Acima O VBL, da Panhard, é utilizado em várias regiões do mundo. Entretanto, talvez seja pequeno demais para atender a todos os requisitos do Exército Brasileiro (Foto: Segurança & Defesa).

O programa do Exército Brasileiro para a aquisição de uma quantidade considerável de veículos blindados leves 4x4 torna oportuno um rápido exame de algumas das opções existentes.

• R. Ruizree

Durante a Segunda Guerra Mundial, os veículos 4x4 de 1/4 t — vulgarmente conhecidos como jipes, uma adaptação da abreviatura GP (de General Purpose, ou Emprego Geral) — tornaram-se uma presença comum e numerosa nas unidades do exército americano. A grande quantidade de jipes disponíveis ao final daquele conflito tornou inevitável seu uso por um grande número de exércitos no período pós-guerra, mormente para missões de reconhecimento e ligação.
Apesar de suas conhecidas limitações, a simplicidade, rusticidade e praticidade do veículo acabaram resultando em uma espantosa longevidade. Vários países (entre eles os próprios Estados Unidos) desenvolveram sucessores do veículo original (como o M107, largamente empregado na época do envolvimento americano no Vietnã), a maioria dos quais manteve as características visuais já sobejamente conhecidas.
Um dos pontos negativos do jipe era o fato de não oferecer à guarnição praticamente nenhuma proteção contra minas, tiros, ou estilhaços. As tentativas de blindar o jipe, parcial ou totalmente, não foram muito bem sucedidas, pois a suspensão do veículo não reagia bem à carga adicional. Eventualmente, os principais exércitos do mundo acabaram por substituí-lo por veículos mais sofisticados (e logicamente mais caros e mais pesados), que embora mantendo-se dentro de limites dimensionais aceitáveis e continuando a tradição de versatilidade, apresentassem melhor desempenho e maior mobilidade fora de estrada, bem como oferecessem de um razoável nível de proteção para seus ocupantes.
No Brasil, a Engesa desenvolveu a viatura leve de reconhecimento EE-3 Jararaca, da Engesa, com peso de combate de 5.800 kg, motor de 120 hp e guarnição de três homens. Por uma série de fatores, que não cabe aqui discutir, o veículo jamais preencheu totalmente as expectativas daqueles que desejavam vê-lo distribuído em larga escala pelas unidades de cavalaria do EB.
Por outro lado, o EE-9 Cascavel foi um retumbante sucesso, e um considerável número serve em unidades da Força Terrestre, o mesmo acontecendo com o igualmente bem sucedido EE-11 Urutu. Ambos os veículos, porém, estão inexoravelmente chegando ao final de sua vida útil, e a tendência é que sua manutenção fique cada vez mais cara. Foi exatamente a necessidade de substituição do EE-9 e do EE-11 que levou o Exército Brasileiro a elaborar um programa para a obtenção da NFBR (Nova Família de Blindados de Rodas), que envolve uma uma Sub-Família de Blindados de Rodas Leves (SFBRL) e uma Sub-Família de Blindados de Rodas Médios (SFBRL).
Assim, o EB pretende se mobiliar com mais de mil e duzentas viaturas blindadas de rodas leves, em várias variantes: reconhecimento, anticarro, radar, posto de comando, observador avançado e porta-morteiro. Com peso de combate máximo igual ou inferior a 75.000 kN (7.653 kg), e desejável de 60.000 kN (6.122 kg), as viaturas da SFBRL (Sub-Família de Blindados de Rodas Leves) terão a configuração 4x4. Existem outros requisitos, alguns dos quais são mandatórios (autonomia mínima de 400 km, transportabilidade por aeronaves C-130 e similares, elevada mobilidade em qualquer terreno, proteção balística adequada, baixa silhueta, facilidade de manutenção, etc.), enquanto outros são desejáveis (capacitação anfíbia, por exemplo) . A idéia inicial era assinar o contrato no início de 2002, com entregas começando em 2005 e sendo concluídas em 2010. Até o final de janeiro de 2002, entretanto, de concreto só haviam os ROB (Requisitos Operacionais Básicos), não tendo sido ainda emitida a solicitação de propostas, o que mostra que o cronograma vai ter que ser repensado.
O próprio IPD (Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento) apresentou na LAD2001 uma maquete de um veículo 4x4. Entretanto, para minimizar o risco técnico e o custo envolvidos, é provável que o fornecedor das viaturas fique com o encargo de pesquisa e desenvolvimento. A exigência de que a produção tenha lugar no Brasil (a aquisição direta a partir de um fabricante estrangeiro só ocorrerá se não houver outra alternativa) muito provavelmente resultará em parcerias entre o fabricante estrangeiro do veículo escolhido e uma empresa nacional capacitada para produção de componentes e/ou montagem. Algumas dessas associações são praticamente automáticas, como a Steyr (Áustria) com a Volkswagen do Brasil, e a Iveco (Itália) com a Fiat brasileira. Outras empresas estrangeiras estão sondando companhias nacionais para estudar possíveis parcerias. Assim, a suíça MOWAG estaria em contato com a GM, a turca Otokar com a Agrale, e a espanhola Urovesa com a Randon. Há ainda a Avibras, que desenvolveu o AV-VBL, sobre o qual falaremos mais adiante.


