Artigo introduzido em março de 2009
ESLOVÁQUIA
5º Regimento de Forças Especiais “Joseph Gabcik”

Acima O presidente da República Eslovaca faz a entrega oficial do Estandarte Heráldico da unidade, em 30 de janeiro de 1997.
A ligação da Eslováquia com o paraquedismo vem de longa data — tanto que o construtor do primeiro protótipo de um paraquedas foi o eslovaco Stefan Banic, em 1913. O texto que se segue descreve a história dessa importante unidade eslovaca, o 5º Regimento de Forças Especiais “Joseph Gabcik”.
• António E. S. Carmo
(Fotos: Mário Pažický/5.PSU, via autor)
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É incontestável o mérito operacional das tropas paraquedistas tchecoslovacas no panorama mundial. Na Segunda Guerra Mundial, integrados nos Exércitos Aliados e, posteriormente, no Exército Tchecoslovaco do Ocidente, 121 militares foram treinados para desenvolver ações de sabotagem e reconhecimento na retaguarda das forças alemãs do III Reich, fazendo uso do envolvimento vertical. E as missões atribuídas foram, quase sempre, cumpridas com destacado êxito e elevados índices de eficiência.
Quem não se recorda da histórica Operação “Antropoid”, cujo objetivo era atentar contra a vida do “Reichsprotektor” da Boêmia e Morávia, Reinhard Tristan Eugen Heydrich, oficial-general das SS e da Polícia, Chefe dos Serviços Secretos e terceira figura na hierarquia nazista? E dos paraquedistas executores desta missão especial, com particular destaque para o Sargento Joseph Gabcik(1) , que infiltrado por paraquedas em 28 de dezembro de 1941, a cerca de duas dezenas de quilômetros de Praga, entrou em contato com a resistência, planejou e posteriormente participou do referido atentado, a 27 de maio do ano seguinte? |
Acima O atual comandante do Regimento
é o Coronel L'ubomír Šebo. |

Acima Helicópteros Mil Mi-17M são usados regularmente para realização das sessões de saltos de paraquedas.
Em 1º de janeiro de 1993, a República Socialista da Tchecoslováquia dividiu-se em duas repúblicas: uma tcheca e outra eslovaca. Com esta divisão territorial, política, social, material e cultural nasceu, também, a necessidade da “divisão” de todo este patrimônio histórico e da reivindicação da paternidade dos principais feitos nas diversas áreas, incluindo a militar. Na edição nº 92, “Segurança & Defesa” publicou uma matéria sobre uma das unidades paraquedistas tchecas mais características da atualidade: o 102º Batalhão de Reconhecimento “General Karel Palecek”.
Para a compreensão do desenvolvimento do pára-quedismo militar da República da Eslováquia (Slovenská Republika), vamos procurar, neste artigo, revelar algumas curiosidades históricas, a organização, a missão, o treinamento, o equipamento, os principais distintivos e a real importância operacional da única unidade paraquedista orgânica existente na Eslováquia. A unidade em questão foi ativada oficialmente em 1º de novembro de 1994, acantonada em Zilina e subordinada ao Estado-Maior-General das Forças Armadas: trata-se do 5º Regimento de Forças Especiais “Joseph Gabcik” (5. Pluk Špeciálneho Urenia “Jozefa Gabcíka).
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Acima Insígnia em pano do
5º Regimento de Forças Especiais
“Joseph Gabcik” (Coleção do autor). |
Acima Distintivo de qualificação
paraquedista de 1ª. Classe
(Coleção do autor). |
Ativação
É historicamente aceito que a formação e ativação da unidade originaram-se em 1º de novembro de 1991, quando a 22ª. Brigada Paraquedista tchecoslovaca, sediada na cidade de Prostejov (importante centro cultural, industrial e desportivo da região central da Morávia), foi reorganizada, recebendo nova designação: 6º Grupo Especial. No âmbito desta reorganização, que já previa a separação e o aparecimento de dois Estados independentes (a República Tcheca e a República Eslovaca), foi constituído o 3º Batalhão Especial.

Acima O sargento sapador/demolições recebe treinamento de mergulhador de combate (circuito fechado) e domina as técnicas de demolição subaquática.
