THE SILENT WAR — ao contrário do que se poderia imaginar, esse livro não é exatamente uma descrição da utilização de submarinos durante a Guerra Fria, em missões de coleta de inteligência ou de acompanhamento de submarinos lança-mísseis (embora alguns desses aspectos sejam várias vezes mencionados). O autor, John Piña Craven, foi Chefe do Special Projects Office da U. S. Navy de 1958 a 1970, e por isso está mais do que credenciado para falar dos aspectos técnicos de operações como a busca e eventual recuperação da bomba de hidrogênio perdida quando um B-52 acidentou-se sobre o Mediterrâneo em 1966, e outras. A obra revela aspectos pouco conhecidos sobre, por exemplo, os sérios problemas estruturais com o primeiro submarino de propulsão nuclear, o Nautilus, e sobre temas específicos como a decisão a respeito de quantos mísseis cada SSBN americano deveria carregar. O leitor não tem como não ficar surpreendido ao ler sobre os estudos para a construção de submarinos lança-mísseis com casco resistente de vidro, em meados de 1964. Aparentemente a idéia não foi adiante porque o Dr. Craven estimou que o desenvolvimento de tal submarino levaria 20 anos, e o famoso cientista nuclear Dr. Edward Teller considerava que qualquer sistema de armas que não ficasse pronto para emprego dentro de cinco anos deveria ser abandonado, pois tinha certeza que de esse era o prazo máximo para a eclosão de uma guerra nuclear entre os Estados Unidos e a União Soviética! Muito interessantes são os comentários sobre as perdas do Thresher e do Scorpion, sobre o desenvolvimento do Deep Submergence Rescue Vessel (DSRV), e a respeito do verdadeiro (segundo o autor) objetivo das operações do Glomar Explorer, o famoso navio de Howard Hughes envolvido na Operação Jennifer. Como não poderia deixar de ser, as atividades dos submarinos Halibut e do Seawolf são também mencionadas, e as pesquisas sobre o uso de respiração com o uso de fluidos, ao invés de gases, são espantosas. Um dos aspectos mais interessantes do texto são os comentários a respeito do controvertido Almirante Hyman Rickover, que segundo o autor não permitia — qualquer que fosse o preço — que seu nome estivesse ligado a algum fracasso. O livro, com pouco mais de 300 páginas, é publicado pela Touchstone (Rockfeller Center, 1230 Avenue of the Americas, New York, NY 10020).

RIDGDWAY’S PARATROOPERS — as quase 600 páginas desse livro podem ser consideradas leitura indispensável para todos aqueles que têm um interesse sério a respeito da história das operações aerotransportadas. Publicada originalmente em 1985 e recentemente relançada pelo U. S. Naval Institute (Customer Service, USNI Operations Center, tel (1) (410) 224-3378, http://www.navalinstitute.org), essa obra de Clay Blair concentra-se na trajetória do general americano Matthew B. Ridgway e de suas tropas aerotransportadas (82nd e 101st Divisions) em algumas das mais importantes batalhas da Segunda Guerra, como Anzio, Normandia, Market-Garden e Bolsão, somente para citar algumas. O livro contém algumas informações espantosas, como por exemplo o quão perto várias operações estiveram do desastre e a grande quantidade de baixas amigas causadas simplesmente pelo fato de que os pilotos dos C-47 não estavam, em sua maioria, suficientemente treinados para achar as zonas de lançamento corretas em inúmeras ocasiões. Igualmente reveladores são os “insights” sobre o emprego de tropas transportadas por planadores, que ajudam a explicar porque, depois de usado com certa intensidade pelos dois lados durante o conflito, esse sistema foi definitivamente abandonado no pós-guerra. O texto destaca de forma inequívoca as brigas e rixas internas no Alto Comando Aliado, o que leva o leitor a deduzir que a realidade sobre algumas das principais personalidades do conflito é bem diferente daquilo que a máquina de propaganda aliada nos fez — e faz — crer. Que a história apresentada pelos beligerantes durante um conflito muitas das vezes distoa substancialmente daquilo que realmente aconteceu é uma verdade conhecida, mas que a cada nova constatação nunca deixa de nos surpreender. Os desencontros e discordâncias entre americanos e britânicos são confirmadas e descritas sem meios tons; Ridgway, por exemplo, faz comentários extremamente cáusticos em relação à falta de agressividade do XXX Corps britânico durante a Operação Market Garden, cujo lento avanço em direção a Arnhem resultou em enormes baixas entre os pára-quedistas aliados, principalmente os próprios britânicos. Recomendamos a leitura sem restrições, já que o texto equilibra de forma irretocável a frieza da “grande visão” e dos mapas de campanha com o aspecto individual da visão dos combatentes envolvidos.

