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Fragatas
para o Chile
Com o seu ambicioso Proyecto
Tridente adiado, a Armada de Chile se vê na
iminência de ter que adquirir, a curto prazo, algumas
fragatas de segunda mão.
R. Ruizree
A
aquisição de dez caças Lockheed Martin
F-16C/D Block 50/52 para a Fuerza Aérea de Chile,
anunciada no ano passado pela Ministra da Defesa, Sra. Michelle
Bachelet, e concretizada no início de 2002, inviabilizou
o cronograma previsto para o Proyecto Tridente,
programa através do qual a Armada de Chile tencionava
equipar-se, até 2010, com quatro fragatas novas.
Para melhor entendimento do contexto em pauta e para uma
avaliação mais precisa da importância
do programa para a marinha chilena, cabe historiar o processo.
A quantidade de meios de superfície de que dispõe
a Escuadra Nacional, principal força operativa da
Armada de Chile, tem decaído de forma acelerada em
anos recentes. Em 1994 haviam na ativa dez navios de escolta;
em 1995 esse número caiu para nove; em 1996 haviam
oito, e em 1999 apenas seis número mantido
atualmente. Em 2008 apenas dois desses navios estarão
operacionais, e em 2009 não restará mais nenhum.
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Ao
lado
As fragatas Meko A200ACH, desenvolvidas pela empresa
alemã Blohn + Voss, foram as vencedoras na competição
do Proyecto Tridente. (Arte: B+V) |
Pela
avaliação da Armada, o ideal seria ter oito
modernos navios de escolta, com capacidade oceânica,
capazes de operar helicópteros pesados (Super Puma/Cougar
ou similar). Assim, foram inicialmente estabelecidos os
Requisitos de Alto Nível, e com base nessas características
foi iniciada a análise de duas opções:
adquirir unidades de segunda mão ou construir novas
plataformas.
Foram examinados 15 tipos de navios que poderiam ser retirados
de serviço em seus países de origem nos próximos
anos. A maioria, porém, dispunha de menos de 15 anos
de vida útil pela frente ou não podia acomodar
helicópteros Super Puma/Cougar, o que fez com que
fossem descartados. Finalmente foram pré-selecionados
três tipos, dos quais se fez avaliações
técnica e econômica (considerando não
só os custos de aquisição, mas também
os de reativação e operação),
e com base nessa análise de custo/benefício
foi estabelecida uma ordem de mérito relativo.
Os requisitos chilenos especificavam uma fragata com deslocamento
entre 3.000 t e 4.000 t, propulsão diesel ou a gás
(ou uma combinação dos dois), velocidade máxima
superior a 26 nós, capacidade de operar helicóptero
com peso de 10 t, versatilidade (capacidade anti-superfície,
antiaérea e anti-submarino), e tripulação
máxima de 140 pessoas. O levantamento das plataformas
novas identificou um total de 32 tipos que atenderiam a
essas exigências. Os estaleiros ou empresas de engenharias
envolvidas na construção ou no projeto receberam
um Pedido de Informações (Request for Information),
baseado no qual foi feita uma avaliação mais
detalhada, indicando-se então os quatro projetos
mais promissores.
Após examinar-se as vantagens e desvantagens de se
construir os navios em seu país de origem ou no próprio
Chile, considerou-se ser mais conveniente em termos econômicos
que a construção fosse feita localmente, pela
ASMAR (Astilleros y Maestranzas de la Armada). A comparação
com a avaliação dos três tipos de navios
de segunda mão revelou que navios novos ofereciam
várias vantagens: menor custo de operação,
menos custo em termos de pessoal, maior facilidade de obtenção
de peças de reposição, maior flexibilidade,
uso soberano, maior vida útil, transferência
de tecnologia, etc.

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MAIOR
No final de 1998 o Chile ofereceu à Argentina a possibilidade
de associação ao projeto de construção
de novas fragatas (utilizou-se a denominação
Fragata Binacional), já que a economia de escala
que adviria do maior número de unidades a serem construídas
era um atrativo importante. Problemas orçamentários
impediram que a Argentina pudesse aceitar a oferta.
