Acima O ALX (A-29/AT-29) representa para a FAB a introdução de um vetor de ataque e treinamento avançado com excelente desempenho, grande versatilidade e baixo custo operacional. Para o Sistema de Vigilância da Amazônia (SIVAM), o ALX representa o seu braço armado. (Foto: Embraer)

A polêmica decisão do novo presidente da República brasileiro, Luís Inácio Lula da Silva, de adiar o processo de escolha do novo caça da Força Aérea Brasileira (FAB), o chamado Programa F-X, causou surpresa em muitos e lançou suspeitas sobre a continuidade do Programa de Fortalecimento do Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (PFCEAB). Este artigo analisa as consequências dessa decisão para o país e a FAB e o status dos demais programas que visam colocar a Força Aérea definitivamente no Século 21.

• Alexandre Fontoura


A decisão do novo presidente brasileiro de adiar para 2004 a escolha do novo caça F-X — o mais importante programa dos que compõem o conjunto de medidas para a modernização da frota de aeronaves da Força Aérea Brasileira —, realmente “sacudiu” o mercado de defesa. O fato atraiu grande atenção da mídia mundial, com manchetes dos principais jornais do mundo destacando a atitude do recém-empossado presidente, ao “trocar” um programa militar por programas sociais de combate à fome.
Entretanto, a maior parte da imprensa não percebeu que a medida era apenas simbólica. Na verdade, o dinheiro para dar início ao programa F-X (de US$700 milhões a US$1 bilhão) viria de financiamento externo (normalmente com longos períodos de carência e prazos de 10 a 15 anos para pagamento da dívida), e dificilmente as primeiras parcelas para amortização seriam desembolsadas antes de um período de dois a quatro anos após a escolha da aeronave.
O novo Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro-do-Ar Luiz Carlos Bueno, disse que de modo algum a decisão do presidente afetava a FAB. “Não há problema algum. Estamos trabalhando com o governo e não contra ele. Essa decisão (de adiar o programa F-X) já havia até sido pensada no Alto Comando”, disse Bueno. O novo ministro da Defesa, José Viegas, engrossou o côro, dizendo que o fato não significa que o programa F-X será abandonado ou que os demais programas estejam ameaçados de cancelamento.
É certo que a decisão atingiu seus objetivos políticos, demonstrando as prioridades sociais do novo governo brasileiro. Indiretamente, ela pode ter aliviado a pressão sobre a FAB, “esfriando” o assunto F-X, que atingiu grande repercussão na mídia brasileira e atraiu uma atenção política indesejável durante a campanha presidencial. Três dos então candidatos, incluindo o presidente eleito, defendiam o concorrente “nacional”; até que ponto essa posição era autêntica ou simplesmente uma ferramenta de campanha ninguém sabe. Mas o que não se discute é que o processo de escolha poderia ser prejudicado.
O outro lado da moeda é mais um atraso num programa já por demais postergado, o que muito provavelmente levará o governo brasileiro a ter que realizar o arrendamento (leasing) de aeronaves usadas para substituir os Mirage IIIE/DBR do 1º Grupo de Defesa Aérea (1º GDA) a partir de 2005, ou assistir ao colapso do sistema de defesa aérea brasileiro. A menos, é claro, que o Alto Comando julgue que o tempo entre a desativação dos Mirage III e a entrada em serviço do novo F-X será pequeno demais para se justificar a aquisição de um “caça-tampão”. De qualquer modo, propostas não faltam e a FAB precisa agir, para se aparelhar de modo a defender os mais de oito milhões de quilômetros quadrados de território brasileiro, os mais de oito mil quilômetros de costa marítima e notadamente a Amazônia, que ocupa quase 56% do território nacional. Aliás, numa situação de crise internacional, a utilidade de todo SIVAM poderia ficar comprometida caso o equipamento implantado não estivesse protegido por uma defesa aérea razoavelmente eficaz.

Ao lado A modernização de 43 F-5E e 3 F-5F da frota da FAB, elevando-os ao padrão “F-5BR”, apesar de atrasada, está em andamento e com seu financiamentoassegurado. As últimas aeronaves
modernizadas deverão estar entrando em serviço em 2006 (Foto: Segurança & Defesa)

