Artigo
Introduzido em 05/04/2004
Os fuzis da KBP
Acima O fuzil de sniper VM-200, no calibre 12,7mm, tem configuração “bullpup”,
bastante confortável ao usuário. No detalhe,
o OSV-96, no mesmo calibre e destinado à mesma missão
do VM-200, mas em configuração convencional
e carregamento automático (Fotos: KBP).
As
características das ameaças percebidas
mudaram consideravelmente na Federação Russa
(FR) nos últimos vinte anos. A contraposição
ao crime organizado e ao terrorismo assumiu maior importância,
o que levou ao desenvolvimento de uma nova linha de fuzis
de características especiais. Como uma das mais
capazes indústrias do setor de defesa da Federação
Russa, a KBP respondeu ao desafio, como veremos a seguir.
O combate ao terrorismo, em particular, apresenta uma série
de tarefas bem abrangentes, destacando-se: busca, isolamento
e eliminação de atiradores, corte de seus
canais de suprimento, controle de localidades habitadas
e de pontos dominantes, “limpeza” de territórios
liberados, escolta de comboios, e eliminação
de atiradores de precisão (snipers). Via de regra,
os combates se realizarão em áreas adversas,
como cidades ou regiões montanhosas, e freqüentemente
o inimigo usa inocentes como escudo, o que só aumenta
os problemas.
Essas considerações levaram inicialmente à definição
das características básicas desejáveis
para uma nova geração de fuzis, e a seguir
ao seu desenvolvimento. Esse texto mostra os principais
novos programas da KBP, em termos de fuzis.
O papel dos fuzis de precisão (sniper rifles) cada
vez se torna mais difundido. Eles permitem o engajamento
de uma ampla variedade de alvos com um mínimo de
esforço e um máximo de efeito. Algumas das
características mais desejáveis, algumas
conflitantes, desse tipo de arma de arma são:
- Acerto no primeiro tiro: a chave para obtenção
desse objetivo é o desenvolvimento de uma munição
de longo alcance (até 1.500-2.000m), e a capacidade
da arma em poder ser usada em diferentes condições
meteorológicas.
- Expansão dos tipos de alvos que podem ser engajados:
em termos de penetração, a munição
deve ser capaz de engajar alvos humanos protegidos por
blindagem individual ou por obstáculos como troncos,
alvenaria, placas de concreto, ou ainda embarcados em veículos
blindados leves (os próprios veículos podem
também ser o alvo).
- Minimização da assinatura no momento do
disparo: entre outros fatores, seria ideal uma munição
que não produzisse ruído nem clarão.
A solução mais drástica e generalizada
para o problema de aumentar consideravelmente a precisão,
o alcance e a letalidade consiste no aumento do calibre.
Entre outras vantagens, uma munição de maior
calibre é menos sensível ao vento. Entretanto,
as características de dispersão da munição
comum de 12,7mm não são adequadas ao seu
emprego para tiro preciso a grandes distâncias. Esse
problema foi resolvido através da criação
de uma munição especial de 12,7mm.
A capacidade de melhorar sensivelmente os acertos através
do uso dessa munição foi comprovada pela
KBP, e é mostrada no Gráfico 1. Além
disso, a análise experimental mostrou que um projétil
de 12,7mm pode penetrar 400mm de alvenaria a uma distância
de 1.000m, e manter energia suficiente para causar danos
atrás do obstáculo, enquanto um projétil
perfurante de 7,62mm (disparado a partir de um fuzil de
precisão SVD) não consegue penetrar a mesma
parede a uma distância de 40m. Essa vantagem em termos
de penetração também é clara
quando o tiro é feito contra painéis de concreto
e contra blindagem.
OSV-96 e VM-200
O fuzil de precisão OSV-96, de 12,7mm, apresenta
maior alcance, precisão (o projétil de 12,7mm
sofre um terço do desvio devido ao vento apresentado
por um de 7,62mm) e capacidade de penetração.
Além disso, é possível engajar soldados
protegidos, viaturas com blindagem leve ou sem blindagem,
sistemas de mísseis e artilharia, aeronaves estacionadas,
etc. Quando empregado como arma anti-sniper, permite que
se engaje um atirador inimigo que utilize arma de menor
calibre, mantendo-se fora de seu alcance. O recarregamento
automático possibilita elevada cadência de
tiro, e as dimensões facilitam o transporte. O recuo é bastante
diminuído pelo freio de boca. A arma é equipada
com sistema de pontaria ótico para uso diurno e
noturno; encontra-se em produção e está operacional
com o Ministério do Interior da RF, com a designação
V-94.
Outro fuzil de precisão no calibre 12,7mm é o
VM-200, destinado a realizar as mesmas missões do
OSV-96, mas seu recarregamento é manual. A configuração “bullpup” é especialmente
favorável ao usuário.