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No presente trabalho escolhemos alguns dos principais blindados 4x4 existentes e apresentamos um rápido comentário sobre cada um – é óbvio que o número de modelos existentes é muito maior. Procuramos nos concentrar em veículos que obedecem à limitação de peso imposta pelo programa brasileiro, mas mencionamos ainda outros dois (LAWV e Dingo) que ultrapassam por margem relativamente pequena (no máximo 15%) esse limite. Veículos como os conhecidos Renault VAB 4x4, o Alvis Scarab e KMW Fennek — entre outros — foram deixados de fora pelo fato de que seu peso vazio é elevado demais para o caso brasileiro (levando a pesos de combate, respectivamente, de 13.000 kg, 10.400 kg e 9.700 kg).

VBL
Na extremidade inferior dos blindados 4x4 está o VBL (Véhicule Blindé Leger), com peso de combate de 3.590 kg, produzido pela Panhard, tradicional fabricante francês de veículos de combate sobre rodas. O VBL foi desenvolvido a partir de um requisito do exército francês, emitido em 1978, para um veículo leve para missões de reconhecimento e anticarro.
O primeiro exemplar foi entregue àquela força em 1990, de até o presente mais de 1.300 foram construídos, cerca de mil dos quais estão em serviço na França, enquanto outros são utilizados pelo Benin (10), Camarões (5), Djibouti (7), Gabão (12), Grécia (13), Indonésia (18), Kuwait (20), México (40), Niger (7), Nigéria (72), Omã (51), Portugal (18), Qatar (16), Ruanda (2) e Togo (2).
Transportável por C-130, o VBL é normalmente apresentado em duas configurações básicas: reconhecimento (guarnecido por dois homens e com uma metralhadora de 12.7 mm) e anticarro (guarnecido por três homens e armado com mísseis anticarro e uma metralhadora de 7.62 mm).
O VBL é anfíbio (exigindo apenas dois minutos de preparação) e, impulsionado por uma hélice localizada à ré, pode atingir a velocidade máxima de 4,5 km/h em águas calmas. Possui proteção QBN, sistema central de regulagem da pressão dos pneus e direção hidráulica. Pode também, opcionalmente, ser dotado de ar condicionado.

Ao lado O HMMWV americano, conhecido como Hummer, é disparado o 4x4 militar mais produzido em tempos recentes, e está disponível em várias versões, das quais o M1116 é a mais recente (Foto: O’Gara Hess & Eisenhardt).