BY ANY MEANS NECESSARY — Com capa dura e quase 400 páginas, essa é a primeira edição dessa obra de William E. Burrows, publicada por Farrar, Straus and Giroux (19 Union Square West, New York, NY 10003 – USA). Nela, o autor descreve os vôos secretos de espionagem realizados pelos americanos contra a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e seus aliados, principalmente durante um intervalo de doze anos (1959-1970) situado aproximadamente “no centro” do período da chamada Guerra Fria. As rotas de tais vôos variavam de linhas paralelos ao litoral do país “adversário”, tentando recolher dados sobre seus sistemas de vigilância e direção de tiro, até penetrações profundas e sobrevôos diretos para fotografar pontos sensíveis. Embora cuidadosamente mantida, em sua maior parte, longe dos olhos e ouvidos do público, essa “guerra” escondida causou inúmeras baixas, resultando em morte e/ou aprisionamento de vários de seus participantes. Grande parte desses vôos transcorreu sem incidentes, mas — a despeito de todos os cuidados para evitar que isso ocorresse — em alguns deles houve reação e aeronaves foram abatidas. O primeiro capítulo, aliás, historia exatamente um desses casos, quando, em 29 de julho de 1953, um RB-50G do 343d Strategic Reconnaissance Squadron da USAF, em missão de reconhecimento eletrônico sobre o mar, próximo a Vladivostock, foi atacado e derrubado por dois MiG-17 russos. Nesse caso, houve sobreviventes, e alguns desses foram recolhidos pelos americanos, mas em várias outras situações semelhantes toda a tripulação foi perdida. Um fato impressionante é que o governo americano invariavelmente adotou a política de negar o verdadeiro objetivo de tais vôos (em alguns casos, o faz até o presente), por vezes privando os próprios familiares de informações sobre seus entes queridos, mantendo a chama da esperança acesa quando sabia que as pessoas em questão estavam mortas. Os tipos de aviões envolvidos nos incidentes relatados são variados, entre eles RB-50, RB-47, RC-130, EC-121, PB4Y, P2V, RB-29, P4M, etc. São interessantíssimas, por exemplo, as narrativas daqueles tripulantes que foram capturados pelos russos, mantidos como prisioneiros e posteriormente libertados O livro é mais baseado em experiências pessoais do que simplesmente na transcrição de documentos oficiais, e esse é exatamente um de seus atrativos.

EL DORADO CANYON — Com o subtítulo “Reagan’s Undeclared War with Qadafi”, esse livro de 360 páginas, com três mapas e 30 fotos, tem como autor Joseph T. Stank. Trata-se de mais uma publicação da Naval Institute Press, disponível diretamente do Customer Service, USNI Operations Center, tel (1) (410) 224-3378, com maiores informações podendo ser obtidas no site www.navalinstitute.org. Logicamente, a obra é voltada à Operação El Dorado Canyon, mandada executar pelo então presidente Ronald Reagan, e que constou de ataques aéreos de aviões da USAF e da USN as alvos líbios em 1986, como represália a ataques terroristas a cidadãos americanos — a semelhança é bastante forte, portanto, com as operações no Afeganistão quinze anos depois. Apenas uma pequena parte da obra cuida do ataque propriamente dito; a maior parte do texto cobre o lado político, as reuniões e decisões tomadas a portas fechadas pelos altos escalões do governo norte-americano. É, no mínimo, reveladora a descrição do modo através do qual se decidiu que a Líbia seria o país a ser atacado, e não a Síria, por exemplo. De qualquer forma, o autor descreve a escalada militar, que passou por exercícios navais americanos em águas consideradas territoriais pela Líbia, e mais particularmente pelo incidente no Golfo de Sidra, quando dois Su-22 foram derrubados por dois F-14. A força de ataque americana durante a “El Dorado Canyon” constou de 18 F-111F da USAF e doze A-6E Intruder da USN (originalmente quinze, mas um abortou a decolagem a partir do USS America, enquanto outros dois, do USS Coral Sea, tiveram que retornar a meio-caminho). Os F-111F decolarem de Lakenheath (Reino Unido) e seguiram uma extensa rota, já que não podiam sobrevoar a Espanha ou a França; levavam ao todo 72 bombas de 500 libras e 48 de 2.000 libras. Aproximadamente um terço das bombas nem foi lançado: seis aviões tiveram que abortar a missão, e outro foi perdido antes que pudesse lançar o armamento. Dos onze aviões que lançaram as bombas, apenas quatro conseguiram fazê-lo no alvo ou próximo a ele. A Marinha foi mais feliz: cinco dos seis A-6E que atacaram Benina lançaram 60 bombas Mk.82 de 500 libras, enquanto o restante lançou doze Mk.20 de 500 libras. Os outros seis A-6E lançaram 72 bombas Mk.82 de 500 libras contra Benghazi, conseguindo setenta acertos. Militarmente, portanto, o sucesso foi discutível. Quanto às implicações políticas, recomendamos a leitura.

