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Piranha IIIC no CFN
Em cerimônia realizada no Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camargo no dia 20 de agosto de 2007, foram oficialmente entregues ao setor operativo da Marinha do Brasil — mais especificamente ao Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) — as quatro primeiras Viaturas Blindadas Especiais SR 8x8 Piranha IIIC.

Acima Devido ao fato de se deslocar sobre rodas, o Piranha IIIC é pouco impactante sobre o piso, seja ele de terra ou de asfalto. Com a tração nas oito rodas, não há terreno difícil para o Piranha IIIC. A dirigibilidade é dada pelas quatro rodas dianteiras (Foto: Segurança & Defesa).
A encomenda, no valor de US$8.512.240,00, foi feita à empresa suíça MOWAG GmbH (subsidiária da GD ELS, General Dynamics European Land Systems). Tratava-se de quatro viaturas de transporte de pessoal (as presentes na referida cerimônia) e uma de socorro. Posteriormente, houve um aditamento ao contrato original, sendo adquiridos mais dois Piranha IIIC na variante VBTP (Viatura Blindada de Transporte de Pessoal).
Ainda em 2007, em 17 de dezembro, foi assinado um outro contrato, para mais cinco Piranha IIIC de transporte de pessoal, elevando assim o total adquirido para o CFN para doze (sendo uma de socorro). Existe a intenção de eventualmente adquirir um lote de mais cinco Piranha III, o que já permitiria mobiliar uma Companhia completa, a ser subordinada ao Batalhão de Blindados. A intenção é posteriormente adquirir cinco exemplares adicionais, incluindo uma variante de comando e uma ambulância, elevando para 22 o total de Piranha III no CFN.
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Acima Com a tropa desembarcada, dois Piranha IIIC progridem numa estrada apertada. À frente do motorista, embora pouco visível devido à pintura branca, existe um cortador de cabos, erguido manualmente, para sua proteção (Foto: Segurança & Defesa) .
Ao lado um dos hélices e os lemes duplos, que respectivamente impulsionam e governam a viatura quanto essa está flutuando (Foto: S. C. Neto).
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O Brasil recebeu os primeiros sete veículos já com a pintura que ostentarão em sua primeira missão: o apoio às tropas brasileiras atualmente em missão de paz no Haiti. O casco é totalmente branco, tendo todas as inscrições em preto (inclusive as letras “UN”, referentes a “United Nations”). As viaturas subseqüentes deverão vir na camuflagem normalmente utilizada pelo CFN.

