
Acima O
Bell AH-1F, versão do HueyCobra que está sendo
oferecida à Argentina. Esse helicóptero é
dotado de Head-Up Display para o piloto, telêmetro laser
e rastreador laser, otimizando o emprego do míssil
anticarro TOW. (Foto: Bell)
O aparecimento dos helicópteros de ataque
revolucionou muitos aspectos do combate terrestre. O texto
que se segue, além de cobrir em rápidas pinceladas
a evolução desse tipo de aeronave, busca dar
uma idéia ao leitor das características e capacidade
dos principais modelos disponíveis no mercado.
Mário Roberto Vaz Carneiro
Os
franceses foram os primeiros a armar helicópteros e
utilizá-los para ataques a alvos terrestres, o que
aconteceu na campanha da Argélia. Mas foi a Guerra
do Vietnã na qual os Estados Unidos perderam
em combate 2.281 helicópteros a grande mola
impulsionadora do desenvolvimento dos helicópteros
de ataque. Naquele conflito, os Estados Unidos empregaram
helicópteros de transporte em grande quantidade, e
a necessidade de protegê-los, durante os pousos de assalto
e a posterior extração das tropas, era óbvia.
Os jatos de combate eram rápidos demais para isso,
e logo se tornou claro que a melhor opção eram
helicópteros armados.
Isso levou inicialmente à adaptação de
armamento (principalmente metralhadoras em reparos fixos e
móveis, e casulos de foguetes) em vários modelos
de helicópteros de transporte. Posteriormente, alguns
Bell UH-1B foram armados com mísseis anticarro TOW,
conseguindo excelentes resultados contra blindados norte-vietnamitas.
Apesar desses sucessos, estava clara a necessidade de uma
aeronave de asa rotativa especificamente projetada para ataque
ao solo e depressa.
Para apressar o desenvolvimento de um helicóptero do
tipo desejado, a Bell Helicopters baseou-se na célula
do UH-1B, adotando uma nova fuselagem para o seu Model 209
HueyCobra. Esse foi o primeiro helicóptero projetado
desde o início para ataque ao solo, e que voou pela
primeira vez em 7 de setembro de 1965. A versão inicial
do Cobra, designada AH-1G, era armada com uma metralhadora
Minigun de 7,62mm , com seis canos, localizada numa torreta
sob o nariz, podendo transportar também quatro casulos
com até 76 foguetes de 70 mm ou mísseis anticarro
TOW. O AH-1G foi empregado intensamente no Vietnã a
partir de 1967, e ao todo foram produzidos 1.078 exemplares.
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Ao
lado Esse A-1W SuperCobra é visto com mísseis
anticarro AGM-114 Hellfire, além do canhão
de 20 mm no nariz. Inicialmente o AH-1W podia somente
lançar o Hellfire, mas não guiá-lo;
atualmente, a aeronave dispõe de total capacidade
autônoma. (Foto: Bell)
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Ao
lado O AH-1W é a única versão
do Cobra capaz de empregar o míssil anti-
radiação AGM-122 Sidearm, e possui considerável
capacidade ar-ar, podendo utilizar mísseis AIM-9
Sidewinder (foto). (Foto: Bell) |
A
configuração estabelecida para o Cobra (artilheiro
e piloto sentados em tandem, num cockpit protegido
por blindagem, canhão/metralhadora/lançador
de granadas no nariz, em reparo móvel, armamento do
tipo foguetes/mísseis em aletas nas laterais da fuselagem)
foi tão bem sucedida que tornou-se o padrão
para a maioria dos helicópteros de ataque desenvolvidos
nos anos seguintes. Em versões sucessivas, o Cobra
acompanhou o estado da arte em termos de propulsão,
aviônicos e armamento. Os modelos principais foram o
AH-1Q (AH-1G equipado com Helmet-Mounted Sight Visor
Montado no Capacete e mísseis TOW), AH-1S (AH-1G
e AH-1Q com motores mais potentes, mísseis TOW e transparências
planas no cockpit), AH-1E (AH-1S equipado com canhão
M197 de 20 mm na torreta), AH-1F (AH-1S modernizado, com jammer
infravermelho ativo, supressor infravermelho no escape do
motor, e novo subsistema de direção de tiro),
AH-1J (primeiro Cobra biturbina, destinado ao U. S. Marine
Corps), AH-1T (com novo motor, novo rotor principal, novo
cone de cauda e maior capacidade de combustível), e
AH-1W.