HMMWV
Talvez o 4x4 militar mais conhecido do mundo seja o AM General General High-Mobility Multi-purpose Wheeled Vechicle (HMMWV), conhecido como Hummer, do qual mais de 140.000 já foram produzidos para os Estados Unidos e outros países. A variante mais recente é o M1114 Enhanced Capacity Vehicle, dotado de um pacote de blindagem desenvolvido pela O’Gara Hess & Eisenhardt Armoring Company, para fazer frente a munição perfurante de 7.62 mm e explosão de minas anticarro de até 5 kg sob uma das rodas. Um total de 1.700 dessa versão já foram produzidos para os Estados Unidos (exército e força aérea); um foi adquirido pela Eslovênia, 24 por Luxemburgo e oito pelo Qatar.
Transportando o motorista e mais três homens, o HMMWV aceita a instalação de armamento variado, incluindo metralhadoras (7.62 mm ou 12.7 mm), lançadores automáticos de granadas, canhões de até 30 mm, mísseis anticarro e antiaéreos, etc. Como outros veículos da mesma classe, o M1114 pode ser transportado em aviões C-130 ou como carga externa em helicópteros CH-47 (dois), CH-53 (dois) ou UH-60 (um). O M1114 tem peso de combate de 5.490 kg, e o equipamento padrão inclui direção hidráulica, transmissão automática e sistema de ar condicionado.

Ao lado A Rússia tem, no Vodnik, uma viatura de elevada versatilidade e extrema rusticidade, que, dependendo de alguns fatores, pode se revelar uma opção interessante para o Brasil (Foto: Rosoboronexport).

Vodnik
O GAZ-3937 Vodnik pode ser considerado como equivalente russo do Hummer, tendo sido inclusive projetado na mesma época. Entretanto, enquanto o veículo americano imediatamente ganhou notoriedade, a viatura russa foi mantida nas sombras, só fazendo sua primeira aparição pública muito depois.
O projeto do Vodnik apresenta algumas características interessantes. A carroceria é dividida em dois módulos: o dianteiro abriga o motor, o motorista e um passageiro, enquanto no traseiro ficam os oito passageiros ou equipamentos. Esse segundo módulo pode ser rapidamente substituído por outro, em condições de campo. São ao todo 26 módulos diferentes, permitindo que o Vodnik possa mudar rapidamente de função, otimizando-se para diferentes tarefas como transporte de tropas, viatura de socorro, porta-morteiro, etc.
Um detalhe importante é o fato de o veículo ser anfíbio, atingindo em águas calmas uma velocidade de 4 km/h. Caso se deseje um melhor desempenho no cruzamento de cursos d’água, pode se instalar uma hélice. O Vodnik pode operar entre -45ºC e +50ºC, com ventos de até 30 m/s e em altitudes de até 4.500 m.
O Vodnik é produzido pela Arzamas Machine Building Plant, e pode transportar um total de dez pessoas, incluindo o motorista. Esse e um dos passageiros acessam o interior através de uma porta lateral ou de um alçapão no teto, enquanto os oito passageiros restantes dispõem de seis portas (duas de cada lado e mais duas na parte posterior).
O motor diesel de seis cilindros tem 175 hp, acelera o veículo de 6.500 kg de zero a 100 km/h em apenas 20 segundos e lhe confere uma velocidade máxima de 112 km/h. Em estradas, cruzando a 60 km/h a autonomia é superior a 1.000 km. Fora de estrada o desempenho também é excelente, sendo utilizados rodas e pneus semelhantes aos da viatura blindada de transporte de pessoal BTR-80.

Ao lado O Cobra, da Otokar, foi produzido em pequenas quantidades antes que a fábrica fosse seriamente avariada por um terremoto (Foto: Segurança & Defesa).

