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Regimiento de Infantería Mecanizado 20
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?Acima M5 com canhão sem recuo de 105mm, preservado como monumento nas instalações do RIMec20 (Foto: J. C. Cicalesi).

?• Juan Carlos Cicalesi e Santiago Rivas

O Regimiento de Infantería Mecanizado 20 “Cazadores de los Andes” encontra-se situado nas cercanias do centro da cidade de San Salvador de Jujuy, na província do mesmo nome, no norte da Argentina. Essa unidade e o Regimiento 15, de Salta, são as únicas unidades do Ejército Argentino, e das poucas em todo o mundo, a utilizar os velhos meia-lagartas blindados M5 Diamond, remanescentes da Segunda Guerra Mundial.
A criação do Regimiento remonta à guerra da independência, tendo participado da campanha de Cotagaita (Bolivia) em 17 de outubro de 1810, como 6º Batallón de Infantería. O prestígio da unidade foi consolidado em outras treze campanhas, todas com estrondoso sucesso. Isso até 29 de novembro de 1815, quando teve lugar a batalha de Sipe Sipe (Bolívia), na qual os patriotas foram derrotados, e como conseqüência direta foi perdido de forma definitiva o Alto Peru.

M5_2 ?Ao lado M5 Diamond, modificado na Argentina para o padrão de veículo de comando (Foto: J. C. Cicalesi).

Em 31 de janeiro de 1907 a terceira e a quarta Compañías (CA) do 6º Batallón de Infantería de Línea foram unificadas, sendo formado o primeiro Regimiento de Infantería de Línea, núcleo do que posteriormente se tornaria o Regimiento 20.
Em 6 de junho de 1923, por decreto do presidente Marcelo Torcuato de Alvear, o núcleo do citado Regimiento passou a se denominar Regimiento de Infantería “Cazadores de los Andes”, formando parte do Destacamento de Montaña Norte. De 1940 a 1994 a unidade teve o nome de Regimiento de Infantería de Montaña 20 (RIM 20).

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?Acima Durante manobras em Jujuy, um M5 armado com o canhão Oerlikon de 20mm (Foto: arquivo J. C. Cicalesi).

Na década de 70, como conseqüência da luta anti-subversiva levada a cabo por ordem do governo constitucional da época, foi executado o “Operativo Independencia”. Para isso, a unidade integrou-se à Fuerza de Tareas “Capitán Cáceres”, que combateu de forma corajosa contra os integrantes da Compañía de Monte Ramón Rosa Giménez do auto-denominado Ejército Revolucionario del Pueblo (ERP), de 1974 a 1978. Nessa fase ocorreram os principais combates: Río Pueblo Viejo (14 de fevereiro de 1975); Los Sosa (14 de julho de 1975); El Tiro (14 de agosto de 1975); La Mesada (8 de outubro de 1975); El Cadillal (14 de fevereiro de 1976); e Paltares de Lenner (10 de abril de 1976).

RIMec_5 ?Ao lado Vista dos veículos da Compañía “B”. No primeiro veículo, nota-se o reparo para fixação na viatura do canhão de 20mm (Foto: J. C. Cicalesi).

A unidade registrou várias baixas entre mortos e feridos, porém as operações foram concluídas com total êxito para as forças do governo. Na ocasião, os regimentos de montanha encontravam-se equipados de forma muito parecida com a atual, e desde então poucos elementos mudaram. Durante e iminência de conflito com o Chile,em 1978, foi executada a “Operación Soberania”; para tal, o Regimiento deslocou-se ao Teatro de Operaciones “NO” (Noroeste). Solucionado o conflito de forma pacífica, a unidade regressou em fevereiro de 1979 à sua sede. A partir de 1994, a unidade passou a receber material blindado e mudou sua denominação para a atual.