Essa variante do Cobra surgiu em função de um
requisito do U. S. Marine Corps. Inicialmente equipados com
o AH-1J, os fuzileiros americanos passaram a receber, a partir
de outubro de 1977, o AH-1T, com motores mais potentes e tecnologia
proveniente do Model 309 KingCobra, um modelo desenvolvido
pela Bell por conta própria. Em 1980, como parte de
um programa do USMC visando um futuro helicóptero de
ataque com capacidade ampliada, a Bell testou um AH-1T remotorizado
com dois turboshafts General Electric T700-GE-700, conhecido
como AH-1T+.
O AH-1W surgiu da introdução de melhoramentos
adicionais ao AH-1T+, e o protótipo voou em 16 de novembro
de 1983. O AH-1W é impulsionado por um par de motores
General Electric T700-GE-401 (semelhantes às usadas
no Sikorsky SH-60), cada um com 1.690 shp; quando se compara
a potência combinada desses dois motores com os 1.100
shp contínuos proporcionados pelo Lycoming T53-L13
utilizado no AH-1G, tem-se uma boa medida de quanto o Cobra
evoluiu. Aos testes seguiu-se uma encomenda inicial para 44
exemplares, cujas entregas se concluíram em 1998. Muitos
AH-1T foram convertidos para o novo padrão, e a aeronave
continua em produção para outros países.
No USMC, o AH-1W é utilizado por nove esquadrões
de helicópteros de ataque (cada um com 18 exemplares)
e um de treinamento.
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Ao
lado O AH-1W é
armado com um canhão M197, de 20 mm, com 750
tiros. É interessante
observar que o canhão
normalmente é disparado em rajadas de 100 tiros,
cuja duração é de
aproximadamente nove segundos. (Foto: Bell)
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Encontra-se em andamento um programa de modernização
do AH-1W, previsto para encerrar-se no Ano Fiscal 2011. Numa
primeira fase, 250 helicópteros serão modernizados,
com a instalação de um novo visor noturno, de
procedência israelense. Posteriormente, um total de
180 AH-1W serão transformados para o padrão
AH-1Z. Entre outros melhoramentos, o AH-1Z conta com novos
rotores principal e de cauda, nova transmissão, maior
capacidade de combustível, novas aletas (dobrando a
capacidade de transporte de mísseis anticarro), nova
suite de guerra eletrônica, cockpit do tipo HOTAS (Hands
On Throttle And Stick), etc. Os ensaios em vôo deverão
estar completados em 2003. A empresa Longbow International,
uma joint venture da Lockheed Martin com a Northrop
Grumman, está desenvolvendo um radar de onda milimétrica
para o AH-1Z. O novo radar será instalado na extremidade
de uma das aletas ou em um dos pilones subalares,
e será integrado com o míssil AGM-114L. Uma
versão mais simples do AH-1W, designada MH-1W, otimizada
para contra-insurgência e missões anti-narcotráfico,
está sendo oferecida a vários países
sul-americanos.
Russos
em cena
Os soviéticos também haviam identificado a necessidade
de um helicóptero de ataque, e desenvolveram o Mi-24
Hind. A principal diferença entre o Hind e os outros
helicópteros de ataque (anteriores e posteriores a
ele) era o fato de poder transportar, além do piloto
e do atirador, oito soldados completamente equipados. Observe-se
que o Mi-24 e suas variantes não são helicópteros
de transporte convertidos para ataque ao solo. O contrário
é verdadeiro: tratam-se de autênticos helicópteros
de ataque, que além de dispor de armamento são
capazes de transportar soldados.
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Ao
lado No nariz desse Mi-24 Hind
D vê-se, da esquerda para a direita: carenagem abrigando
os equipamentos eletro-óticos, torreta rotativa
com metralhadora de 12,7 mm, e antena para guiamento dos
mísseis anticarro 9M17P Falanga (AT-2 Swatter).