Cobra
O Cobra foi desenvolvido pela Otokar Otobus Karoseri Sanayi AS, sediada em Istambul (Turquia). A empresa anteriormente acumulara considerável experiência no projeto, desenvolvimento e produção de viaturas blindadas leves baseados no chassis do veículo 4x4 Land Rover Defender. Para facilitar o trabalho logístico, os componentes mecânicos do veículo são os mesmos do HMMWV.
O armamento empregado pode ser de vários tipos, consistindo normalmente em uma metralhadora 7.62 mm ou 12.7 mm ou um lançador automático de granadas de 40 mm; o veículo pode receber mísseis anticarro, mísseis antiaéreos e até um canhão de 30mm. Com peso de combate de 6.000 kg, o Cobra pode levar o motorista mais dez homens e é transportável a bordo de cargueiros C-130.
O casco é composto por placas de aço soldadas (dando proteção contra armas leves, estilhaços de artilharia e minas antipessoal/anticarro) e, na configuração padrão, o veículo dispõe de ar condicionado, pneus à prova de balas, transmissão automática e direção hidráulica. Opcionalmente podem ser instalados equipamento de visão noturna, sistema central para regulagem da pressão dos pneus e sistema de proteção QBN. A capacidade anfíbia é oferecida através de um kit opcional, com dois jatos d’água.
Poucos Cobra foram produzidos antes que a fábrica fosse praticamente destruída por um terremoto. Há notícias, entretanto, que a empresa brasileira Inbrafiltro está desenvolvendo uma viatura denominada VBL, a partir da carroceria modificada do Cobra, aplicada sobre a base do veículo Land Rover Defender. Um mock-up foi mostrado no início de março no I Encontro de Logística Militar, em São Paulo, e espera-se que até outubro o protótipo esteja pronto para os testes do fabricante.

Ao lado A MOWAG, da Suíca, tem grande "know-how" de veículos blindados, e seu Eagle II é uma proposição interessante (Foto: MOWAG).

Eagle II
O Eagle II é produto da conhecida empresa suíça fabricante de blindados MOWAG. Trata-se de um veículo baseado no chassis do conhecido HMMWV. Os primeiros 175 veículos entregues ao exército suíço foram designados Eagle I, enquanto segundo lote (mesma quantidade) é conhecido como Eagle II, sendo baseado na versão Enhanced Capacity Vehicle do conhecido Hummer.
Como a maioria dos veículos semelhantes, o Eagle II pode utilizar uma variedade de armamento, embora normalmente seja artilhado com uma metralhadora (7.62 mm ou 12.7 mm). Dotado de lançadores de granadas fumígenas, proteção QBN, pneus à prova de balas e equipamento de comunicação, o Eagle II pode também receber a instalação de ar condicionado e sistema central para controle de pressão dos pneus. O Eagle II tem peso de combate de 5.100 kg, sua guarnição é de três homens e é transportável em aeronaves C-130. Além da Suíça, foi encomendado pela Dinamarca (36 exemplares).

Ao lado Embora externamente muito semelhanto ao Hummer, o VAMTAC espanhol é na realidade um projeto totalmente diferente (Foto: UROVESA).

VAMTAC
A empresa espanhola UROVESA (Uro, Vehículos Especiales, S.A.), da Espanha, desenvolveu a partir de 1996 um veículo com aparência externa semelhante à do HMMWV, mas que na realidade nada tem em comum com a viatura americana. Trata-se do VAMTAC (Vehículo de Alta Movilidad Táctica), um 4x4 capaz de transportar uma carga útil de 1.500 kg em qualquer terreno (podendo chegar a 2.000 kg se a suspensão for reforçada).
A variante de carroceria fechada do VAMTAC é oferecida com dois comprimentos diferentes: 4,845 m e 5,545 m. O veículo, já comercializado para a Espanha e países da Ásia e América Central, pode ser transportado por aeronaves C-130 e por helicópteros CH-47 (como carga externa). O armamento pode variar de acordo com a missão, e inclui metralhadoras 7.62 mm/12.7 mm, lançadores automáticos de granadas de 40 mm, mísseis anticarro, e mísseis antiaéreos. A capacidade do veículo — dependendo da versão — pode chegar a doze pessoas (incluindo o motorista).

