós-combustão
plena. Os novos F-15I, derivados da versão “E”
da USAF, são conhecidos em Israel como Ra’aam. |
|
Atualmente,
aeronaves ostentando marcas de esquadrões são
mostradas ao público durante shows aéreos
em Israel, enquanto outras encontram-se em exposição
no museu situado na Base Aérea de Hatserim. Cruzando
essas informações com dados publicados por
fabricantes de aeronaves e equipamentos, é possível
montar uma Ordem de Batalha razoavelmente detalhada da IDF/AF.
Tanto quanto se sabe, a Heyl Ha’Avir possui atualmente
17 esquadrões de primeira linha e mais 12 de reserva
equipados com jatos de combate. Onze esquadrões utilizam
aeronaves de transporte, reabastecimento, ligação
e de guerra eletrônica. Dois esquadrões, um
com aeronaves de asa fixa e outro com helicópteros,
executam a tarefa de apoio marítimo, enquanto nove
outros esquadrões utilizam uma variedade de tipos
de helicópteros, principalmente em apoio a forças
terrestre. Existem também cinco esquadrões
de treinamento. Veja tabela
"Principais Aviões da IDF-AF desde 1953"
 |
 |
| Acima
O General Dynamics/Lockheed Martin F-16 Fighting Falcon
é hoje o caça adquirido em maior quantidade
pela Heyl Ha’Avir. A aeronave recebe diversas
denominações localmente, dependendo da
versão. O F-16A/B é chamado de Netz (Gavião),
o F-16C é conhecido como Barak (Relâmpago),
enquanto os F-16D, equipados para guerra eletrônica,
recebem denominação diferente, sendo conhecidos
como Brakeet (Raio). |
As
unidades de asa fixa são normalmente alocadas a dez
bases aéreas, mas, durante períodos de grande
ameaça, são também desdobradas para
uma base-satélite, duas estradas utilizadas como
pistas e aeroportos civis. Logicamente, os helicópteros,
quando não estão operando a partir de suas
bases normais, estão mais dispersos ainda. Em cada
base permanente (Bacha) cada ala (Karnaf) é composta
de quatro a oito esquadrões (Tayeset).
Antes de detalhar os principais elementos de combate da
Heyl Ha’Avir, deve se fazer menção ao
esquadrão de ensaios e avaliação de
aeronaves (Tayeset 601, equipado com uma variedade de tipos),
ao esquadrão de ensaio e avaliação
de mísseis (Tayeset 151) e aos outros dez esquadrões
não equipados com aeronaves: Tayesets 146, 155 e
120 (drones e VANTs); Tayesets 136, 138, 139 e 150 (mísseis
superfície-ar), e mais três esquadrões
de mísseis balísticos. Veja tabela
"Principais Bases Aéreas"
A força
de combate
Com exceção de quatro esquadrões da
reserva (Tayesets 132, 143, 149 e 251), que utilizam o Kfir
C7, todos os esquadrões de jatos de combate estão
atualmente equipados com aeronaves de procedência
americana.
Desenvolvido a partir do Dassault Mirage, para o qual Israel
havia obtido uma licença para produção
em 27 de abril de 1962, o Kfir é impulsionado por
um motor americano J79. Embora o empuxo estático
seja superior em 37% ao do Atar 101 que era utilizado pelo
Mirage IIICJ (Shahak, ou Céu em hebraico), o modelo
inicial do Kfir, o C1, não era satisfatório.
O empuxo adicional não compensava o arrasto extra
resultante do aumento do tamanho da parte traseira da fuselagem,
enquanto a posição do centro de gravidade
do avião ficou muito para trás. A adição
de nose strakes e superfícies canard fixas resolveu
a segunda deficiência, mas o Kfir C2 ainda não
era tão capaz em missões ar-ar como o Shahak
original.
 |
| Acima
Os veneráveis A-4N e TA-4J/H Skyhawk, conhecidos
em Israel como Ahit (Abutre), ainda são usados
por cinco esquadrões de caça da reserva
da Heyl Ha’Avir e na escola de instrução
de vôo. |
|
Conseqüentemente,
com a disponibilidade do F-15 e do F-16, a missão
do caça da IAI passou a ser primariamente ar-solo.