(Foto: Segurança & Defesa). |
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Ao
lado Até hoje, o Mi-24 Hind continua sendo
o único helicóptero de ataque capaz de
transportar uma
quantidade significativa de soldados. (Foto: K. Munson)
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O
primeiro Mi-24 voou em 19 de setembro de 1969. A primeira
versão de produção foi o Mi-24B Hind
B (com duas turbinas Klimov TV2-117, cada uma gerando 1.700
shp); seguiu-se o Mi-24A Hind-A, cujos lotes iniciais utilizavam
o mesmo motor. Mais para o final da produção
do Mi-24A foi adotado o motor TV3-117 (repetindo o que fora
feito com o Mi-8, resultando no Mi-17). As transparências
do cockpit dos dois primeiros modelos operacionais, o Mi-24A
Hind-A e o Mi-24B Hind-B, compunham-se de painéis de
plexiglass planos, o que acabou resultando em visibilidade
pouco satisfatória para os tripulantes. Assim, em 1971
o nariz do Hind foi redesenhado, adotando-se para o Mi-24D
Hind-D (e sua versão de exportação, o
Mi-25) e o Mi-24V Hind E (e sua versão de exportação,
o Mi-35), capaz de utilizar o míssil anticarro 9M114
Shturm (AT-6 Spiral), canopies do tipo bolha,
parecidos com os dos jatos de combate.
Outras variantes foram desenvolvidas, incluindo o Mi-24P Hind-F.
No Hind-A, e no HindB o armamento interno consistia
de uma metralhadora 12,7 mm no nariz, em reparo flexível,
enquanto no Hind-D e E foi adotada uma metralhadora
de 12,7mm com quatro tubos, montada em torreta sob o nariz.
No Mi-24P Hind-F (e no Mi-35P, de exportação)
foram instalados dois canhões de 30 mm, fixos, do lado
direito da fuselagem. As versões mais modernas usam
um canhão bitubo de 30 mm instalado numa torreta sob
o nariz. O sucesso do Hind foi imenso, e ainda hoje ele serve
em dezenas de países. Como o HueyCobra, o Hind foi
sendo atualizado através do tempo, e em muitos aspectos
o desempenho e capacidade das versões mais recentes
são comparáveis aos helicópteros de nova
geração.
O desenvolvimento do Ka-50 e do Mi-28 (dos quais falaremos
adiante) ambos helicópteros de ataque de segunda
geração pareceu, num primeiro momento,
selar o futuro do Hind, cuja produção acabou
se encerrando em 1989. Os anos se passaram, e o subseqüente
fim da União Soviética e a crise econômica
russa impediram que um dos novos aparelhos fosse lançado
em produção. O Hind, enquanto isso, foi sendo
modernizado e as mais novas versões de exportação
são sub-variantes do modelo Mi-35.
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Ao
lado Esse Hind mostra a configuração
do Mi-35PM o rotor de cauda em X, entretanto,
ainda não foi instalado. (Foto: Rostvertol) |
O Mi-35M é obtido a partir do Mi-35 básico,
introduzindo-se modificações como aumento da
vida útil (através de inspeções
e reparos, onde necessário), modernização
dos rotores, adoção de trem de pouso fixo, introdução
de mísseis anticarro Spiral e ar-ar Igla, adoção
de telêmetro laser, cockpit compatível com óculos
de visão noturna, utilização de aletas
menores, redução de 300 kg do peso vazio, aumento
na altitude de vôo pairado e adoção de
um canhão bitubo de 23 mm em torreta sob o nariz.
O Mi-35P é derivado do Mi-35 básico; a diferença
principal é o emprego, ao invés da torreta giratória
com metralhadora de 12,7 mm, de um canhão de 30 mm,
bitubo, afixado ao lado direito da fuselagem. O Mi-35PM, às
vezes conhecido como Mi-35PN na própria literatura
do fabricante, mantém o canhão de 30 mm fixo,
adota aletas de menor envergadura, é dotado de cockpit
compatível com óculos de visão noturna,
trem de pouso fixo, novo rotor principal, rotor de cauda em
X, e outros melhoramentos. São mantidos
alguns itens já existentes no Mi-35: lançadores
de chaff e flares, jammers infravermelho, escudos térmicos
para a descarga dos motores, alerta radar, etc. O Mi-35P utiliza
dois motores TV3-117VMA (os mesmos empregados pelo Ka-50 e
pelo Mi-28) de 2.200 shp cada, enquanto o Mi-35PM tem uma
reserva de potência ainda maior, empregando motores
VK-2500 capazes de gerar, cada um, 2.400 shp.