Ao lado A versão 4x4 do Puma está sendo avaliada no Brasil, e mais tarde o mesmo poderá acontecer com a variante 6x6 (Foto de baixo). Se o veículo fosse adotado pelo EB, haveria por certo o envolvimento da Fiat nacional (Fotos: Fiat IVECO).

Puma
A família de veículos Puma foi desenvolvida para atender à necessidade do exército italiano de ter uma viatura para operar em conjunto com o caça-carros 8x8 Centauro B1. O Puma é um produto do Conzorcio Iveco Fiat-Otobreda, e é oferecido em duas variantes: 4x4 e 6x6. O primeiro protótipo ficou pronto em 1988, e o segundo no ano seguinte. O exército italiano colocou encomendas para 580 exemplares (250 na configuração 6x6 e 330 da versão 4x4), com entregas se estendendo entre 2001 e 2004.
Como outros veículos de sua categoria, o Puma pode ser equipado com metralhadoras 7.62 mm/12.7 mm ou, alternativamente, com mísseis anticarro e antiaéreos.
Em 2001, o Conzorcio solicitou ao Estado-Maior do Exército a avaliação operacional da Viatura Blindada Leve Sobre Rodas Puma, na configuração 4x4. O EME acolheu o pedido e alocou a tarefa à Secretaria de Ciência e Tecnologia, por intermédio do Centro de Avaliações do Exército, que contará com o apoio do Centro de Instrução de Blindados e do 15Õ Regimento de Cavalaria Mecanizado. A VBR-LR Puma foi recebida em 26 de julho de 2001, e essa atividade transcorrerá entre agosto de 2001 e março de 2002 — em paralelo, portanto, à avaliação da VBR-MR Centauro, viatura 8x8 armada com canhão de 105mm, do mesmo fabricante. É possível que, futuramente, a versão 6x6 do Puma seja também enviada ao Brasil para avaliação.

LMV
Um desenvolvimento recente da Iveco-Defence Vehicle Division é o M65E19WM, também conhecido como Light Multirole Vehicle (LMV, Veículo Leve Multifunção). O exército italiano tem um requisito para 1.000 a 2.000 veículos desse tipo, mas além disso a Iveco, em conjunto com a Alvis, está oferecendo o LMV para atender a necessidade de 500 a 600 FCLV (Future Command and Liasion Vehicle = Futuro Veículo de Comando e Ligação) para o exército britânico.
A viatura oferece boa proteção contra minas, não só pela forma de “V” da parte inferior do casco como também pela altura livre em relação ao solo (47 cm) e pelo fato das rodas estarem bem afastadas do compartimento da guarnição. Proteção adicional pode ser obtida adotando-se um dos dois kits projetados para aplicação ao veículo: um eleva o nível de proteção balística, e o outro protege melhor contra minas e projéteis de alta velocidade.
O exterior do veículo, incluindo pára-brisas e vidros laterais inclinados, foi projetado para minimizar a assinatura radar. O equipamento padrão inclui direção hidráulica, ar condicionado, pára-brisas com aquecimento e guincho montado na parte dianteira. O motor tem 145 hp (futuramente será instalado um de 185 hp). Opcionalmente, pode ser instalado um sistema para o controle da pressão dos pneus pelo motorista. Um LMV pode ser transportado dentro de um helicóptero CH-47 Chinook, enquanto dois podem ser acomodados num C-130. O LMV transporta cinco pessoas, e com preparação pode transpor cursos d’água de até 1,5 m de profundidade.
A carga útil máxima é de 2.900 kg, a velocidade máxima em estrada é de 130 km/h e o alcance se situa entre 500 km e 600 km. O modelo atual tem distância entre eixos de 3,2 m, mas pretende-se oferecer uma variante com essa distância aumentada para 3,5 m.