A Aviação de Caça
A Aviação de Caça é a ponta-de-lança e a “menina dos olhos” de qualquer Força Aérea. Também no Brasil, é ela que deverá receber maior atenção no programa de modernização, com investimentos inciais entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão, do total de cerca de US$ 3 bilhões aprovados para investimento entre 2000 e 2007.
Além do programa F-X, paralisado mas não interrompido, a FAB tem outros importantes programas para o aumento da capacidade de defesa aérea e ataque ao solo. São eles o
F-5BR, visando a modernização dos 43 F-5E e 3 F-5F em serviço na FAB, além da aquisição de um número adicional de aeronaves do mesmo tipo (principalmente da variante biplace F-5F); o programa A-1M, de modernização da frota de 54 caças-bombardeiros AMX (A-1), com alto grau de compatibilidade de aviônicos com o programa F-5BR; e o programa ALX, de aquisição de quase uma centena de novos aviões de ataque leve baseados no Super Tucano da Embraer, em versões monoposto e biposto, que serão usados para substituição dos AT-26 Xavante na função de treinador avançado e também no programa SIVAM (Sistema de Vigilância da Amazônia), como seu vetor armado.
Todos esses programas estão em andamento e com suas verbas asseguradas, pelo menos teoricamente. Mesmo no que se refere ao F-X, no início de março último o ministro da Defesa anunciou que o processo de escolha do novo caça da FAB seria retomado já no segundo semestre deste ano, e que todo o trabalho realizado pelas comissões da FAB, formadas por cerca de 70 oficiais que realizaram estudos sobre os caças concorrentes, continua válido. É provável, entretanto, que algumas propostas sejam revistas pelos concorrentes. Embora o lote inicial a ser adquirido seja relativamente pequeno (algo em torno de 12 aeronaves), a médio e longo prazos o que se pretende é a aquisição de mais de 100 caças, em cuja produção a indústria nacional terá participação crescente.

Ao lado Nenhum F-103 (Mirage IIIE/DBR) deverá estar em serviço na FAB após 2005, o que, somado ao atraso do Programa F-X, poderá forçar a FAB a tomar alguma medida paliativa, como o leasing de caças de segunda-mão (Foto: Segurança & Defesa)

Provavelmente a aeronave mais prejudicada pelo adiamento do programa F-X foi o Mirage 2000BR, que está sendo oferecido pelo consórcio formado pela Embraer e seus sócios franceses liderados pela Dassault (que adquiriram 20% do capital da empresa brasileira há pouco mais de dois anos). O Mirage 2000-5 Mk2 é um excelente avião de combate e a versão oferecida à FAB — o Mirage 2000BR — atende a todos os requisitos do programa F-X. Considerar este avião obsoleto é uma injustiça e um exagero, mas é um fato que a sua célula não seria capaz de absorver mais desenvolvimentos além dos que já estão previstos. Em comparação com o Sukhoi Su-35 Flanker, o JAS39 Gripen e até mesmo o Lockheed Martin F-16C/D Block 50/52+, a célula do Mirage 2000 parece ter menor capacidade de absorver itens como empuxo vetorado e tanques conformais.
Com isso, à medida que o tempo passa, as chances do Mirage 2000 de “emplacar” alguma venda parecem diminuir. Entretanto, suas chances de ser o escolhido se baseiam principalmente no fato de as empresas francesas responsáveis por seu projeto e fabricação — além de seu motor, aviônicos e a maior parte do armamento — estarem associadas à Embraer, o que facilitaria a absorção da tecnologia empregada no caça francês. Esse fator terá peso considerável na escolha final, pois nenhuma das empresas nacionais que estabeleceram parcerias com os fornecedores estrangeiros têm o know-how e a expertise da Embraer em construção de aeronaves. A produção de aviões de combate de alto desempenho é uma tarefa que exige uma capacitação bem específica, que exige anos a fio de trabalho árduo para ser alcançada.
O pequeno caça sueco-britânico Saab-BAE Systems JAS 39 Gripen é outro concorrente de peso no programa F-X. Embora criticado por muitos por ter um raio de combate menor do que o dos demais concorrentes, o Gripen tem a seu favor uma ótima proposta de compensação comercial (offset), um grande potencial de desenvolvimento (na verdade, o maior potencial entre os concorrentes), e o menor custo operacional. Além disso, oferece a possibilidade de integração de vários tipos de armas de fontes diversas, notadamente européias, sul-africanas e israelenses.

Ao lado A frota de 54 caças-bombardeiros A-1 (AMX) da FAB será
modernizada para o padrão A-1M, com alto grau de comunalidade de aviônicos e outros equipamentos com os usados nos programas ALX e F-5BR. (Foto: Segurança & Defesa).