Ao
lado AH-64D Apache na configuração
de máximo armamento anticarro: 16 mísseis
AGM-114L Hellfire (guiados por laser ou radar), além
do canhão de 30 mm (Foto: Boeing)
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Acima Close do
domo do radar AN/APG-78 Longbow, principal sensor do AH-64D.
(Foto: AgustaWestland) |
Apache
O primeiro helicóptero de ataque de segunda geração
foi o AH-64, escolhido pelo U.S. Army em 10 de dezembro de
1976, após uma competição da qual participou
o Bell YAH-63. O nome Apache foi adotado em 1981, e o primeiro
AH-64A de produção foi entregue ao exército
norte-americano em 26 de janeiro de 1984. Muito maior e mais
pesado que o Cobra, o Apache tinha como armamento principal
um canhão M230 de 30 mm (com cadência de aproximadamente
600 tpm, para o qual são transportados até 1.200
tiros), em reparo móvel localizado no nariz. Segundo
o U.S. Army, esse canhão pode vencer a blindagem de
um veículo russo BMP a até 4.000 m de distância.
Para ataque ao solo podiam também ser transportados
casulos de foguetes de 70 mm ou mísseis anticarro BGM-71
TOW ou AGM-114 Hellfire. Esse último, sendo do tipo
fire and forget, com alcance de até 8 km
e guiamento a laser, aumenta em muito a capacidade de sobrevivência
no campo de batalha, pois permite ao helicóptero expor-se
por tempo muito menor, bastando que o objetivo esteja sendo
designado por outro helicóptero (um OH-58 Kiowa, por
exemplo). Em algumas situações, o Hellfire pode
ser disparado no modo de tiro indireto, sem que o helicóptero
de ataque se exponha em nenhum momento.
Uma característica importante dos helicópteros
de ataque de segunda geração (e que foi incorporada
a vários de primeira geração, através
de programas de modernização) foi a adoção
de sensores específicos para aumentar a capacidade
de busca, aquisição e designação
de alvos, bem como de armamentos e sistemas de pontaria mais
sofisticados. No nariz do AH-64A encontra-se uma torreta que
abriga o TADS (Target Acquisition Designator System, ou Sistema
Designador para Aquisição de Alvos) e o PNVS
(Pilots Night Vision Sensor System, ou Sistema de Sensor
para Visão Noturna do Piloto). O TADS compõe-se
de sistemas óticos convencionais, FLIR (Forward-Looking
Infra-Red, ou Infravermelho de Visada Frontal) para
operações noturnas , sistema de TV de
alta resolução para operações
diurnas, designador de alvos/telêmetro a laser, e rastreador
de objetos iluminados por laser. Normalmente, o TADS é
operado pelo artilheiro/co-piloto. O PNVS dá ao piloto,
através do IHADSS (Integrated Helmet and Display Sight,
ou Visor Integrado com o Capacete e com o Display), uma visão
térmica do terreno.
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Ao
lado Essa vista do AH-64A permite visualizar vários
detalhes, entre eles os cortadores de cabo (um acima da
janela lateral do cockpit traseiro e outro à frente
da roda). Através do uso do IAHDSS (Integrated
Helmet and Display Sight System), o canhão está
conteirado para onde o piloto (cockpit traseiro) tem a
cabeça voltada. (Foto: Boeing) |
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Ao
lado Vista frontal do Apache, claramente mostrando
a posição do atirador (na frente) e do
piloto. (Foto: Boeing)
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O
AH-64A conta também com diversos outros sistemas, como
jammer de radar, ADS (Air Data Sensor, ou Sensor de Dados
Atmosféricos) localizado no topo do mastro, e LDNS
(Lightweight Doppler Naviagational Systems, ou Sistema Leve
Doppler de Navegação).
Em termos quantitativos, o AH-1, o Mi-24 e o AH-64 são
os mais importantes helicópteros de ataque do mundo
(ver tabela 1).