Esta nova unidade foi de imediato transferida administrativamente para a cidade de Zilina, juntamente com um pequeno grupo de militares voluntários (oficiais e sargentos), todos de origem eslovaca. Formalizado e assinado o “Protocolo da Divisão da Tchecoslováquia”, os representantes políticos eslovacos não se descuidaram do vetor defesa nacional, e anteciparam a formação das novas Forças Armadas Eslovacas.
Com esse objetivo, de 2 de novembro a 11 de dezembro de 1992, um grupo de oficiais e sargentos eslovacos oriundos dos 13º e 14º Batalhões de Reconhecimento, sob as ordens do Coronel Peter Svrlo (um oficial oriundo do serviço de informações), receberam formação especial no seio do 6º Grupo Especial. Foi ainda sob o comando do Coronel Peter Svrlo, e do futuro Comandante do 3º Batalhão Especial, Coronel Josef Tucek, que nos dias 17 e 18 de novembro de 1992 foi organizada uma coluna de veículos que transportou para Zilina os principais materiais, equipamentos e armamento da futura unidade de elite eslovaca.

Acima O domínio das técnicas de combate corpo-a-corpo inspiradas no Boxe Tailandês é comum a todo o efetivo do Regimento.
Os materiais mais pesados foram transportados por via férrea. Formalizada pelo parlamento federal a dissolução pacífica da Tchecoslováquia, em 1º de janeiro de 1993 a Eslováquia tornou-se um país independente de fato e de direito. Assim, a 4 de janeiro, o Coronel Josef Tucek assumiu, oficialmente, o comando do 3º Batalhão Especial. Em 29 de janeiro de 1993 teve lugar uma cerimônia de significado muito especial: em parada, os efetivos do 3º Batalhão Especial realizaram o primeiro “Juramento Militar” sob a Bandeira Nacional eslovaca. Em 22 de agosto do ano seguinte, por despacho do Secretário da Defesa, a unidade recebeu o título honorário de “Regimento Josef Gabcik”.
Em maio de 1995, assumiu o comando do Batalhão o Tenente-Coronel Josef Kristofiak. Em 1º de outubro de 1995, o 3º Batalhão Especial foi reorganizado e adotou a designação que traz até aos nossos dias: 5º Regimento de Forças Especiais “Joseph Gabcik” (5. Pluk Špeciálneho Urenia “Jozefa Gabcíka”)(2). Com este curto percurso histórico, a única unidade paraquedista orgânica das Forças Armadas eslovacas reclama a herança das tradições da 22ª Brigada Paraquedista (das Forças Armadas da República Socialista da Tchecoslováquia), da experiência das missões paraquedistas tchecas e eslovacas da 2ª Guerra Mundial, sem esquecer os fatos (Operação “Antropoid”) ligados à designação honorária do Regimento.
Estrutura e missão
Com um efetivo total de aproximadamente 450 militares, esta unidade profissionalizou-se no final do ano de 2001. Sua estrutura orgânica é a que se segue:
- Comando e Estado-Maior (uma Equipe Operacional, um Pelotão de Apoio Logístico, um Grupo de Informações e Segurança e um Gabinete dos Serviços Secretos);
- quatro Companhias de Reconhecimento Especial (cada uma dispondo de quatro Destacamentos de Reconhecimento Especial);
- Companhia de Apoio Logístico Especial;
- Destacamento de Instrução e Treinamento;
- Pelotão Especial de Comunicações;
- Grupo de Apoio Técnico;
- Estação Médica Fixa;
Cada Destacamento de Reconhecimento Especial é constituído por dez homens, que incluem: para-médico; atirador de elite (sniper); operador de comunicações; sapador/demolições; especialista técnico (mecânico) e comando do destacamento. Em geral, é composto por dois oficiais subalternos, três sargentos e cinco conscritos.
Curiosamente, o militar com o mais elevado nível de aptidão desses Destacamentos é o sargento sapador/demolições. Esta prática, herdada do período de influência soviética, ainda se mantém em vigor, pois a destruição de “objetivos-chave”, após pormenorizado relatório submetido ao escalão do qual depende a unidade, continua a orientar sua doutrina operacional. O combate deve ser evitado a todo custo.

Acima As unidades de combate do regimento são equipados com armamento ligeiro extremamente moderno.