Em 2 de agosto de 1999, os quatro estaleiros/escritórios
de engenharia cujos projetos eram mais promissores receberam
um pedido de apresentação de propostas. Após
pedir a todas as empresas envolvidas suas ofertas
melhores e finais(best and final offers),
o Chile realizou uma avaliação global, finalizada
em 15 de outubro de 1999, com a escolha da MEKO 200ACH,
da Blohm + Voss, da Alemanha. Em novembro, o presidente
da República autorizou a adjudicação
do contrato de engenharia básica.
Os objetivos, então, já estavam bem definidos:
a primeira unidade seria construída na Alemanha,
e as três restantes no Chile. Além disso, o
governo chileno queria offsets no valor de 100% do que fosse
gasto na construção da primeira unidade e
na compra dos equipamentos e sistemas para os três
navios subsequentes. Esse investimento estava estimado em
US$650 milhões.
A decisão de adiar indefinidamente o Proyecto
Tridente causou mal-estar no Alto Comando naval do
Chile. Entretanto, um observador mais atento poderia ter
notado que politicamente seria difícil justificar
o sinal verde para a compra das fragatas, em detrimento
da aquisição dos F-16. O governo do Chile
já vinha aplicando recursos consideráveis
em um outro programa naval, a aquisição de
dois submarinos classe Scorpène (atualmente
construídos em conjunto pela DCNI, da França,
e pela Izar, da Espanha), o OHiggins e o Carrera,
para a substituição das duas unidades classe
Oberon em uso (Hyatt e OBrien).
O primeiro deles deve ser entregue no primeiro semestre
de 2004 e o outro um ano depois. A Fuerza Aérea de
Chile, portanto, achava que agora era a sua vez.
De
volta ao futuro
Tendo grande parte de seus interesses comerciais voltados
para a região asiática banhada pelo Oceano
Pacífico, o Chile precisa de meios navais de superfície
para proteger rotas marítimas comerciais sem
contar, é claro, com a necessidade de manter paridade
com seu vizinho do Norte, o Peru.
A urgente necessidade de renovação de meios
permanece, e a situação vigente levou o governo
a, em conjunto com o Alto Comando da Armada, adotar uma
dupla linha de ação. Num primeiro momento,
deverão ser adquiridos dois navios de segunda mão
conhecidas como Fragata de Transición,
e posteriormente aberta uma nova competição
internacional para a aquisição de quatro fragatas
novas, tendo o governo se compromissado a assinar o respectivo
contrato antes do término do atual mandato, em 2006.
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Ao
lado
Os Estados Unidos talvez se dispusessem a ceder duas
unidades da Classe Spruance para a Armada
de Chile, como o USS Nicholson, visto na foto
em 18 de dezembro de 1998, em ação no
Golfo Pérsico. (Foto: U.S. Navy /Todd Cichonowicz) |
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Ao
lado
Uma opção talvez menos dispendiosa do
que os Spruance para a Armada de Chile
seria, certamente, a compra ou o arrendamento de duas
Fragatas da Classe Oliver Hazard Perry,
como a USS Rodney M. Davis. (Foto: U.S. Navy/Lt.
Corey Barker)
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Cinco
países já apresentaram propostas para o fornecimento
de navios usados; embora não tenham sido divulgados
muitos detalhes, não é impossível enumerar
algumas das opções disponíveis: Estados
Unidos (fragatas Oliver Hazard Perry e contratorpedeiros
Spruance), Itália (fragatas Lupo
e Maestrale), Holanda (fragatas Kortenaer),
Alemanha (fragatas Bremen), e Reino Unido (possivelmente
fragatas Type 22 e talvez Type 23).
Uma outra possibilidade poderia ser o contratorpedeiro Type
42/Batch 1 (Reino Unido).
Os Estados Unidos incorporaram, entre 1975 e1982, um total
de 24 contratorpedeiros da classe Spruance.
Muitos deles já foram desativados (dos quais a maioria
foi vendida como sucata), e o processo de desincorporação
continua. Embora seja concebível que a U. S. Navy
pudesse passar dois desses navios que são,
é claro, extremamente capazes , para a Armada
de Chile, muito provavelmente eles são grande demais
(171,6 m de comprimento, 16,7 m de boca, deslocamento carregado
de 9.250 t e tripulação de 354 homens, sem
contar o pessoal do grupo aéreo) e complexos para
as necessidades chilenas. Entre 1979 e 1989, os Estados
Unidos colocaram em serviço 51 fragatas Oliver
Hazard Perry, e muitas já foram transferidas
para outras marinhas. Esses navios têm capacidade
de defesa de área, do míssil Standard. O Chile
esteve interessado nas Oliver Hazard Perry,
mas os Estados Unidos aparentemente negaram-se a vendê-las.