Os meios
Atualmente o RIMec 20 encontra-se equipado com o Vehículo de Combate (VC) Semioruga (Meia-Lagarta) M5 Diamond, de procedência norte-americana, da época da Segunda Guerra Mundial. Na verdade, a única parte que ainda resta dos veículos originais é a carroceria, pois o restante foi integralmente trocado. Com efeito, durante o ano de 1978, quando — como já mencionado — parecia iminente uma guerra com o Chile, o Comando de Arsenales del Ejército Argentino (EA) decidiu repotencializar os veículos remanescente da aquisição original (feita em 1947/1948), que havia envolvido mais de 400 exemplares, muitos dos quais foram desmontados para se aproveitar o que fosse possível como peças de reposição, sendo o restante sucateado. Foram modernizadas 180 viaturas, recebendo novo motor, armamento moderno, novas lagartas e equipamentos de comunicações, nova instalação elétrica (que passou a ser de 24V), novo sistema de combustível, etc.
No lugar do motor original, a gasolina, foi instalado um Fiat CP 3/5000 Diesel, que permite autonomia de até 567km e velocidade máxima de 70 km/h. O armamento era muito variado, dependendo da missão. Podia constar de um canhão antiaéreo Oerlikon de 20mm Mod Argentino 1928, ou uma metralhadora MAG de 7,62mm, ou ainda um morteiro de 81mm ou um canhão sem recuo de 105mm.
Hoje em dia não mais se utiliza o canhão sem recuo de 105mm, devido ao seu fraco desempenho no combate moderno, o mesmo acontecendo com o morteiro de 81mm. Foi projetado, na própria unidade, um veículo de comando que utiliza uma grande cobertura de fibra de vidro, com abertura frontal por onde pode atirar uma metralhadora MAG. A cúpula pode ser utilizada indistintamente, em qualquer dos veículos. Recentemente, foi completada outra viatura, com desempenho semelhante porém equipada de uma cúpula blindada, construída no Batallón de Arsenales 604. Alguns veículos têm um guincho frontal, enquanto outros apenas o carretel. Vale mencionar a grande adaptação demonstrada pelo M5 repotencializado ao chamado terreno de “baixa montanha”.

Composição de um RIMec 20 no EA
O Regimiento de Infantería Mecanizado é composto por três Compañías (CA). A “A” e a “B”são compostas, cada uma, por doze veículos de combate, mais um para seu comandante. A CA Comando y Servicios, dispõe de dois blindados (um para o comandante do Regimento e outro para o sub-comandante), e também de veículos sobre rodas, comuns às outras unidades do Ejército Argentino. O mais comum é o caminhão de 1 1/2t 4x4 Mercedes-Benz Unimog 416, o jipe Mercedes-Benz MB230G (com chassis curto e longo), e alguns caminhões Mercedes-Benz 1114 4x4 e 4x2, sendo os últimos para uso no aquartelamento.

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?Acima Esse M5 da Compañía “A” mostra o estado imaculado em que são mantidos os veículos do RIMec20 (Foto: J. C. Cicalesi).

A unidade dispõe ainda de um caminhão-tanque REO M49 (repotencializado com motor Mercedes-Benz semelhante ao utilizado pelos 1114), duas pranchas para transporte de blindados com cavalo mecânico MB 1114, ambulâncias Ford e caminhonetes de comando Isuzu Trooper, bem como alguns poucos veículos de modelos variados, remanescentes de épocas anteriores ou incorporados em pouca quantidade em todo o Ejército para testes. Por último, o RIMec dispõe de motos tipo enduro Suzuki 350 para as seções de esclarecimento, reboques de diversos tipos, cozinhas de campanha, reboques para transporte de água, etc.
O armamento individual é o padrão do Ejército Argentino, ou seja, o fuzil FAL (Fusil Automático Liviano), o FAP (Fusil Automático Pesado), metralhadoras MAG (todos no calibre 7,62mm), pistola Browning 9mm, morteiros de 81mm e 120mm, e lança-rojões anticarro Instalaza de 88,9mm. Atualmente encontra-se em testes a arma anticarro de curto alcance Mara, de 78mm, desenvolvida pela Fabricaciones Militares na Fábrica Militar “Fray Luis Beltrán”, de Rosário (província de Santa Fé), baseada no LAW americano (ver S&D nº78, págs. 40-41).
O canhão Oerlikon de 20mm com que se encontram armados os M5 é desmontável e pode ser empregado fora do veículo, utilizando um reparo sobre rodas que é transportado na própria viatura. Dessa forma tira-se proveito de um material que, embora velho, não é obsoleto. Além disso, transportar a infantaria em um M5 é melhor do que fazê-lo num Unimog 416 — isso enquanto não se consiga a incorporação de uma quantidade adicional de M113, que é o substituto natural.

Abaixo ?M5 experimentalmente modificado na Argentina para receber cinco canhões sem recuo de 105mm (Foto: arquivo S. Rivas).RIMec_7

 

Capa SD90
 

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