O sargento sapador/demolições recebe treinamento de mergulhador de combate (circuito fechado) e domina as técnicas de demolição subaquática (demolição de pontes e sabotagem de barragens). Esta instrução muito peculiar é inicialmente ministrada nas instalações da Arma de Engenharia do Exército eslovaco, na cidade de Banská Bystrica. A Companhia de Apoio Logístico dispõe do Grupo de Atiradores de Elite, do Grupo de Mergulhadores de Combate e do Grupo de Mísseis Anticarro.
O 5º Regimento de Forças Especiais “Joseph Gabcik” tem como missão principal conduzir ações de:
- reconhecimento profundo em qualquer tipo de terreno (inclusive reconhecimento anfíbio);
- reconhecimento de longo raio de ação em alta montanha;
- destruição das linhas de abastecimento na retaguarda das forças inimigas;
- raids em terrenos de acesso difícil;
- resgate de reféns;
- reconhecimento e destruição de objetivos considerados lucrativos pelo Alto Escalão;
- ações de luta anti-terrorista em estreita cooperação com unidades especiais da polícia eslovaca.
A unidade tem ainda capacidade para desenvolver ações conjuntas com outras unidades de combate regulares das Forças Armadas, em situações consideradas especiais(3).
Formação/Paraquedismo militar
Apesar de ser uma unidade com características únicas no seio das Forças Armadas eslovacas, o Ministério da Defesa não tem poupado a esforços, dotando-a com armamento e equipamento que a colocam ao nível das melhores do mundo.
Outro aspecto que já se transformou numa tradição é o caráter voluntário de todos os seus integrantes, que se submetem a testes de seleção durante duas semanas no Campo de Manobras do Exército, LEST. Os testes englobam duras provas físicas, psicológicas, entrevistas, um deslocamento cross-country com o equipamento orgânico completo, e ainda testes de tensão e velocidade de reação.
Terminado este processo inicial de seleção, os candidatos iniciam um Curso de Preparação Especial, com duração de três meses. Em seguida, realizam outro, de acordo com a sua subespecialização, ou seja, com a missão específica que irão desenvolver quando colocados nos futuros Destacamentos. A derradeira fase desta Preparação Especial é denominada “Fase de União”, e tem duração de um e dois anos. Só depois de vencida esta fase a qualificação do militar é dada por completa, e ele é considerado apto a ser membro pleno do 5º Regimento de Forças Especiais “Joseph Gabcik”.
Além de suas especialidades técnicas, todos os militares que integram esta unidade têm que ter o Curso de Paraquedismo Militar. Somente após efetuar os saltos regulamentares os militares recebem o distintivo de qualificação paraquedista e a emblemática boina vermelho-vinho. O Curso de Paraquedismo Militar(4) termina após a realização de cinco saltos de abertura automática: um sem o equipamento orgânico; um com a abertura do pára-quedas de reserva; dois com todo o equipamento orgânico e um noturno. Após a conclusão do quinto salto de uma aeronave em voo, o militar é “brevetado” com o distintivo de qualificação pára-quedista de 3ª Classe (3.Trieda).
Conforme sua evolução no domínio das técnicas aeroterrestres, os militares podem alcançar mais quatro graus que correspondem a diferentes distintivos de qualificação pára-quedista: 2ª Classe, 1ª Classe, Instrutor e Mestre. Nos primeiros anos da unidade existiu, também, um distintivo de qualificação pára-quedista designado “Výsadkár Os Sr”, que era ostentado por todos aqueles que deixavam o 5º Regimento de Forças Especiais “Joseph Gabcik” e regressavam às unidades regulares do Exército. Atualmente esta prática caiu em desuso, e todo militar usa o distintivo de qualificação paraquedista com o grau que conseguiu obter durante a sua permanência nesta unidade especial.
O domínio das técnicas de combate corpo-a-corpo assume também grande destaque na formação específica comum a todos os militares do Regimento. Para este efeito foi implementado um estilo particular fundamentado nas técnicas usadas pelos paracomandos belgas, mesclada com as técnicas de “Muay Thai” — luta originária da Tailândia, vulgarmente designada como boxe tailandês ou “Thai Boxing”, e mundialmente conhecida como a “Arte das Oito Armas”, por empregar o uso combinado dos punhos, cotovelos, joelhos, canelas e pés, associado a uma forte preparação física.