O primeiro uso do AH-64A em combate ocorreu durante a Operação
Just Cause (ataque ao Panamá em 1989, visando a deposição
do presidente Noriega); esse foi também o debut
em combate do Hellfire. Os Apache voaram 247 horas em combate,
mas embora vários tenham sido atingidos, nenhum foi
perdido.
Veio a seguir a Operação Desert Storm, contra
o Iraque, em 1991, quando o emprego do Apache foi muito mais
intenso. Naquela campanha, o U. S. Army empregou 1.193 helicópteros,
dos quais 277 eram AH-64A. Segundo números divulgados
pelo exército norte-americano, os Apache destruíram
mais de 800 carros de combate, 500 outros veículos,
60 bunkers/sítios de radar, 14 helicópteros,
dez aviões de combate e inúmeras posições
de artilharia de campanha e antiaérea. Foram disparados
2.876 Hellfire, e um Apache foi perdido (atingido por um lança-rojão
RPG-7), com a tripulação tendo escapado ilesa.
Mais recentemente, os israelenses também vêm
empregando o Apache com intensidade, em especial durante as
operações contra os palestinos em 2001 e 2002.
O total de AH-64A produzidos chegou a 937, sendo seis protótipos
e 821 modelos de série para o U. S. Army e os restantes
para exportação (ver
tabela 2). O último exemplar foi entregue ao Egito
em novembro de 1996. Ainda na década de oitenta, a
então McDonnell Douglas iniciou os estudos do Advanced
Apache/Apache Plus, extra-oficialmente conhecido como AH-64B;
esse modelo teria cockpit modernizado e novo sistema de direção
de tiro, mas o programa não foi implementado. Mais
adiante elaborou-se um Multi-Stage Improvement Program (MSIP,
ou Programa Multi-Estágios de Melhoramentos), que também
não foi adiante.
Vários ensinamentos foram colhidos durante a Guerra
do Golfo, entre eles que um fator limitador das operações
era a distância a que o helicóptero tinha que
se aproximar dos alvos para identificá-los distância
essa muito menor do que o alcance máximo de engajamento.
Dessas lições resultou um plano para a introdução
de vários melhoramentos em 254 AH-64A, gerando assim
o AH-64+; o programa, entretanto, foi cancelado.
Não há dúvida que o Hellfire, com guiamento
a laser e alcance de 8.000 m, é uma arma poderosa,
mormente quando combinado com os sistemas do Apache. Um AH-64A
pode, por exemplo, designar e engajar simultaneamente dois
alvos, de dia ou de noite, àquela distância.
Há, porém, limitações: o laser
e o FLIR, por exemplo, podem ser prejudicados pelas condições
atmosféricas. Um outro problema é que o uso
do Hellfire guiado a laser pode ser prejudicado quando o teto
estiver baixo. Isso acontece porque, após disparado,
o Hellfire sobe para uma altitude que pode variar de 150 m
a 500 m, quando então começa a procurar o alvo
iluminado pelo laser. Além disso, para designar um
alvo no alcance máximo com o laser de bordo, o AH-64A
precisa se expor por até 45 segundos, o que pode ser
fatal no moderno campo de batalha.
No início da década de 90 a tecnologia de MMW
(Millimeter-Wave, ou Onda Milimétrica) já estava
suficientemente madura para aplicação em sistemas
operacionais. Assim, em agosto de 1990 foi iniciado o desenvolvimento
do Longbow Apache, que incorporaria motores mais potentes,
barramento de dados MIL-STD-1553B, e um radar AN/APG-78 Longbow
colocado no topo do mastro do rotor, permitindo o uso de mísseis
AGM-114L Hellfire II com guiamento a laser ou radar MMW. O
AH-64C constaria de uma variante incorporando todos os melhoramentos
menos o radar eventualmente, porém, foi decidido
que todos os novos Apache seriam designados AH-64D, tivessem
ou não o radar.
O radar Longbow é imune à interferência
atmosférica, e permite ao Apache lançar seus
16 AGM-114L em rápida sucessão, se necessário.
Varrendo 50km2 de terreno, o Longbow pode detectar até
1.024 alvos potenciais, classificar 128 e mostrá-los
simultaneamente na tela. Dependendo dos critérios de
engajamento e do tipo dos alvos, 16 deles serão priorizados.