VSK-94
O fuzil de precisão VSK-94, no calibre 9mm, destina-se
a alcances menores, e combina: ausência de ruído
e clarão no momento do tiro, por usar munição
subsônica e um silenciador/supressor de clarão;
alta letalidade e poder de parada; eficácia em alcances
de até 400m, suficiente para cenários de
guerra urbana. Outras vantagens do VSK-94 são: a
possibilidade de realizar tiro automático, quando
engajando alvos múltiplos; a facilidade de conversão
em arma automática comum sem o silenciador; facilidade
de ser rapidamente desmontada, para transporte ou ocultação.
Em princípio, o tiro silencioso só é possível
através do uso de um projétil subsônico,
o que entretanto impõe limitações à letalidade
de projéteis de calibre convencional (para munição
silenciosa padrão de 7,62mm, o alcance de tiro eficaz
contra alvos protegidos é reduzida por um fator
de 3 a 8). Por outro lado, a munição de precisão
SP5, de 9 x 39mm, subsônica, usada por forças
especiais e projetada para não emitir ruído
nem clarão, garante a manutenção de
um alto nível de energia cinética graças à sua
forma aerodinâmica, que garante que ao final de sua
trajetória só tenha sofrido uma pequena redução
na velocidade e energia (Gráfico 2).
As munições utilizadas pelo VSK-94 praticamente
não produzem ricochete, o que reduz a probabilidade
de impactos não desejados, em áreas povoadas.
Podem ser usadas as munições padrão
SP-5 e SP-6 ou, alternativamente a munição
PAB-9 de 9 x 39mm, desenvolvida pela KBP e cujo poder de
penetração é comparável ao
da SP-6, que entretanto custa três vezes mais. O
VSK-94 utiliza o visor de tiro PKS-07 e, para tiro noturno,
o PKN-032. A arma encontra-se em produção
em série e está operacional com o Ministério
do Interior.

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Acima
e ao lado O fuzil de assalto A-91, no calibre 7,62mm,
já vem
equipado com um lançador de granadas de 40mm
sob o cano, permitindo o engajamento de pessoal inimigo
tanto em terreno aberto como em locais onde seria impossível
o tiro direto (Fotos: KBP). |
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A-91 e 9A-91
O fuzil de assalto A-91, no calibre 7,62mm, já vem
equipado com um lançador de granadas de 40mm sob
o cano. Essa combinação de munições
permite o engajamento de pessoal inimigo tanto em terreno
aberto como em locais onde seria impossível o tiro
direto. A munição 7,62mm é do modelo
1943, o que garante eficácia mesmo quando atirando
através de arbustos ou folhagem. A configuração “bullpup” facilita
a manobrabilidade do usuário, e a arma oferece grande
confiabilidade sob as mais diferentes condições
de uso.
A ejeção dos cartuchos para a frente reduz
o lançamento de gases contra o rosto do atirador
e facilita o tiro a partir de qualquer um dos ombros Apesar
das reduzidas dimensões e pesos, a arma oferece
precisão igual à do fuzil de assalto AK-74.
Para aumentar os efeitos da munição do fuzil é necessária
a modernização da munição padrão
de 7,62mm, melhorando seu desempenho em termos de penetração
através do uso de projéteis com núcleos
alongados de maior dureza.
O fuzil de assalto 9A-91, no calibre 9mm, pode ser usado
também por forças policiais, sendo uma arma
leve e eficiente para missões de assalto em ambientes
urbanos. Os maiores méritos do 9A-91 são
elevado poder de penetração e efeito de contacto.
Isso se deve ao calibre maior, ao formato aerodinâmico
do projétil e ao seu peso, características
que asseguram alcance de tiro eficaz, adequado ao combate
urbano. A velocidade subsônica do projétil
e silenciador/eliminador de clarão diminuem a assinatura
por ocasião do tiro; as características de
peso e dimensões são semelhantes às
de uma submetralhadora, o que permite grande mobilidade
ao usuário.
A coronha escamoteável e a empunhadura tipo “pistola” possuem
excelentes características ergométricas e
facilitam o controle durante a pontaria e o disparo. Desmontado,
o 9A-91 pode ser colocado em uma pequena sacola de lona,
facilitando a ocultação e o transporte A
arma é dotada do sistema de pontaria PK-01, e está em
serviço com o Ministério do Interior.
A KBP está atenta a novos desenvolvimentos e tecnologias
que aumentem a eficácia em combate, expandam as
capacidades táticas da arma e melhorem a segurança
do infante. Esses objetivos, por exemplo, podem ser conseguidos
através do uso de sistemas de visada combinados
TV/óticos, que permitam diminuir significativamente
os erros de visada seu que o atirador adentre a área
perigosa durante o combate (fazendo o tiro “de esquina”,
a 90 graus da linha de visão do atirador).