Acima Desde 1996 é organizado em Zilina um exercício competitivo com o nome de “Antropoid”, que congrega unidades paraquedistas de países amigos.
Equipamento e armamento
Para suas tarefas operacionais diárias de treino e manutenção aeroterrestre, o 5º Regimento de Forças Especiais “Joseph Gabcik” dispõe de um parque de modernas viaturas sobre rodas, bem como aviões LET L-410 Turbolet (L-410FG/T1/1, L410UVP-E/-S 1/1) e helicópteros Mil Mi-17M. Essas aeronaves são usadas regularmente para a realização das sessões de saltos de paraquedas. Nos primeiros anos de atividade operacional foram usados helicópteros Mil Mi-2 Hoplite pertencentes ao 3 Výcviková Vrtu?níková Letka.
O Regimento dispõe ainda de equipamento completo (kits de esquis) para desenvolver ações de reconhecimento profundo em ambientes de baixas temperaturas e alta montanha.
Sua dotação de armamento leve exibe os seguintes modelos:
- Fuzil automático Samopal VZ.58 cal. 7,62x39mm M43 (versão modernizada do modelo tchecoslovaco);
- pistola-metralhadora VZ.61 Skorpion cal. .32 ACP (7,65x17mm Browning SR);
- submetralhadora H&K UMP (Universale Maschinenpistole) cal. 9x19mm Parabellum (UMP9);
- pistola VZ.82 Makarov, cal. 9mm;
- Metralhadora leve Universalny Kulomet UK-59L cal. 7,62x54 mm R;
- Fuzil semi-automático de precisão Snayperskaya Vintovka Dragunova SVDN-1 cal. 7,62x54mmR;
- Fuzil de precisão Accuracy AW cal. .308;
- Fuzil para atirador de elite VZ.96 Falcon cal. 12,7mm;
- Lança-granadas H&K cal. 40mm;
- Morteiros leves de 60mm (fabricação israelense);
- Mísseis anticarro Fagot (AT-4 Spigot A) e 9K113 Konkurz (Spandrel).
Cooperação internacional
Para a manutenção do seu elevado nível operacional, e como aperfeiçoamento das suas técnicas e tácticas, o 5º Regimento de Forças Especiais “Joseph Gabcik” tem mantido, com frequência regular, exercícios de cooperação com forças congêneres internacionais. Forças paraquedistas da Áustria, França, EUA, Noruega e Bélgica têm desenvolvido exercícios periódicos, destacando-se a cooperação na área aeroterrestre, principalmente no domínio das técnicas de infiltração HALO-HAHO(5).
Além do seu aperfeiçoamento técnico e tático, para os paraquedistas eslovacos estes contatos têm servido também para aferição de seu estado de prontidão operacional. Foi exatamente para manter elevados níveis de operacionalidade e contatos com forças internacionais congêneres que o Regimento vem realizando anualmente, desde 1996, um exercício competitivo com o nome de “Antropoid”.
Na primeira edição participaram forças paraquedistas dos EUA, Romênia, Ucrânia e França (1º Regimento Paraquedista de Infantaria da Marinha - 1er. RPIMa). Na edição mais recente (2008), participaram forças paraquedistas da Croácia, Cazaquistão, Polônia, Reino Unido, Irlanda, Ucrânia e EUA (10th Special Forces Group). Também tomaram parte nessa edição forças da polícia especial eslovaca, igualmente habilitadas a fazerem uso da terceira dimensão.
Sendo o país um Estado-membro da União Européia, e da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico norte), entre outras organizações internacionais, a participação de militares da Eslováquia em diversas missões no estrangeiro já se vai tornando um hábito. E o 5º Regimento de Forças Especiais “Joseph Gabcik” tem dado uma inestimável contribuição, emprestando seus efetivos e empenhando sua experiência nos mais diversos teatros de operação, entre os quais Kosovo, Chipre, Colinas de Golan (conflito Síria-Israel), Iraque e Afeganistão. Um de seus integrantes foi inclusive condecorado com a “Purple Heart”, condecoração concedida pelas Forças Armadas dos EUA a seus militares que sofrem ferimento por ação inimiga. •
1942-1944: a primeira experiência dos
paraquedistas eslovacos
Quando as unidades paraquedistas alemãs da Luftwaffe desenvolveram suas primeiras ações de combate vitoriosas, poucos foram os países que não se renderam à eficácia com que estas unidades surpreenderam o mundo. Foi assim que, nos primeiros meses de 1942, o Estado da Eslováquia (na época aliado da Alemanha) decidiu ativar um centro de treinamento para tropas pára-quedistas. Este centro, que nada mais era do que uma escola de paraquedismo militar, foi ativado na Escola de Cadetes do Ar situada em Trencianske Biskupice, próximo à cidade de Tren?ín. Lá, em Outubro de 1942, sob o comando do 1º Tenente Juraj Mesko, um grupo de voluntários iniciou uma preparação especial. Foi este pequeno grupo de voluntários que se tornou o núcleo da futura unidade pára-quedista eslovaca.