Hoje em dia é possível que os americanos adotassem
outra linha de ação.
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Ao
lado
Se o Chile adquirir duas fragatas da classe Lupo
(na foto a Montero, do Peru), o total desses
navios em uso na América do Sul subirá
para doze. (Foto: Fincantieri) |
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Ao
lado
Por serem maiores, os navios da classe Maestrale
(entre os quais está a Espero, F576)
possivelmente seriam preferidos pela Armada do Chile
em comparação com os da classe Lupo.
(Foto: Fincantieri)
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Curiosamente, as Lupo são o tipo de fragata
mais utilizado na América do Sul, já que quatro
são empregadas pelo Peru e seis pela Venezuela (foi
concluída a modernização de uma delas
a Mariscal Sucre nos Estados Unidos,
e continuam os trabalhos na segunda, a Almirante Brion).
Entretanto, tendo sido incorporados entre 1977 e 1980, esses
navios podem ser um pouco antigos demais, já que a
intenção chilena é comprar navios que
tenham pela frente uma vida útil de pelo menos 20 anos.
Por isso, as chances de que o Chile prefira as Maestrale;
embora o número de mísseis antinavio seja menor,
e a velocidade inferior à das Lupo, as
Maestrales sendo maiores possuem
hangar maior, melhores qualidades marinheiras (importantíssimo
para a operação das aeronaves), têm maior
alcance e transportam duas recargas (16 mísseis) para
o lançador óctuplo de mísseis antiaéreos
(as Lupo não dispõem de recarga).
As poucas Kortenaer ainda disponíveis para
venda foram incorporadas entre 1981 e 1982 das restantes,
quatro já foram transferidas para a Grécia (que
possui também duas adquiridas quando ainda em construção)
e duas para os Emirados Árabes Unidos. Tratam-se de
navios de 130.2 m de comprimento, 14.4 m de boca e com deslocamento
carregado de 3.786 t. O armamento inclui mísseis antiaéreos
Sea Sparrow (um lançador óctuplo), oito mísseis
antinavio Harpoon, um canhão de 76mm/62, um sistema
de defesa de ponto Goalkeeper de 30 mm, dois canhões
Oerlikon de 20 mm, e dois reparos duplos de tubos lança-torpedos
de 324 mm além disso, podem operar um helicóptero.
Seriam uma escolha excelente, principalmente caso o Chile
eventualmente decida construir fragatas da classe Karel
Doorman para sua marinha.
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Ao
lado
Numa só foto, dois tipos de fragatas que podem
estar nos planos chilenos: a F825 Jan van Brakel
é da classe Kortenaer, enquanto a
F833 é a Van Ness, da classe Karel
Doorman, muito mais moderna. (Foto: Real Marinha
Holandesa) |
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Ao
lado A Fragata Bremen, vista no Mar Adriático.
A Alemanha se dispõe a transferir para o Chile
unidades desta Classe, baseada na Kortenaer
(Foto: Detmar Modes, BMVg)
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As fragatas alemãs da classe Bremen, ou
Type 122 são uma variante da classe holandesa
Kortenaer, e oito foram incorporadas entre 1982
e 1990. Deslocando 3.800 t quando carregados, esses navios
como as Kortenaer têm capacidade
antiaérea, anti-submarino e anti-superfície
bastante equilibrada, contando com praticamente o mesmo armamento
de suas irmãs holandesas. A única
diferença é que a defesa aproximada agora está
a cargo de dois lançadores de mísseis RAM instalados
a ré, sobre o hangar, cada um com capacidade para 21
mísseis. Podem operar um helicóptero do porte
do Super Puma/Cougar. Caso o Chile pense em futuramente retomar
a decisão de adquirir a classe MEKO A200ACH, seria
lógico optar pelas Bremen agora. Isso transformaria
a Alemanha no seu principal fornecedor de navios de superfície,
deslocando o Reino Unido da posição hegemônica
que vem mantendo nesse setor.