Para isso, a capacidade do Kfir C7 foi aumentada através
da adição de pilones extras na parte inferior
da fuselagem, incorporação de aviônicos
mais modernos e instalação de um sistema defensivo
melhorado. Os Kfir C2 foram liberados pela IDF/AF para exportação
para o Equador apenas cinco anos após o primeiro
exemplar dessa variante ter sido entregue ao Tayeset 101,
em maio de 1977.
 |
| Acima
Com a maior disponibilidade dos F-15 e F-16, a principal
missão dos IAI Kfir passou a ser o ataque ao
solo. As últimas unidades do Kfir C7 em uso equipam
esquadrões da reserva. |
|
Ao
contrário do que se diz freqüentemente, Israel
não começou a encomendar aeronaves americanas
após a imposição de um embargo pela
França. Um embargo parcial foi realmente imposto
pelo governo francês em 1967, mas o embargo total
veio apenas em janeiro de 1969, alguns dias depois que “comandos”
israelenses transportados em helicópteros Tsir’ah
(Super Frelon fornecidos pelos franceses) atacaram o aeroporto
de Beirute em retaliação à morte de
um passageiro israelense em Atenas, em 16 de dezembro de
1968.
Nessa altura, jatos Douglas A-4H já equipavam os
Tayesets 109 e 115 enquanto bipostos TA-4H já eram
usados pela Escola de Vôo (BIST, ou Beit Hasefer Le
Tisa). Atualmente, o A-4N (Ahit, ou Abutre em hebraico)
ainda equipa cinco esquadrões de reserva (Tayesets
102, 137, 141, 145 e 202), enquanto Ahits mono e bipostos
continuam sendo usados na BIST.
Um lote inicial de 48 F-4E e seis RF-4E (respectivamente
denominados Kurnass e Oref, ou seja, Marreta e Corvo) já
havia sido encomendado através de um programa conhecido
como “Peace Echo I”. Os primeiros aviões
entraram em serviço com o Tayeset 201 em setembro
de 1969. Exemplares do Kurnass 2000, modernizados, equipam
atualmente dois esquadrões de primeira linha (Tayesets
119 e 201) e duas unidades de reserva (Tayesets 107 e 142).
Exatamente no momento em que os EUA estava se tornando um
de seus maiores fornecedores de armamento ocorreu o ataque
israelense — acidental ou mal concebido — ao
USS Liberty. Embora isso não tenha sido negado nem
confirmado pelos governos de Israel ou dos Estados Unidos,
aparentemente os israelenses conseguiram rapidamente reverter
a resultante animosidade entre altos oficiais americanos
através de um expediente interessante: o fornecimento
aos EUA de exemplares de caça soviéticos modernos.
Em 6 de junho de 1967, dois dias antes que o Liberty fosse
atacado, e pouco depois da captura pelos israelenses do
aeródromo egípcio de Al Arish, seis MiG-21s
da Al Quwwat al Jawwiya al Jaza’eriya (Força
Aérea da Argélia) pousaram por engano no local.
Seus pilotos foram capturados e os seis aviões nunca
mais apareceram em público. É lógico
presumir que foram levados em aviões cargueiros para
a Area 51, no estado de Nevada (EUA), para participar da
avaliação “Have Donut”. Seja como
for, a assistência militar americana não apenas
continuou em nível intenso como tornou-se de importância
crítica para a sobrevivência do Estado de Israel
durante a Guerra do Yom Kippur, em 1973.
 |
| Acima
Os primeiros F-15 — quatro F-15A FSD (Full-Scale
Development) — chegaram em Israel em 10 de dezembro
de 1976. Hoje, além de aparelhos das versões
A/B/C e D, existem 25 F-15I (bipostos batizados de Ra’am,
diferindo dos F-15E da USAF por serem equipados com
sistemas especificados pela IDF/AF), como os da foto. |
|
Ao
longo dos últimos 30 anos, a IDF/AF tem se “americanizado”
cada vez mais, e hoje em dia seus mais importantes aviões
de combate são o F-15 e o F-16. Os primeiros F-15
— quatro F-15A FSD (Full-Scale Development) —
chegaram em Israel em 10 de dezembro de 1976. Eventualmente,
seguiram-se um quinto F-15A FSD, 19 F-15A de fábrica,
19 F-15A ex-USAF, dois F-15B de fábrica e quatro
F-15B ex-USAF. Esses aviões, ao contrário
dos F-15A/B da USAF (totalmente dedicados a missões
ar-ar), são caças táticos multifunção.