Em 1943, o Ministério da Defesa do Estado da Eslováquia solicitou à Alemanha assessoria técnica para a formação de uma unidade paraquedista. Deferido o pedido especial, em 12 de junho de 1943 partiram os quatro primeiros voluntários (pioneiros do paraquedismo militar eslovaco) para Wittstock-Dosse (Alemanha), sede da mítica Fallschirmjagerschule II. Neste grupo estava integrado o 1º Tenente Mesko, que viria a tornar-se futuramente o primeiro Comandante da Escola de Paraquedismo e da Companhia de Paraquedistas. Terminada com êxito a formação paraquedista, este grupo regressou à Eslováquia em 8 de julho de 1943, trazendo equipamento completo de saltos oferecido pelos alemães, inclusive paraquedas.
Em 18 de outubro de 1943, o centro de treino de paraquedistas foi transferido para o aeródromo Tri Duby, em Banská Bystrica (em 1945, o nome foi mudado para Aeroporto Sliac), tendo recebido simultaneamente uma ajuda em material proveniente da Alemanha: 50 conjuntos de paraquedas (principal e reserva) e capacetes de saltos. Em 15 de Novembro de 1943 foi realizado o primeiro salto dos paraquedistas eslovacos (na Zona de Lançamento de Tri Duby), e a 30 de novembro do mesmo ano, próximo da cidade de Zilina, foi feito o primeiro “salto em massa” (20 paraquedistas). Nesta ocasião foram usados dois aviões Heinkel He111H-3.
Em dezembro de 1943, o centro ganhou autonomia administrativa e financeira, e uma nova designação: Escola de Paraquedismo. Em fevereiro de 1944, os paraquedistas eslovacos realizam os primeiros saltos noturnos (sua formação na Alemanha não havia incluído saltos noturnos) e submeteram-se uma rigorosa instrução, no período de inverno, nos arredores da aldeia de Lieskovec. Outro momento marcante da jovem unidade foi o garboso e marcial desfile efetuado em Bratislava em agosto de 1944.
Durante a Insurreição Nacional Eslovaca (29 de agosto de 1944), e nas primeiras semanas do desenrolar deste movimento popular contra a ocupação nazista, que teve o seu epicentro na cidade Banská Bystrica, os paraquedistas eslovacos receberam a sua primeira missão: proteger o aeródromo Tri Duby. Posteriormente, estiveram envolvidos em ações de combate que se desenrolaram nas proximidades dos povoados de Jasenovo, Gajdel, Svaty Kriz e ao longo da ferrovia Zvolen-Kremnica.
Derrotado o movimento da Insurreição Nacional Eslovaca, a unidade recebeu sua última missão: desenvolver ações de contra-guerrilha. Na segunda quinzena de novembro de 1944, o primeiro comandante pára-quedista eslovaco, Juraj Mesko, licenciou seus comandados e dissolveu a primeira unidade paraquedista do Estado Eslovaco, fundado em 1939. Obs: este breve resumo do paraquedismo militar do Estado Eslovaco foi elaborado pelo autor, com base na seguinte fonte: Slovenski Vojenski Výsadká 1939-2004, de Peter Svrlo, publicado pela Editorial Slovenské Letectvo na Eslováquia, em 2005.