Ao lado O KMW/Iveco Terrier tem 5,24 m de comprimento e é maior do que parece, oferecendo um volume interno protegido de aproximadamente 9m3. (Foto: KMW)

Terrier
Esse veículo, desenvolvido e produzido pela KAW, da Alemanha, tem sua comercialização a cargo da Iveco, que como se vê procura se envolver fortemente no setor de blindados leves 4x4, oferecendo produtos especificamente adequados a cada tipo de necessidade.
O Terrier tanto pode ter aplicações policiais quanto militares.
Capaz de transportar motorista mais sete passageiros, ou alternativamente uma carga útil de 1.000 kg, o piso do Terrier oferece proteção contra minas antipessoal, enquanto o restante da carroceria é imune à munição comum NATO 7.62 x 51 mm. A guarnição dispõe de um total de oito seteiras (três em cada lado, uma na frente e outra atrás. O embarque e o desembarque são extremamente rápidos, graças às três portas (duas laterais e uma traseira). O veículo pode ser equipado com pneus à prova de bala, e tem sistema de combate a incêndios nos pneus e no motor. A guarnição é protegida por filtros contra poeira e gás lacrimogênio. No teto há previsão para instalação de armamento, que tipicamente consta de uma metralhadora 7.62mm.
O Terrier pode superar rampas frontais de aproximadamente 60%, e mantém-se estável em inclinações laterais de até 30%. Transpõe cursos d’água com profundidade de até 0,70 m e Em estradas, sua velocidade é superior a 100 km/h.

Ao lado O RG-32, da Vickers OMC sul-africana é um veículo interessante, mas um pouco pequeno para ser adequado a todas as missões pretentidas pelo Exército Brasileiro. (Foto: Vickers OMC)

RG-32
Essa é uma viatura oriunda da Vickers OMC, subsidiária sul-africana da VDS (Vickers Defence Systems), do Reino Unido. O veículo foi originalmente desenvolvido para uso policial, daí ter propositalmente uma aparência pouco agressiva. Uma variante, o RG-32M, está sendo oferecida pela VDS para atender ao programa FCLV.
Mais de 600 exemplares do RG-32 Scout básico foram produzidos para 12 países, e a viatura oferece proteção contra munição comum de 5,56 mm e 7.62 mm (russa), e contra explosão de minas anticarro de até 6 kg sob qualquer uma das rodas (o RG-32M, com peso de 4.650 kg, amplia essa proteção para incluir munição perfurante de 7.62 mm). N aversão MPHV, o RG-32 é capaz de transportar o motorista e mais quatro homens, enquanto a versão Estate leva um total de sete pessoas. O veículo é impulsionado por um motor diesel de 132 hp e seu peso de combate é de 3.900 kg.
Atualmente, uma versão denominada RG-32M está sendo avaliada no Reino Unido com vistas ao programa FCLV (Future Command and Liasion Vehicle, ou Futuro Veículo de Comando e Ligação) do exército britânico.

Ao lado Bem maior que o RG-32, o Mamba — igualmente produzido pela Vickers OMC — oferece volume interno adequado e proteção contra minas anticarro. (Foto: Vickers OMC)

Mamba
Outro veículo da Vickers OMC que se enquadra no limite de peso estabelecido pelo Exército Brasileiro é o Mamba. Com peso de combate de 6.800 kg, o Mamba pode transportar o motorista mais dez passageiros, protegidos contra munição comum de 5,56 mm e 7.62 mm (a proteção contra munição perfurante é opcional), contra explosão de mina anticarro de 7 kg sob o casco ou duas minas anticarro (totalizando até 14 kg de explosivo) sob qualquer roda.
Mais de 700 exemplares estão operando com o exército sul-africano e em outras forças, inclusive em missões de paz da ONU. É oferecido também em outras versões, uma das quais, mais curta, denomina-se Kommanche e tem capacidade total para sete pessoas. O motor é um Mercedez Benz OM352 de 123 hp, e a direção é hidráulica; em estradas, o Mamba pode atingir mais de 100 km/h.