A maior atração para os chilenos seriam os navios
de origem britânica. A Grã-Bretanha tem sido
tradicional fornecedora de unidades de superfície para
o Chile (como os seis navios de escolta atualmente em uso
pela Escuadra). Não se sabe ao certo quais navios de
segunda mão o Reino Unido está oferecendo, mas
é possível que entre eles estejam dois contratorpedeiros
Type 42/Batch 1, dos quais alguns ainda estão
em uso, tendo sido incorporados entre 1978 e 1982. Os navios
utilizam o míssil antiaéreo Sea Dart, de defesa
de área.
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Ao
lado Com seus mísseis Sea Dart, os
contratorpedeiros Type 42 (aqui representados
pelo D92 Liverpool)
introduziriam na Armada de Chile a capacidade de defesa
antiaérea de área.
(Foto: Vickers) |
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Ao
lado A F85 Cumberland é uma das
três fragatas Type 22 Batch 3 atualmente
em uso na Royal Navy. (Foto: Yarrow)
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As pouquíssimas fragatas Type 22/Batch 2
remanescentes são mais novas (tendo entrado em serviço
na segunda metade da década de 80 (e o Brasil poderia
também estar interessado nelas), mas as Type
22/Batch 3 são bem mais novas (incorporadas de
1988 a 1990), e atenderiam melhor ao requisito de vida útil
objetivado pelo Chile. Essas fragatas (classe Cornwall)
deslocam 4.850 t quando carregadas, têm 148,1 m de comprimento
e 14,75 de boca, e são armadas com um canhão
Mk.8 de 114 mm, dois lançadores sêxtuplos de
mísseis antiaéreos Seawolf, oito mísseis
antinavio Harpoon, um sistema Goalkeeper de 30mm para defesa
aproximada, dois reparos triplos de tubos lança-torpedos
de 324 mm e dois canhões de 20mm. Podem operar dois
helicópteros médios (classe do Lynx) ou um pesado
(como o Super Puma/Cougar), e sua suite de radares, sonares
e de guerra eletrônica são razoavelmente atualizadas.
Há, porém, uma outra possibilidade que, para
a Armada de Chile, poderia se afigurar como a mais conveniente:
fragatas Type 23 (ou classe Duke),
das quais um total de dezesseis foi ou está sendo construída
para a Royal Navy. Além de serem as mais modernas,
são compatíveis com helicópteros do tamanho
do Super Puma/Cougar. Posteriormente, poderiam ser construídas
mais quatro Type 23 no próprio Chile, e
as vantagens de se ter navios usados e novos de uma mesma
classe são evidentes. Teoricamente as Type 23
da Royal Navy não estão à venda, mas
o governo trabalhista está realizando uma revisão
nos meios das forças armadas do RU, que poderá
resultar em que duas Type 23 venham a ser declaradas
excedentes o que cairia como uma luva para as intenções
chilenas. Além disso, é mais do que provável
que o Reino Unido concorde em transferir duas Type 23
(por venda ou arrendamento) caso o Chile se comprometa a,
no futuro, assinar contrato para a construção
de mais quatro.
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Ao
lado A F230 Norfolk é o navio que
dá nome à classe de fragatas britânicas
do tipo Type 23. Se o Chile decidir pela
futura construção de quatro novos navios
dessa classe, é possível que o Reino Unido
concorde em transferir duas de suas Type 23
em uso. (Foto: Vosper) |
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As Type 23 deslocam 4.300t carregadas, têm
133,0 m de comprimento, 16,1 m de boca, e 5,50 de calado máximo.
São armadas com um canhão Mk.8 de 114 mm, 32
mísseis Seawolf de lançamento vertical, oito
mísseis Harpoon, dois canhões de 30 mm, dois
reparos duplos de tubos lança-torpedos de 324mm e podem
operar um helicóptero de grande porte. Possuem um radar
de navegação Kelvin-Hughes 1007, um radar de
navegação Decca Type 1008, um radar de busca
combinada Plessey Type 996(2), dois radares Marconi Type 911
(para direção de tiro dos Seawolf), um sonar
de casco Thomson-Marconi Type 2050NE e um sonar passivo de
hidrofone rebocado Dowty Type 2031 (Z). A propulsão
é do tipo CODLAG (combined Diesel-Electric and Gas
Turbine), utilizando duas turbinas Rolls-Royce SM1 Spey, 4
conjuntos geradores a diesel Paxman Valenta 12 RPA 200CZ,
e dois motores elétricos de cruzeiro.