Sargento Paraquedista Josef Gabcik
Alguns traços biográficos
Nascido em Poluvsie (Eslováquia) em 8 de abril de 1912, este sargento paraquedista eslovaco esteve envolvido na famosa Operação “Antropoid”, cujo objetivo era atentar contra a vida do “Reichsprotektor” da Boêmia e Morávia, Reinhardt Heydrich. Em 1940, ingressou na Legião Estrangeira, de onde se transferiu para a Grã-Bretanha. Em terras britânicas, foi recrutado e treinado pelo SOE (Special Operations Executive) para missões especiais de espionagem e sabotagem na retaguarda das linhas inimigas. Infiltrado por paraquedas em 28 de dezembro de 1941 nas proximidades de Praga, estabeleceu contato com os movimentos da Resistência clandestina tcheca, planejou e posteriormente participou do atentado de 27 de maio de 1942.
No decorrer da ação, uma emboscada cuidadosamente preparada entre as ruas Kirchmayer e V Holesóvickach, a submetralhadora de Gabcik encravou. Foi nesse momento que o seu companheiro Jan Kubis, que também participava da ação, lançou uma granada de mão contra a viatura oficial de Heydrich, ferindo-o mortalmente (morreu em 4 de Junho de 1942, no hospital). Os dois militares empreendem a retirada e procuram refúgio numa igreja ortodoxa da capital tcheca, enquanto os funcionários do Protetorado e todo o aparelho repressivo nazista desencadeavam intensa e minuciosa busca. Como represália pela ausência de informações sobre o paradeiro dos dois, as aldeias de Lídice e Lezháky foram destruídas. Em troca de uma recompensa financeira, Gabcik e Kubis foram traídos por um desertor da Resistência tcheca (Petr Curda) e localizados no interior da Igreja Ortodoxa de São Cirilo e São Metódio.
Refugiados na cripta do templo, o sargento Josef Gabcik e seus companheiros resistiram às primeiras investidas dos soldados das Waffen SS, em 18 de junho de 1942. Quando, ao fim de seis horas de resistência tenaz, verificaram que não poderiam resistir a outros ataques, Gabcik e seus companheiros suicidaram-se. A cripta da Igreja, onde se desenrolou essa ação, é hoje um lugar venerado, e os homens que deram as suas vidas são vistos como heróis e recordados com sentimento e saudade.
Notas:
(1) Josef Gabcik, sargento pára-quedista eslovaco, nascido na aldeia de Poluvsie em 8 de abril de 1912, e que no decorrer da Segunda Guerra Mundial teve ação destacada na Operação “Antropoid”.
(2) O Coronel paraquedista L’ubomír Šebo, atual comandante da unidade, assumiu o comando em fevereiro de 2001, com o posto de Tenente-Coronel.
(3) O 5º Regimento de Forças Especiais “Joseph Gabcik” mantém uma forte cooperação técnica e operacional com as unidades especiais da Polícia eslovaca, destacando-se a unidade anti-terrorista Útvar Osobitného Ur?enia.
(4) A Força Aérea Eslovaca dispõe de pequenas unidades SAR, cujos integrantes são especializados em paraquedismo militar. Entretanto, seu distintivo de qualificação paraquedista apresenta uma ligeira diferença no desenho heráldico. No centro, ao invés de um punho da mão direita empunhando uma adaga, aparece uma hélice tripá.
(5) HALO-HAHO é uma terminologia militar usada nas Forças Armadas de vários países para indicar um método operacional de transporte/infiltração de pessoal, armamento e equipamento desde uma aeronave em voo a grande altitude e através de um salto em pára-quedas de abertura manual (queda-livre). HALO significa High Altitude - Low Opening (Grande Altitude - Baixa Abertura), e HAHO significa High Altitude - High Opening (Alta Altitude-Alta Abertura). Na maior parte dos países-membros da OTAN, é mantida a designação em inglês. •
Observações - Com exceção dos distintivos, que são da coleção do autor, todas as fotos deste artigo foram cedidas pelo Comando do 5º Regimento de Forças Especiais “Joseph Gabcik”, e são de autoria de Mário Pažický.
- O autor agradece ao Coronel paraquedista ?ubomír Šebo, Comandante do 5º Regimento de Forças Especiais “Joseph Gabcik”, e muito especialmente ao Sargento Margin Bohacik, toda a atenção dispensada, bem como a cessão e envio de todo o material fotográfico.
- Por dificuldades inerentes à tradução literal das designações das várias especialidades militares, optou-se por adotar as designações que normalmente são usadas nos países membros da OTAN, de modo a serem entendidas por um público mais amplo.