Ao lado O AV-VBL está sendo homologado pelo Exército Brasileiro, e faz parte do contrato que a Avibras assinou com a Malásia para o fornecimento de sistemas Astros II. (Foto: Avibras)

AV-VBL
O contrato de fornecimento de sistemas Astros II que a Malásia assinou com a Avibras Aeroespacial especificava que os veículos de suporte e C4I (Command, Control Communications and Intelligence) fossem baseados no chassis do Unimog U2150L, da Mercedes Benz alemã. Daí resultou o desenvolvimento pela empresa brasileira do AV-VBL
O tamanho e formato da carroceria resultam em bom volume interno, o que permite que a viatura possa ser utilizada em várias tarefas distintas. Para a Malásia, foram projetadas as versões AV-VCC (Viatura de Comando e Controle – Batalhão), AV-PCC (Viatura Posto de Comando e Controle – Bateria) e AV-MET (Viatura Posto Meteorológico). Esses modelos variam na configuração interna, número de tripulantes e equipamentos instalados. Além dessas missões, a viatura pode ser empregada para reconhecimento, transporte de pessoal. ambulância, transporte de radar de vigilância, etc.
O AV-VBL possui transmissão manual, oito marchas, e opção de tração 4x4 e 4x2, resultando na otimização do desempenho em estradas ou fora delas, conforme o caso. Pode transpor cursos d’água com profundidades de até 1,2 m. Aparentemente a Malásia exigiu contratualmente que a viatura fosse homologada pelo Exército Brasileiro, e ao final de 2000, o AV-VBL encontrava-se em avaliação no Campo de Provas da Marambaia, sendo interessante notar que o volante é do lado direito, já que se trata de um veículo destinado à Malásia. Obviamente, quaisquer exemplares eventualmente adquiridos pelo EB teriam a configuração normal.
O veículo tem sido visto com uma metralhadora de 12.7 mm instalada na parte superior, mas poderia aceitar a instalação de outros tipos de armamento, como lançadores de granadas e mísseis anticarro. Segundo a Avibras, o peso do AV-VBL, conforme a missão, pode variar entre 7.000 kg e 12.000 kg, sendo equipado com motores cuja potência pode variar entre 120 cv e 280 cv.

Ao lado O LAWV Iguana, desenvolvido em conjunto pela Sabiex e pela STK, utiliza muitas peças fabricadas pela Mercedes. O custo não foi divulgado, mas o fabricante afirma que ele se enquadra nas estimativas do EB, sendo sensivelmente inferior às opções existentes no mercado. (Foto: Sabiex)