Batizados de Baz (Falcão): podem transportar armamento
ar-solo e aceitam a instalação de tanques
conformais. Também dispõem de um pilone adicional
sob cada asa, são equipados com sistemas israelenses
de guerra eletrônica, e podem carregar uma variedade
de armas desenvolvidas em Israel (incluindo mísseis
ar-ar Shafrir II e Python III).
Mesmo que a IDF/AF tenha recebido nada menos que 49 F-15A/B,
apenas um esquadrão da reserva, o Tayeset 148, parece
ainda estar equipado com o Baz — não se sabe
se o Tayeset 148 é um esquadrão excepcionalmente
grande, ou se grande parte dos F-15A/B estão armazenados,
ou ainda se o número de acidentes foi excepcionalmente
alto.
Dezoito F-15C e 13 F-15D, que entraram em serviço
em 1981, equipam atualmente os Tayesets 106 e 133, tendo
sido batizados de Akef (Búteo). Até o presente,
o maior feito dos Akefs foi o ataque ao quartel-general
da OLP na Tunísia, em 1º de outubro de 1985. Complementando
essas variantes existem 25 F-15I (bipostos batizados de
Ra’am, diferindo dos F-15E da USAF por serem equipados
com sistemas especificados pela IDF/AF), que voaram suas
primeiras missões de combate em janeiro de 1998,
operando no Tayeset 69.
Com a confirmação de uma encomenda de 50 F-16I
em janeiro de 2000, o General Dynamics/Lockheed Martin Falcon
tornou-se a aeronave adquirida em maior número pela
Heyl Ha’Avir. Recentemente, em setembro de 2001, foi
decidida a aquisição de mais 52 F-16I. Batizados
localmente como Netz (Gavião), os F-16A/B entraram
em serviço em Israel durante o verão de 1980.
Os 67 novos F-16A e oito novos F-16B entregues sob a égide
do programa “Peace Marble I” foram complementados
em 1994 por 50 aviões anteriormente pertencentes
à USAF (36 monopostos e 14 bipostos). Informações
adicionais levam a crer que o Netz atualmente equipa sete
esquadrões (Tayesets 104, 115, 116, 140, 144, 147
e 253) — o que faz acreditar que o número de
F-16A/B perdidos em acidentes foi muito pequeno ou então
que alguns desses esquadrões na realidade não
existem.
Através do programa “Peace Marble II”
e “Peace Marble III”, a Heyl Ha’Avir recebeu
respectivamente 75 F-16 Block 30 (51 “C” e 24
“D”) e 60 Block 40 (30 “C” e 30
“D”). Os israelenses realizaram modernizações
desses monopostos (denominados Barak, ou Relâmpago)
e bipostos (Brakeet, ou Raio), que em muito aumentaram sua
capacidade. Os Baraks e Brakeets atualmente equipam cinco
esquadrões (Tayesets 101, 105, 109, 110 e 117). As
entregas dos primeiros novos 50 bipostos F-16I devem ser
iniciadas em 2003, permitindo a retirada de serviço
do Kurnass 2000.
A força
de transporte/REVO/GE
Aeronaves Pere (Selvagem) e Barvaz (Pato Silvestre) —
respectivamente variantes de transporte e de guerra eletrônica
do venerável Douglas C-47 — serviram com o
Tayeset 122 desde 1962, e anteriormente com o Tayeset 103.
Esses dois tipos, os mais antigos aviões da IDF/AF,
estão em processo de substituição por
um novo lote de Beech Super King Air 200 ST e T. Denominados
Zufitl (Colibri), os King Air têm servido a Israel
por anos, nos Tayesets 100 e 130, juntamente com outros
tipos.
 |
| Acima
A Força Aérea Israelense tem uma expressiva
dotação de 24 aviões C-130 Hercules,
cuja versão de transporte e reabastecimento em
vôo é denominada de Kamaf (Rinoceronte),
enquanto a versão de guerra eletrônica
é conhecida como Yanshuf (Filhote de Águia). |
O principal
transporte tático da IDF/AF é o Lockheed Hercules,
que serve com o Tayeset 131 em missões de transporte
e reabastecimento em vôo (com o nome de Kamaf, ou
Rinoceronte), e guerra eletrônica (com o nome de Yanshuf,
ou Filhote de Águia). A partir do outono de 1971,
Israel recebeu dez novos C-130H (um dos quais foi posteriormente
modificado para reabastecimento em vôo, enquanto outros
dois foram equipados como plataformas de guerra eletrônica
EC-130H) e dois novos KC-130H, juntamente com 12 C-130E
ex-USAF. Entretanto, ainda não se sabe se a administração
Bush estará disposta a financiar a aquisição
desses transportes táticos, à medida que israelenses
de direita ficam cada vez mais intransigentes, organizando
protestos contra as propostas americanas de acordo com os
palestinos.
 |
| Acima
Alguns Boeing 707 foram adquiridos e modificados para
uso em missões de transporte, reabastecimento
em vôo e Comando e Controle. |
Turbojatos
Boeing 707, anteriormente pertencentes a companhias aéreas,
entraram em serviço com a IDF/AF em novembro de 1971.