COMBAT FLEETS OF THE WORLD, 2002-2003 — Essa é a mais recente edição da conhecida obra bienal do U. S. Naval Institute (2062 Generals Highway, Annapolis, MD 21401, EUA – www.navalinstitute.org), sendo a última compilada por A. D. Baker III. Com 1.152 páginas, 4.452 fotos e 175 desenhos, e custando US$195.00, o livro em questão é a resposta americana ao Jane’s Fighting Ships. É verdade que o JFS atualmente apresenta a grande maioria das fotos em cores, enquanto o Combat Fleets se atém ao material preto-e-branco. Entretanto, essa é uma opção consciente e que possibilita manter a principal vantagem em relação ao seu competidor: o preço substancialmente menor. Livros como esse são dedicados àqueles que em geral têm uma envolvimento profissional com o setor e necessitam de uma fonte de consulta confiável — e esse tipo de público não tem tanto interesse em que as ilustrações sejam coloridas, se isso representar um aumento substancial do preço (ainda mais que o número de páginas do Combat Fleets é consideravelmente superior ao do JFS). A obra cobre as marinhas de mais de 180 países, incluindo guardas costeiras; são também relacionadas as armas aéreas das marinhas, como também as parcelas das forças aéreas que são dedicadas a apoiar operações em teatro marítimo. Evidentemente a enorme quantidade de informações que o livro contém acaba resultando em alguns erros — alguns dos quais, por exemplo, afloram exatamente na seção dedicada do Brasil. Entre outros equívocos, o autor chega a mencionar que a FAB encomendou cinco EMB-120 Brasilia (!) equipados com radar Erieye. Isso, entretanto, de forma alguma tira o valor da publicação como um todo, e pode-se afirmar que um dos pontos altos é o tamanho dos desenhos mostrando os perfis dos principais navios; além de serem bem maiores do que os apresentados no JFS, esses desenhos mostram também de forma muito mais clara a posição dos sensores e armamento. Há muitas facetas a serem elogiadas no Combat Fleets, e uma delas é a relação dos armamentos e sensores utilizados pelas principais marinhas — as informações assim apresentadas são de enorme valia para que se entenda melhor a capacidade e função de cada sistema. O Combat Fleets também encontra-se disponível em CD (para Explorer 4 ou versões posteriores), ao custo de US$ 159.95.

ADVANCE FORCE PEARL HARBOR — Durante décadas, as histórias do ataque japonês a Pearl Harbor, em 7 de dezembro de 1941, concentraram-se primordialmente na atuação da aviação naval nipônica. A atuação da força de submarinos japonesa não é bem conhecida, daí o interesse especial que a nova edição essa obra de Burl Burlingame desperta entre os estudiosos da guerra naval. No espaço de tempo que decorreu entre 1992 — ano da primeira edição — e a atualidade, vários documentos deixaram de ser sigilosos, o que permitiu que se refinassem muitos dos aspectos de que trata o texto. Ao todo, trinta submarinos compunham a Força Avançada japonesa; desses, três davam cobertura à força de superfície, dois estavam envolvidos em reconhecimento no Pacífico e nas Ilhas Aleutas, vinte destinavam-se a bloquear Oahu e outros cinco transportavam submarinos midget, que lançados próximos a Pearl Harbor, tinham como missão infiltrar-se no porto e atacar os navios lá abrigados. É exatamente esse aspecto que torna o livro tão interessante. Cada um dos midget era tripulado por dois homens, e desses dez tripulantes apenas um sobreviveu: Kazuo Sakamaki, comandante do I-24tou, foi capturado pelos americanos quando seu submarino encalhou. Após a guerra, Sakamaki voltou para o Japão, casou-se, e posteriormente veio para o Brasil, onde tornou-se diretor da Toyota, só retornando definitivamente ao seu país natal há poucos anos, vindo a falecer em 1999. Outro aspecto que deverá interessar bastante os brasileiros é a descrição das ações do cruzador USS St. Louis (que posteriormente viria para o Brasil, como Tamandaré). O St. Louis foi o navio de maior porte a conseguir sair de Pearl Harbor no dia do ataque, por seus próprios meios. Rompendo pelo canal de saída (onde a velocidade máxima permitida era de oito nós) a 22 nós, para minimizar o risco de ataque por submarinos, o St. Louis rompeu um cabo de aço que cruzava sua trajetória, e manobrou para evadir-se de dois torpedos (presumivelmente lançados por um dos midgets). Disparou a seguir contra um periscópio (que possivelmente era o flutuador rebocado pelo varredor USS Crossbill), e já fora do porto teve que novamente manobrar para evitar um terceiro torpedo. Acompanhado por três contratorpedeiros, o St. Louis deslocou-se então para Barbers Point, a fim de verificar o informe de que uma força de transporte de tropas japoneses estaria de aproximando para um desembarque. Ao custo de US$27.50, o livro é recomendado para aqueles que desejam se aprofundar no estudo dos dias iniciais do conflito aberto entre japoneses e americanos. Publicado pelo U. S. Naval Institute (2062 Generals Highway, Annapolis, MD 21401, EUA –www.navalinstitute.org).