Acima Vista do interior do Piranha IIIC, com os doze assentos da tropa rebatidos contra as laterais. Ao fundo, à esquerda, os postos do chefe do carro e do motorista (Foto: S. C. Neto).
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Ao lado Localizado na parte posterior, do lado direito, encontra-se o pequeno mastro com o receptor do alerta laser (Foto: S. C. Neto) |
Na verdade o contrato brasileiro consistiu num pacote abrangente, envolvendo não somente o fornecimento dos veículos como também treinamento, peças de reposição e outros itens para permitir, que, ao longo dos próximos anos, os veículos possam ser operados sem problemas.
Os Piranha IIIC brasileiros são configurados para dois tripulantes (comandante e motorista) e doze soldados. Possuem um sistema de alerta para o caso do veículo ser iluminado por um laser. Quando isso acontecer, um painel indica ao comandante não só o azimute de onde provém a ameaça, mas também qual o tipo do laser em questão. Munido dessa informação, o comandante pode imediatamente procurar ocultar a viatura utilizando o próprio terreno ou acionar os oito lançadores de fumígenos localizados no teto do veículo. As viaturas dispõem de proteção NBQ (Nuclear, Química e Biológica) — a primeira viatura do CFN a ser dotada de um sistema desse tipo.
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| Acima Metralhadora de 12,7mm operada pelo chefe do carro. Observe-se que foi adaptado um coletor de cartuchos, feito em lona, para evitar que as cápsulas já utilizadas permaneçam no teto do veículo, configurando-se num perigo para quem esteja andando sobre o mesmo (Foto: Segurança & Defesa). |
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| Acima Em primeiro plano o assento do chefe, e mais adiante o do motorista. Distingue-se perfeitamente os periscópios dos dois, bem como o volante (Foto: S. C. Neto). |
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Os Piranha IIIC brasileiros dispõem de uma torre aberta, com blindagem contra munição de 7,62mm, onde será normalmente instalada uma metralhadora M2, de 12,7mm. Alternativamente, outros tipos de armas podem ser instalados sem dificuldades, como lançador de granadas de 40mm e metralhadoras de 7,62mm ou 5,56mm. O casco da viatura é resistente a tiros de 12,7mm, desde que disparados a distâncias médias (algumas centenas de metros). Se for desejada proteção adicional, o Piranha IIIC aceita a aplicação de placas suplementares de blindagem nas laterais.
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Ao lado Para auto-proteção, o Piranha IIIC do CFN dispõe, entre outros equipamentos, de um conjunto de oito lançadores de fumígenos, posicionado sobre o teto (Foto: Segurança & Defesa). |
Com 7,30m de comprimento, 2,66m de largura e 2,17m de altura até o teto, o Piranha IIIC pesa aproximadamente 13.500kg quando pronto para operação. Seus 12m3 de espaço interno são suficientes para abrigar o motorista, o chefe do carro e doze soldados equipados. O motorista senta na dianteira da viatura, e logo atrás dele fica o chefe, também responsável pela operação do armamento. Ambos são posicionados do lado esquerdo da viatura, pois o motor ocupa o espaço dianteiro do lado direito. Os soldados são instalados em dois conjuntos de seis assentos, cada um numa lateral da viatura. Em comparação com veículos semelhantes, o nível do conforto proporcionado aos ocupantes é razoavelmente bom.
Na parte posterior do teto existem duas escotilhas que, quando abertas, permitem que um máximo de quatro soldados possa tomar posição — um ponto significativo, principalmente em progressões em áreas edificadas. Logicamente, o interior do veículo dispõe de ar condicionado. O deslocamento através do terreno é facilitado pelo fato de a suspensão ser independente para cada roda, e a altura livre em relação ao solo é de 0,55m.

Acima Graças à ampla porta traseira, os doze soldados transportados pelo Piranha IIIC abandonam a viatura num tempo muito curto (Foto: S. C. Neto).
A mobilidade do Piranha é garantida por um motor diesel Caterpillar C-9 de 400hp, que pode transferir tração às oito rodas, embora esta possa ser utilizada apenas nas quatro traseiras. Quando necessário, a tração é também aplicada às quatro rodas dianteiras, que são as utilizadas para o direcionamento do veículo. Como convém a viaturas blindadas sobre rodas, os pneus são do tipo “run flat”, que contam com um anel interno de borracha maciça, que permite à viatura continuar rodando mesmo quando seus pneus são perfurados por projéteis, estilhaços ou armadilhas. Ainda com referência aos pneus, vale mencionar que a calibragem pode ser ajustada a partir do interior do veículo, otimizando assim a pressão aplicada sobre cada tipo de piso ou solo. Para o seu porte, o veículo é bem manobrável, podendo fazer uma curva de 360º em um círculo de 16,5m de diâmetro.
Embora não possa ser considerado um veículo anfíbio na acepção da palavra, O Piranha IIIC tem capacidade de transposição de cursos d'água. Para isso, dispõe de uma prancha de navegação rebatível, na dianteira da viatura, e de dois conjuntos de hélices tripás e lemes duplos na parte traseira, que o impulsionam na água uma velocidade máxima de 10 km/h. Sem fazer uso dessa propulsão específica, a viatura pode superar profundidades de até 1,50m. A entrada e a saída em obstáculos aquáticos são facilitadas pelos ângulos de aproximação e de saída, respectivamente 42º e 37º. O obstáculo vertical máximo que o Piranha IIIC pode superar é de 0,60m, a capacidade de cruzamento de trincheiras é de 2,00m, o gradiente máximo de subida é de 60% e a rampa lateral máxima é de 30%. •
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