Atualmente, dois 707-320B/C convertidos para motores turbofan
são empregados pelo Tayeset 120 (com o nome de R’em
= Unicórnio, para transporte, e Saknayee = Pelicano,
para reabastecimento em vôo), enquanto o Tayeset 134
emprega a versão de comando e controle, denominada
Barboor (Cisne).
Quando necessário, esses aviões podem ser
complementados por Boeing 747s da El Al, com marcas discretas.
Um deles é o Boeing 747-245F (SCD) matriculado 4X-AXK.
O avião havia sido encomendado, mas não aceito,
pela Seabord World Airlines e em seguida entregue à
Flying Tiger Line, subseqüentemente passando para a
Federal Express e para a Singapore International Airlines.
Cinco anos após ter sido oficialmente adquirido pela
El Al, o avião continua voando sem as devidas marcas...
Talvez o relacionamento entre a El Al e o elemento de transporte
da IDF/AF seja tão nebuloso quando aquele que ligava
a Aeroflot com a Voenno-Transportnaya Aviatsiya (V-TA) russa.
As duas únicas unidades da IDF/AF especializadas
em guerra eletrônica são o Tayeset 126 (sediado
em Lod) e o Tayeset 191 (sediado em Sde Dov). O primeiro
é equipado com o IAI Arava 202, única variante
do Arava a prestar serviço militar prolongado em
Israel; o outro esquadrão utiliza aeronaves Beech
RC-12D/K (Kookiya, ou Cuco) e RU-21 (Tsofit, ou Tordo) fornecidos
pelos Estados Unidos.
 |
| Acima
O Beech RC-12D/K é conhecido entre os pilotos
da Heyl Ha’Avir como Kookiya, ou Cuco. |
Cinco
esquadrões são responsáveis pelas tarefas
de ligação e transporte de autoridades: Tayeset
100 (com Cessna U206 e Dornier Do-28B-, respectivamente
denominados Choheet = Codorniz, e Agur = Grou, bem como
o já mencionado Beech Super King Air = Zufitl); Tayeset
129 (Choheets e SOCATA Trinidad — esses denominados
Pashosh, ou Cotovia); Tayeset 128 (Beech U-21A, conhecidos
como Sh’hafir, ou Ibis em hebraico); Tayeset 125 (Pashoshs
e Zamir —Beech Queen Air); e Tayeset 247 (Agurs e
Choheets). Vale a pena observar que alguns dos Do 28B-1
Agur são equipados com antenas adicionais, indicando
que podem também atuar como plataformas SIGINT/COMINT
(Inteligência de Sinais/Inteligência de Comunicações).
Força
de helicópteros
Desde que recebeu seu primeiro helicóptero —
um Hiller 360 — em maio de 1961, a IDF/AF multiplicou
sua força de aeronaves de asa rotativa, possuindo
hoje nove esquadrões. Um desses, o Tayeset 125, opera
duas variantes do Bell 206 — o Saifan (Jet Ranger)
e o Seyfaneet (Coruja), Long Ranger — para ligação
e observação.
 |
Ao
lado A Força Aérea Israelense
possui grande número de helicópteros,
incluindo alguns Defender |
|
 |
 |
| Ao
alto e acima A Heyl Ha’Avir vem modernizando
seus esquadrões de helicópteros nos últimos
anos, adquirindo aeronaves como os UH-60 Black Hawk
e AH-64 Apache. |
O transporte
médio é função dos Yanshuf,
variantes do Sikorsky S-70A-50 e UH-60 que equipam o Tayeset
124. Esses Black Hawks estão atualmente sendo equipados
com uma sonda retrátil de reabastecimento em vôo
(semelhante às dos HH/MH-60 da USAF) e equipamento
FLIR instalado numa torreta. Acredita-se que alguns tenham
sido equipados com o sistema de jamming Long Star, da Rafael,
que inclui equipamentos de MAGE, IDF (Instantaneous Direction
Finding), IFM (Instantaneous Frequency Measurement) e MBAT
(Multibeam Array Transmitter), para missões não-letais
de supressão das defesas aéreas inimigas.