“DE COSTAS PARA O BRASIL”: A MARINHA OCEÂNICA DO SÉCULO XXI — À medida que a sociedade civil passa a dar maior importância ao tema “defesa” — fato incontestável, que já registramos em várias ocasiões —, aumenta a quantidade de livros sobre o assunto. Entre os publicadas mais recentemente, destacamos a obra em epígrafe, de autoria de Eduardo Italo Pesce, pesquisador de temas navais e especialista em relações internacionais, cujos artigos são de longa data conhecidos dos leitores de S&D. Em aproximadamente 130 páginas no formato 14 x 21 cm, o autor, partindo da importância das operações navais na atual conjuntura política mundial, e passando pelas aspirações de nosso país no cenário internacional para o Século XXI, projeta sua visão para a Marinha futura, principalmente sobre os meios de que deverá contar para poder continuar mantendo-se à altura das funções que lhes são atribuídas pela Constituição. Organizada em seis capítulos (Introdução, Emprego do Poder Naval, A Marinha do Brasil no início do Século XXI, Uma Marinha oceânica para o Século XXI, Construção naval para fins militares, e Conclusão), o livro conta ainda com um utilíssimo apêndice com cinco tabelas descrevendo os meios navais e aéreos de que dispõe o Brasil para operações em teatros marítimos e com uma bem detalhada bibliografia. O escopo do livro é muito bem sintetizado em duas frases do último parágrafo do texto: “O reaparelhamento das forças navais brasileiras deve ser analisado dentro do novo contexto do poder mundial. Em tal contexto, nosso país deverá aumentar sua presença internacional na defesa de seus interesses legítimos, reafirmando a sua condição de nação soberana e independente”. O livro pode ser adquirido através do envio de Vale Postal de R$25,00 nominativo a Eduardo Italo Pesce, enviado para a Cx. Postal 25128, Rio de Janeiro-RJ, 20551-970, sendo a agência pagadora dos Correios a ACF P. M. Boulevard (código 50906844).

US AMPHIBIOUS SHIPS AND CRAFT– AN ILLUSTRATED DESIGN HISTORY —Praticamente todas as marinhas importantes do mundo sempre tiveram um relacionamento com a guerra anfíbia. Afinal, essa foi durante muito tempo a maior ferramenta de que dispunham as forças navais para projetar poder sobre a terra. Entretanto, os progressos que se alcançaram nesse campo durante a Segunda Guerra Mundial foram imensos sobre todos os aspectos – e foi exatamente durante esse conflito que se realizaram as maiores operações anfíbias da História. A Marinha americana esteve na vanguarda desses acontecimentos, e se mobiliou durante o conflito com uma quantidade imensa de plataformas flutuantes especificamente projetadas para esse tipo de operações, como LST (Landing Ship, Tank), LSD (Landing Ship, Dock), LCI (Landing Craft, Infantry), e muitos outros. O autor da obra, Norman Friedman, dispensa apresentações. Em 688 páginas, ele apresenta a história da evolução de todas as classe tipos de navios anfíbios utilizados até o presente pela U. S. Navy. O texto, extraordinariamente bem feito, é acompanhado de 283 fotos e 152 desenhos. Friedman chama a atenção para o fato de que, após a Segunda Guerra, apenas três desembarques anfíbios de porte foram realizados contra praias defendidas: Inchon (1950), Suez (1956) e Malvinas (1982) — e nesse caso a afirmação pode considerada questionável. É interessante verificar como os meios anfíbios da marinha norte-americana acompanharam a evolução da ênfase, que originalmente era lançar tropas e material contra praias defendidas, para desembarques praticamente administrativos, embora efetuados sem permissão. Alguns exemplos seriam os casos do Líbano (1958), República Dominicana (1965), Granada (1983) e Haiti (1994). Os leitores brasileiros acharão vários atrativos na obra. Em primeiro lugar, porque em tempos recentes as operações anfíbias vêm ganhando espaço crescente no pensamento naval nacional. Em segundo lugar, porque ela descreve várias classes de navios que já foram ou ainda são operados pela Marinha do Brasil. O livro pode ser adquirido por US$85 diretamente do Customer Service, USNI Operations Center (2062 Generals Highway, Annapolis, MD 21401, EUA – www.navalinstitute.org). •

 

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