Futuras
fragatas
Na concorrência original do Proyecto Tridente,
a Type 23 era uma das alternativas consideradas
como mais atraentes. Entretanto, a prisão do General
Pinochet quando em visita a Londres eliminou qualquer chance
que o projeto britânico pudesse ter. Mesmo assim, os
britânicos continuaram e continuam empenhados em manter
as tradicionais boas relações com o Chile e
a forte presença na Marinha local. Essa presença,
que hoje ainda é considerável, decairá
substancialmente com a incorporação dos dois
novos submarinos (e a conseqüente aposentadoria do OBrien
e do Hyatt, ambos da classe britânica Oberon),
e com a desincorporação gradativa das seis unidades
de superfície que compõem a Escuadra Nacional.
Assim, a Type 23 vai continuar a ser ativamente
promovida no Chile, e prova disso foi a presença em
Valparaíso, durante a Exponaval2000, da HMS
Iron Duke.
Incentivados pela vitória na concorrência dos
submarinos, com a classe Scorpène, franceses
e espanhóis aguardam ansiosamente a nova competição.
Os franceses apresentarão uma versão menor da
classe La Fayette, enquanto a proposta espanhola
deverá ser uma variante da classe F100,
que o estaleiro Izar (ex-Bazán) projetou e está
construindo para a Marinha espanhola, em número de
quatro. Deslocando 5.802 t quando carregados, os navios dessa
classe tem 146,7 m de comprimento, 17,5 m de boca, e podem
operar um helicóptero de 10 t. Uma versão chilena
muito provavelmente seria menor (talvez do porte da classe
Fritjof Nansen, que a Izar está construindo
para a Noruega, e que desloca 5.161 t quando carregada, tem
comprimento de 132,0 m e boca de 16,8 m, mas também
pode operar um helicóptero de 10t) e poderia não
ser equipada com o sistema AEGIS, nem com o radar Lockheed
SPY-1, devido ao custo envolvido.
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Ao
lado A DCNI, da França, deve propor ao
Chile uma versão menor de sua fragata furtiva
da classe La Fayette. (Foto: DCNI)
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Ambos os tipos já haviam participado do Proyecto
Tridente, o que pode ser um ponto bastante positivo,
já que as características dos navios já
foram analisadas em profundidade pelos chilenos.
Os holandeses concentram suas esperanças na classe
Karel Doorman, oito das quais foram incorporadas
na marinha daquele país entre 1991 e 1995. Esses
navios, também conhecidos como classe M,
são compactos (122,2 m de comprimento, 14,3 m de
boca, deslocamento carregado de 3.320t), e têm um
razoável grau de compatibilidade com a classe Kortenaer.
Em termos de armamento, a principal diferença é
que seus mísseis Sea Sparrow são colocados
em lançadores verticais.
A B+V já iniciou a campanha para manter a A200ACH
na mira da Armada de Chile. O presidente do estaleiro, Herbert
von Nitzsch, entrevistou-se em Valparaíso com o Diretor
de Projetos da Armada, Contra-Almirante Juan Illanes, e
com diretores da ASMAR. Na ocasião, Nitzsch mostrou
interesse em adiantar o projeto para que, caso o mesmo fosse
reativado, não se tivesse perdido tanto tempo. Paralelamente,
o chanceler alemão Gerhard Schröder informou
ao presidente Ricardo Lagos que a Alemanha estaria disposta
a assumir certos compromissos com o Chile (presumivelmente
na área de offset) caso se concretizasse o contrato
para a construção das fragatas A200ACH.
A decisão de quais navios de segunda mão adquirir
será anunciada ainda em 2002, para que se possa em
2004 ter os navios operando no Chile. Quanto às novas
fragatas, se tudo correr bem espera-se reativar o programa
em 2005. A Armada de Chile mantém, pelo menos oficialmente,
a intenção de ter em uso, no início
da próxima década, uma frota de dez navios
de escolta. Como os chilenos desejam agora duas fragatas
de segunda mão com vida útil remanescente
de pelo menos 20 anos, deduz-se que a médio prazo
o objetivo é seis, e não quatro, navios novos.
NOTA:
No
final de dezembro de 2002, o governo chileno anunciou a
compra, por US$ 15 milhões, da fragata britânica
HMS Sheffield. Leia mais aqui
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