Para transporte pesado utiliza-se o Ya’sur 2000, uma
variante modernizada de vários modelos do Sikorsky
S-65 e CH-53, empregada pelos Tayesets 114 e 118. Exemplares
adicionais do Yanshuf podem vir a ser adquiridos para substituir
o Ya’sur 2000.
Dois esquadrões de helicópteros de ataque,
os Tayesets 160 e 161, são equipados com o Tsefa
(Víbora). Esses helicópteros são variantes
modernizadas e padronizadas do Bell AH-1E/F/S, equipadas
com o sistema de pontaria noturno IAI-TAMAN NTS (Night Targetting
System). Esses helicópteros receberão motores
General Electric T700-GE-701C em substituição
aos atuais Lycoming T53-L-703.
Ainda mais capaz é o Petens (Cobra, em hebraico),
variante israelense do AH-64A Apache, que equipa os Tayesets
113, 127 e 190. Eles são complementados pelos AH-64D,
cujos oito primeiros foram encomendados em setembro de 2000.
Veja tabela "Helicópteros
desde 1951"
Força
de apoio marítimo
A IDF/AF tem ainda mais um operador de helicópteros:
é o Tayeset 193, sediado em Palmahim. Tendo como
tarefa o apoio marítimo a partir de bases terrestres
e do convés de corvetas e navios-patrulha, essa unidade,
conhecida como Gaf Masok Yami, é equipada com um
Dolpheen e sete Atalef (respectivamente Delfim e Morcego,
em hebraico). O primeiro é um dos dois Aerospatiale
SA365G que serviu de protótipo para os HH-65A da
U.S. Coast Guard, enquanto os demais são Eurocopter
AS565SA extensamente modificados para atender às
necessidades israelenses em operações navais.
O único outro esquadrão da IDF/AF com missões
navais é o Tayeset 105 (denominado Gaf Siyur Yami),
que opera a partir da Base Aérea de Lod. A unidade
usa aviões IAI 1124 Westwind equipados com um radar
de busca Litton APS-504(V)2 num radome maior e capazes de
transportar um míssil antinavio Gabriel de cada lado
da seção central da fuselagem. Os três
Shahafs deverão ser substituídos na tarefa
de vigilância costeira por cinco Beech Super King
Air 200T (mais uma variante do Zufit a entrar em serviço
na IDF/AF).
Treinamento
A maior parte do treinamento é realizada em aeronaves
obsoletas, existindo grande necessidade de reequipamento
urgente. Após uma seleção inicial em
Hatserim e Sde Kedem, voando no Cheevayee (Águia
Pescadora; trata-se do Piper PA-18-150 Super Cub), os cadetes
prosseguem para receber treinamento básico em Hatserim.
A instrução básica é realizada
na BIST a bordo do IAI Tsukit (Fouga Magister, chamado de
Esmerilhão — antes de ser modernizado o avião
era conhecido como Snunit, ou Andorinha).
Os pilotos selecionados para a aviação de
caça/ataque permanecem em Hatserim, sendo designados
para o Tayeset 252, uma unidade de reserva equipada com
bipostos TA-4H/J e monopostos A-4N. Já aqueles escolhidos
para a aviação de transporte, juntamente com
os futuros navegadores, vão para o Tayeset 130, outra
unidade composta principalmente de reservistas, que opera
uma mistura de bimotores leves Queen Air (Zamir = Rouxinol)
e Super King Air (Zufit = Colibri).
Os futuros pilotos de helicópteros são treinados
no Tayeset 123 a bordo do Bell 212 (Anapha = Garça),
enquanto os pilotos de helicópteros de ataque e atiradores
treinam no Hughes/McDonnell Douglas 500MD/TOW (Lahatoot
= Acrobata) do Tayeset 162. Ambos os esquadrões pertencem
à reserva.
Finalmente, não se deve esquecer do Tayeset 505 que,
equipado com uma variedade de ultraleves e planadores, funciona
como um aeroclube militar com sede na Base Aérea
de Tel Nov, possuindo destacamentos em Ein Shemer e Meggido.
 |
 |
| Acima
A aviação de treinamento está totalmente
obsoleta e necessita de modernização urgente.