LAWV
Um veículo que deverá será oferecido ao EB é o LAWV (Light Armoured Wheeled Vehicle, ou Veículo Blindado Leve Sobre Rodas) Iguana, cujo peso de combate é de 8.500 kg. Na realidade, o peso do veículo vazio é 6.000 kg, portanto se for adotada uma carga útil menor que a máxima (2.500 kg) ele se mantém dentro do ROB do EB. Trata-se de um projeto da empresa belga Sabiex Internacional S/A, que para o mercado local e também para o brasileiro estabeleceu uma parceria com a STK (Singapore Technologies Kinetics), de Cingapura.
Na realidade, o LAWV Iguana (4x4) é o membro mais leve de uma nova geração de blindados sobre rodas, que incluem uma viatura Média (6x6) e uma Pesada (8x8). Os protótipos estão em construção, e espera-se para outubro de 2002 a conclusão dos testes. Se por um lado esse fato pode atrapalhar as pretensões em relação à concorrência brasileira, por outro pode vir a ser uma vantagem, pois o veículo poderá se beneficiar dos mais recentes avanços tecnológicos. Segundo o fabricante, o Iguana poderia vir a ser construído no país, com um índice de nacionalização acima de 70%, podendo mesmo chagar perto de 80%. Além disso, há a garantia de transferência de 100% da tecnologia envolvida.
Com um motor diesel Mercedes Benz OM904LA de quatro cilindros, com 174 hp, conectado a uma transmissão automática, a viatura oferece velocidade máxima em estrada superior a 100 km/h, boa aceleração e baixo consumo específico de combustível (resultando em alcance de 500 km). Internamente são acomodados o motorista, o comandante (com cúpola) e até cinco soldados. Os pneus podem continuar rodando até 150 km quando vazios, e existe a possibilidade de instalação de freio ABS. A manobrabilidade é excelente, com o raio de curva sendo de 6 m; cursos d’água de até 1,0 m de profundidade podem ser transpostos sem problemas; opcionalmente, o Iguana pode ser dotado de capacidade anfíbia.
O nível de proteção também é digno de nota, sendo a guarnição protegida contra explosão de minas antipessoal e munição perfurante NATO 7.62 x 51 mm disparada de até 30 m. O acesso ao interior do veículo é feito por uma grande porta traseira operada hidraulicamente. O Iguana é adequado várias missões, e pode utilizar armamento variado, incluindo uma torre de dois homens, com canhão de 20mm.

Ao lado O nível de proteção do KMW Dingo contra minas é acentuado pelo formato da parte inferior do casco e pela distância livre em relação ao solo, que é de 42 cm. (Foto: KMW)

Dingo
Além do nome acima, esse veículo da KMW é também conhecido como APCV (All Protected Carrier Vehicle). Trata-se de uma viatura que, utilizando como base o conhecido chassis do Unimog — o que facilita a manutenção e reduz o custo de operação —, presta-se a uma variedade de missões, como reconhecimento, ligação, comando, transporte de tropas, ambulância, etc.
Com 2,35 m de altura, 2,30 m de comprimento e 5,45 m de comprimento, o Dingo é transportável por aeronaves C-130. A carga útil é de 1.400 kg, para um peso de combate de 8.800 kg. O motor é um Mercedes Benz diesel de 237 hp, e o alcance é superior a 700 km, e a velocidade pode atingir 120 km/h. Existe uma versão alongada (Dingo-S), mais pesada (10.800 kg), com carga útil de 3.200 kg; 56 exemplares do Dingo-S foram adquiridos pelo exército alemão, com as entregas se completando em 2000.
O Dingo é equipado com ar condicionado, sistema automático central para enchimento dos pneus e freios ABS. Pode transportar equipamento variado, mas normalmente seria artilhado com uma metralhadora (7.62 mm ou 12.7 mm) ou um lançador automático de granadas de 40 mm. A guarnição (motorista + 4) tem proteção NBQ e também está defendida contra explosão de minas anticarro e antipessoal; a blindagem é imune a munição de armas portáteis até 7.62 mm num arco de 360•, bem como contra fragmentos de granadas de 155 mm.

Conclusão
É claro que cada um desses veículos tem seus pontos fortes e suas fraquezas. O Mamba, por exemplo, possivelmente é o que oferece melhor proteção contra minas, e por isso mesmo sua altura é um tanto excessiva. Por outro lado, veículos menores (como o Panhard VBL, por exemplo) podem ser mais baratos, mas oferecem menor volume interno e as opções para instalação de armamento não são tão extensas quanto as que estão disponíveis no caso de viaturas maiores. Chegar ao equilíbrio, à melhor relação custo/benefício, é sempre uma tarefa árdua, que vai depender dos requisitos específicos, dos recursos disponíveis e de uma infinidade de outros fatores.
O EB examinará vários dos veículos mencionados no texto acima, e possivelmente outros, até chegar à escolha daquele considerado o mais adequado. A viatura que vier a mobiliar a nossa Força Terrestre possivelmente ficará em serviço por 15 a 20 anos, o que enfatiza a importância de uma decisão acertada.

 

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