Em agosto de 1996 foi assinado um contrato para a produção
de 232 AH-84D para o U. S. Army; as entregas se iniciaram
em março do ano seguinte. Os motores empregados nos
primeiros AH-64A eram General Electric T700-GE-701 (2 x 1.660
shp), mas após a produção do 60ô exemplar
foi adotado o T700-GE-701C (2 x 1.890 shp), mantido no AH-64D.
Ainda em 1995 a Holanda encomendou 30 AH-64D (inicialmente
não havia sido especificado radar para esses helicópteros,
mas depois essa decisão foi revertida), enquanto o
exército do Reino Unido anunciou a compra de 67 WAH-64D
(oito serão totalmente produzidos nos Estados Unidos,
enquanto 59 serão fornecidos em forma de kits para
montagem pela AgustaWestland em Yeovil, no sul da Inglaterra).
Os Apache britânicos utilizarão motores Rolls-Royce
Turbomeca RTM322, de 2.100 shp. Em 1999, foi assinado um contrato
para o fornecimento de oito AH-64D à Força Aérea
de Cingapura, com opções para mais doze, confirmadas
em 2001. Em abril de 2002, o Departamento de Defesa americano
notificou ao Congresso sobre uma possível venda de
16 AH-64D ao Kuwait, num pacote de aproximadamente US$2,1
bilhões que incluiria 96 mísseis AGM-114L3,
288 mísseis AGM-114K, dezesseis TADS modernizados,
foguetes de 70 mm, munição para o canhão
de 30 mm, além de outros itens.
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Ao
lado Até a entrada em serviço do EC665,
o A129 Mangusta continuará sendo o único
helicóptero de ataque desenvolvido na Europa a
ter entrado em operação. O da foto está
armado com dois casulos para um total de 38 foguetes de
70 mm e dois casulos para 7 foguetes Medusa de 81mm cada
um. (Foto: AgustaWestland). |
A129
Mangusta
Embora não seja tão conhecido como outros helicópteros
de ataque, o A129 Mangusta merece destaque por ser o primeiro
desse tipo de aeronave a ter sido desenvolvido e colocado
em operação na Europa. Concebido originalmente
como um helicóptero leve de ataque ao solo, o Mangusta
era um dos membros de uma família que incluiria
variantes específicas para outras missões, inclusive
transporte e busca e salvamento. Eventualmente, apenas a versão
de ataque ao solo transformou-se em realidade, mas evoluiu
para uma aeronave bem mais capaz do que a original.
O conceito do A129 começou a tomar forma em 1978, com
a configuração final sendo definida em 1980,
concluindo-se o projeto em novembro de 1982. No ano anterior
foi divulgado o Requisito Operacional Básico do exército
italiano, visando um helicóptero para esclarecimento/ataque
anticarro. Em setembro de 1983 voou o primeiro protótipo;
em dezembro de 1987 foi assinado um contrato para a produção
dos primeiros 15 A129.
Entre janeiro de 1993 e março de 1994, o A129 foi utilizado
operacionalmente pelo exército italiano na Somália,
na Operação Ibis. Somente três helicópteros
foram empregados, tendo voado um total de 844 horas em 878
saídas para 493 missões. De janeiro a março
de 1995 aconteceu a Operação Ibis II, na qual
quatro A129 foram utilizados. As operações na
Somália revelaram que metralhadoras/canhões
seriam desejáveis. Assim, os vários Mangusta
enviados para a Albânia em 1997 receberam a instalação
de casulos HMP-50 da FN-Herstal, com uma metralhadora de 12,7
mm com 250 tiros.
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Ao
lado O A129 International da foto está configurado
com canhão de 20 mm, casulos de foguetes e mísseis
ar-ar Stinger. Observe-se o rotor principal, com cinco
pás e as tomadas de ar, reconfiguradas para os
motores T800.
(Foto: AgustaWestland)
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A
versão atual do Mangusta é o A129 International,
uma variante multi-função com novos motores,
rotor principal de cinco pás, e um canhão M167
de 20 mm numa torreta giratória no nariz. Enquanto
o A129 Mangusta utiliza dois motores Rolls-Royce GEM 1004,
cada um capaz de gerar continuamente 825 shp, o A129 International
adota dois LHTEC T800-LHT-800 (2 x 1.362 shp). O A129 International
tem sido oferecido a vários países, mas até
agora nenhum contrato foi fechado. No final de 2001 o Exército
Italiano assinou contrato com a AgustaWestland para a modernização
dos 45 A129 que tem em uso para o mesmo padrão definido
para os 15 exemplares ainda em produção. O programa
inclui a instalação de rotor principal de cinco
pás, nova transmissão, fuselagem e trem de pouso
reforçados (permitindo aumento de 15% no peso máximo
de decolagem), e canhão de 20 mm no nariz (em torre
giratória alimentada com 300 tiros).