A instrução primária é realizada
em aviões Piper Super Cub (foto do alto), enquanto
a instrução básica é feita
em treinadores IAI Tsukit (Fouga Magister modernizados),
iguais ao que é visto na foto. |
A
força oculta
O governo de Israel nega a existência de um programa
nuclear com fins militares. Entretanto, várias provas
circunstanciais levam a crer que o país realmente
possui armamento nuclear.
Em 1956, pouco depois da crise de Suez, Shimon Peres (que
futuramente viria ser Ministro das Relações
Exteriores de Israel e ganharia o prêmio Nobel da
Paz) e Golda Meir (Primeira-Ministra de 1969 a 1974) negociaram
com o governo francês a aquisição de
um reator nuclear EL102 de 18 MW. A construção
de um prédio para abrigar o reator no Deserto de
Negev foi detectada em dezembro de 1960 por um U-2 da CIA
(Central Intelligence Agency). Em abril do ano seguinte,
uma delegação americana (cuidadosamente monitorada
pelos israelenses) conduziu uma inspeção sem
resultados na instalação de Dimona (onde Israel
dizia ser feito apenas o processamento de fosfato). Um ano
depois, o reator atingiu o regime crítico.
Desde então, comenta-se que Israel teria conseguido
seu primeiro par de bombas nucleares operacionais antes
da Guerra dos seis Dias, em 1967, e que o país —
em conjunto com a África do Sul — teria realizado
um teste atmosférico no Oceano Índico em 22
de setembro de 1979.
Logicamente, Israel desmente tudo isso. Entretanto, acredita-se
que o país disponha de bombas nucleares/de neutrons
para emprego pelos Kurnass 2000 dos Tayesets 119 e 201,
e pelos Ra’aam do Tayeset 69. E mais: cabeças
de guerra nucleares (e, segundo um relatório feito
há dez anos pela Defense Intelligence Agency americana,
também cabeças de guerra químicas)
poderiam ser lançadas por mísseis balísticos
Jericho.
Até o momento, os governos israelense e francês
têm se abrigado convenientemente atrás do fato
de que a França decretou um embargo contra Israel
(durante o verão de 1967, segundo alguns, enquanto
outros acreditam na data oficial, 3 de janeiro de 1969),
O fato é que o contrato para o fornecimento de mísseis
balísticos de alcance intermediário (IRBM)
Dassault MD620 Jéricho foi cancelado apenas em maio
de 1969, após a transferência de mísseis,
desenhos industriais e especificações.
O desenvolvimento desse míssil, que inicialmente
tinha um alcance de 500 km e uma cabeça de guerra
de 500 kg, continuou em Israel (com ou sem a ajuda dos franceses
— essa é a dúvida...), levando ao desenvolvimento
e colocação em operação do Jericho
II e IIB, com alcances maiores (respectivamente 1.500 km
e 2.500 km) e maiores cargas úteis (1.000 kg). Acredita-se
que esses mísseis atualmente equipem os Tayeset 150
e 248 a partir das suas principais bases em Sedof Mikha
e Zacharia, bem como a partir de bases avançadas
em Be’er Yaakov e Palmahim. Além disso, um
ICBM (Míssil Balístico Intercontinental),
com alcance de 5.000 km, pode ter sido desenvolvido a partir
do veículo lançador de satélites Offeq.
Com ou sem mísseis balísticos e armas nucleares,
a Heyl Ha’Avir permanece sendo a mais poderosa força
aérea do Oriente Médio. Se isso será
ou não suficiente para garantir um futuro seguro
para Israel é outra questão, à medida
que os produtores árabes de petróleo ficam
cada vez mais impacientes em relação à
ajuda aparentemente sem limites que os Estados Unidos prestam
ao estado judeu. Um novo embargo árabe ao fornecimento
de petróleo, em relação ao qual o pessoal
altamente treinado da IDF/AF nada poderia fazer, alteraria
drasticamente o panorama.
NOTA
DO AUTOR:
Exceto em apontar o endereço do website da IDF para
a obtenção de fotografias, os porta-vozes
da IDF/AF não prestaram qualquer ajuda ao autor,
que também não buscou nem recebeu auxílio
dos governos americano e britânico. Assim, o manuscrito
não foi submetido à censura israelense para
aprovação, como freqüentemente é
o caso de artigos publicados em revistas britânicas
ou americanas. O conteúdo do artigo, portanto, é
uma estimativa obtida pela análise de dados disponíveis
em uma variedade de fontes ostensivas na Europa e nos Estados
Unidos.