Eurocopter
665 Tiger/Tigre
O programa do EC665 originou-se em 1984, quando os governos
francês e alemão assinaram um Memorando de Entendimento
cobrindo o desenvolvimento de uma família de helicópteros
de ataque para substituir, respectivamente, o Gazelle e o
Bö105P. Em 1987 foi anunciado o programa, mas o contrato
de desenvolvimento só foi assinado em 1989 demonstração
clara das dificuldades em estabelecer as participações
das empresas de cada país (no caso, Aerospatiale e
MBB) em programa internacionais. O primeiro protótipo
voou em abril de 1991, e já então a aeronave
era conhecida pelo nome de Tigre/Tiger (em francês e
alemão).
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Ao
lado Vista da variante HAP do Tigre, para a Aviation
Legère de lArmée de Terre. Note-se
que os equipamentos eletro-óticos são posicionados
sobre a fuselagem, abaixo do rotor. Além do canhão,
o
armamento na foto consta de foguetes ar-solo
e mísseis ar-ar.
(Foto: J. Deulin/Eurocopter) |
Ao
lado Variante UHT do Tiger, para a Alemanha. Em
destaque, o visor colocado no topo do mastro do rotor
e os cortadores de cabos. (Foto: Eurocopter) |
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O
programa enfrentou uma série de marchas e contramarchas,
que não cabe descrever aqui, bastando mencionar que
atualmente existem duas variantes anticarro (HAC, ou Helicoptère
Anti-Char, para o exército francês, e UHT, para
o alemão) e uma polivalente (HCP, ou Helicoptère
de Combat Polyvalent, para a França) essa segunda
versão é conhecida como Gerfaut, mas atualmente
usa-se em geral o nome Tigre.
O HAP é equipado com um canhão 30 mm, móvel,
no nariz, e pode transportar, além de 44 foguetes de
68mm, quatro mísseis ar-ar Mistral. A Aviation Legère
de lArmée de Terre (Aviação Leve
do Exército) o utilizará basicamente para escolta
e ataque leve; os pilotos disporão de óculos
de visão noturna e a aeronave possuirá, sobre
a fuselagem (abaixo do rotor) um visor diurno combinado com
TV de baixa luminosidade e um sistema FLIR.
A versão anticarro (HAC, para os franceses, e UHT,
para os alemães) é facilmente distinguível
do HAP por não possuir o canhão no nariz e por
ter, no topo do mastro do rotor, o visor Osiris. O principal
armamento anticarro serão mísseis Trigat ou
HOT 3; alternativamente, podem também ser instalados
nos pilones casulos de foguetes de 68mm, canhões de
20 mm ou mesmo tanques suplementares de combustível.
Pela primeira vez num helicóptero de ataque ocidental,
o piloto ocupa o assento dianteiro e o atirador o traseiro.
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Ao
lado Close-up do Tigre, mostrando o
posicionamento dos motores MTR390. Note-se a separação
física entre as turbinas, diminuindo o risco de
que as duas sejam avariadas por um mesmo impacto. (Foto:
MTU). |
Originalmente
previa-se a produção de 427 Tiger (75 HAP e
140 HAC para a França, além de 212 PAH-2
como era então conhecida a versão anticarro
da Alemanha para o exército daquele país).
Posteriormente, a França especificou 115 HAP e 100
HAC, enquanto a Alemanha manteve a mesma quantidade, mas agora
da variante UHT. Cortes nos orçamentos de defesa francês
e alemão poderão eventualmente reduzir de forma
considerável esses números. De qualquer forma,
em junho de 1999 foi assinado um contrato para a produção,
pela Eurocopter, de 70 HAP, dez HAC e 80 UHT. Todas as variantes
são impulsionadas por um par de motores MTU/Rolls-Royce/Turbomeca
MTR390 com potência máxima contínua de
1.171 shp.
Em agosto de 2001 o governo da Austrália anunciou que
o EC665, numa versão baseada no HAP, era o vencedor
de sua tumultuada competição Air 87, para 22
helicópteros de ataque destinados ao exército.
Os outros concorrentes eram o AH-64D, o RAH-1Z (na primeira
fase da competição a Bell apresentara o AH-1W,
que foi eliminado), o Rooivalk, o A129 (numa versão
conhecida como Scorpion, capaz de utilizar mísseis
AGM-114 Hellfire) e uma versão de ataque do UH-60L,
conhecida como Battlehawk.
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Ao
lado Vista frontal do AH-2A Rooivalk, mostrando
a excelente visibilidade de que dispõe a tripulação.
O helicóptero é transportável em
aeronave C-130.
(Foto: H. Thacker/Denel)
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Rooivalk
Os contratos emitidos pela South African Air Force em 1981
para o desenvolvimento de um helicóptero de ataque
no país resultaram em dois tipos de aeronaves, ambos
desenvolvidos pela Atlas Aviation (uma subsidiária
da Denel): o XH-1 Alpha (desenvolvido a partir do Alouette
III, e que voou em 1985) e o XTP-1 Beta (desenvolvido a partir
do Puma). O passo seguinte foi o XH-2 Rooivalk (posteriormente
designado CSH-2, e mais adiante AH-2), que voou em fevereiro
de 1990. Com a cessação dos combates em que
o país estava envolvido, a SAAF abandonou o requisito
operacional, e o programa foi interrompido.
Posteriormente, o programa foi reiniciado com fundos próprios,
e mais um protótipo voou (em 1992), seguido por um
modelo de pré-produção (em 1996). Em
julho de 1996, a Denel acabou obtendo um contrato para a entrega
de 12 Rooivalk para a SAAF, designados AH-2A. O primeiro foi
entregue em novembro de 1998, sendo alocado ao No. 6 Squadron
no começo do ano seguinte.
O Rooivalk é uma aeronave bastante sofisticada, sendo
capaz de realizar missões de dia ou de noite; dispõe
de TV de baixa luminosidade, designador e telêmetros
laser, FLIR, Visor Integrado ao Capacete para os dois tripulantes,
etc. Além do canhão no nariz (20 mm, com até
750 tiros), pode transportar casulos de foguetes e até
16 mísseis anticarro Mokopa, guiados a laser. O grupo
propulsor é formado por dois motores Atlas Topaz (Turbomeka
Makila 1A2 produzido sob licença na África do
Sul), cada um com 1.819 shp. Segundo a Denel, a aeronave poderá
futuramente ser equipada com motores RTM22, os mesmos usados
nos Apaches do Reino Unido.
Embora tenha participado em várias concorrências
internacionais, o Rooivalk ainda não foi bem sucedido.
Enquanto isso, a Denel trabalha no aperfeiçoamento
da aeronave, e em 1998 foi anunciada a existência do
projeto para uma versão navalizada, com um radar de
busca de superfície com cobertura de 360º e equipado
com mísseis antinavio e rotor principal dobrável.
PARTE
2 >>
NOTA
DO EDITOR: Este artigo trata
apenas dos helicópteros de ataque autênticos.
Não estão incluídos helicópteros
leves armados (como o OH-58 Kiowa, OH-6 Cayuse, Ecureuil,
Gazelle, Bö105,etc.), pois embora possam ser utilizados
para ataque, na realidade pertencem a outra categoria, sendo
usados em geral para esclarecimento e/ou designação
de alvos para os verdadeiros helicópteros
de ataque. Pelo mesmo motivo, deixaremos de fora helicópteros
de transporte convertidos para ataque (Mi-8, Mi-17, etc.).
O armamento mencionado (tanto no texto como na tabela) deve
ser interpretado apenas como exemplo, pois obviamente são
possíveis inúmeras outras combinações
de mísseis anticarro, mísseis antiaéreos,
foguetes e casulos podem ser adotados.
Não está sendo mencionada com ênfase a
capacidade ar-ar dos helicópteros tratados por razões
de limitação de espaço. O assunto, porém,
poderá vir a ser tema de futuro artigo.
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