As críticas ao raio de combate do Gripen são de maneira geral exageradas. O raio de ação e a capacidade de carga bélica (5.300 kg) são de fato inferiores aos dos outros concorrentes (todos aviões maiores), mas superiores aos do F-5 e compatíveis com os do A-1. Senão, vejamos: o raio de interceptação supersônica (em perfil de vôo Hi-Hi-Hi) do Gripen, armado com quatro mísseis BVR (AIM-120, MICA, Derby, R-Darter ou Meteor) e dois IR (AIM-9 Sidewinder ou equivalente), além de um canhão interno Mauser de 27mm e um tanque extra de combustível de 1.100 litros no pilone central, é superior a 800 km, segundo diversas fontes. Esse valor é praticamente o dobro dos cerca de 450 km obtidos pelo F-5E (com apenas dois mísseis AIM-9 e um tanque extra de 1.040 litros). O alcance de translado (com máximo combustível interno e externo, sem armas) do Gripen é de pouco mais de 3.000 km, totalmente compatível com as dimensões do país e bem superior ao alcance de translado do F-5, que é de 2.483 km. De qualquer forma, encontram-se em desenvolvimento na Suécia tanques conformais, num programa financiado pala Administração de Material de Defesa daquele país, a FMV. A versão do Gripen oferecida à FAB possuirá sonda para reabastecimento em vôo (REVO), gerador de oxigênio interno (OBOGS) e, certamente, tanques conformados à fuselagem (Conformal Fuel Tanks, ou CFT), o que aumentaria o alcance do caça em 20 a 30%, sem ocupar estações com tanques extras.
O caça americano Lockheed Martin F-16C/D Block 50/52+, a versão atualmente em produção do bem-sucedido Fighting Falcon (ou Viper, como preferem chamá-lo seus pilotos) é um concorrente importante no Programa F-X. Embora suas chances possam ser prejudicadas pelas restrições impostas pelo Governo americano à transferência de certas tecnologias, elas não devem ser desprezadas, principalmente em função do poderio econômico americano, capaz de oferecer vantagens de financiamento que outros concorrentes dificilmente podem igualar. Além disso, existe uma sinalização de que os EUA poderão liberar a venda, junto com o caça, de armas e equipamentos desejados pela FAB, como mísseis AIM-120, HARM e AGM-68, bombas GBU-16 e outros, o que pode reforçar as chances do caça americano.
Os russos participam com dois aviões, sendo um deles o MiG-29SM Fulcrum. Apesar de seu excelente desempenho e do fato de utilizar muitos dos armamentos empregados pelo também russo Su-35, o MiG-29 não vem sendo considerado como sério candidato a conquistar o contrato da FAB.
A presença do Su-35 na concorrência espanta alguns setores, por se tratar de um caça pesado. Acontece que os Requisitos Operacionais Básicos (ROP) para o F-X tornaram possível a participação de caças leves e pesados, o que não é muito comum nesse tipo de concorrência. Entretanto, dos três caças pesados que potencialmente poderiam disputar o contrato — Eurofighter, F/A-18C/D Hornet e Su-35 — apenas o avião russo permaneceu para a fase decisiva. O Eurofighter e o Hornet abandonaram a competição porque seus fabricantes reconheceram que seus altos custos de aquisição inviabilizariam qualquer possibilidade de vitória. Graças ao baixo custo da mão-de-obra russa, o preço do Su-35 é tal que permite o cotejamento com aviões bem mais leves, e por isso lhe foi possível permanecer na disputa, apesar de ser, por larga margem, o mais pesado dos três mencionados acima.
O Su-35 foi desenvolvido a partir do Su-27, sendo publicamente apresentado em 1992. Apesar do seu tamanho, o Su-35 é extremamente manobrável — como aliás todos os membros da “família” Su-27. Quem não se lembra de manobras como Cobra, Gancho e Cambalhota, impecavelmente executadas pelos pilotos russos em inúmeros shows aéreos? O tamanho do Su-35 lhe confere um volume interno que resulta em enorme capacidade interna de combustível (10.000kg), o que por sua vez é transformado em um longo alcance. Como forma de ampliar as perspectivas do Su-35 na concorrência brasileira, os russos associaram-se à Avibras Aeroespacial, de São José dos Campos.
O adiamento da escolha do F-X resultou na retomada dos planos para o arrendamento de aviões de combate usados, para cobrir o hiato existente entre a desativação dos Mirage IIIE/DBR e a entrada em serviço do novo F-X (seja ele qual for), por volta de 2009-2010. A administração anterior considerava o IAI Kfir C10 praticamente como única opção adequada, mas no novo governo outras alternativas estão sendo consideradas, entre elas o arrendamento de caças Cheetah sul-africanos, F-16A/B holandeses, JAS 39A/B Gripen, e Su-27 Flanker russos. Os Su-27 foram oferecidos com uma cláusula de “buy-back”, ou seja, de recompra futura pelos russos caso o Su-35 seja selecionado como vencedor no F-X. Um atrativo dessa idéia é o fato de que, ao invés de serem devolvidos, os Su-27 poderiam ser posteriormente convertidos em Su-35. Entretanto, já se pensa na possibilidade de não se adquirir nenhum “caça-tampão” até a entrada em serviço do F-X.
A FAB também está empreendendo outra busca por caças usados. Há cerca de dois anos, o Alto Comando da Aeronáutica busca no mercado mundial um lote de 16 a 24 caças F-5E e, principalmente, F-5F, a versão biplace. Estes aviões serão usados para cobrir o claro deixado nas três unidades de caça da FAB que usam o F-5, enquanto os lotes do avião são enviados à Embraer para modernização para o padrão F-5BR. A FAB previu fundos de US$120 milhões para a aquisição dessas aeronaves adicionais, com a possibilidade de, posteriormente, também serem submetidos à mesma modernização dos demais.
Recentemente, foi anunciado que se estava negociando com a Força Aérea Suíça a aquisição de um lote de 16 F-5 usados. Entretanto, há poucos dias foi revelado que, após um ano, as negociações foram interrompidas, sob a alegação de que o número de células de F-5F (dois, segundo algumas fontes) seria inferior ao desejado pela FAB (cinco). Essa decisão, se tiver sido tomada pelo motivo alegado, pode ser um erro. O ideal teria sido a aquisição do lote e, posteriormente, tentar a aquisição de células adicionais de F-5F de outras fontes, pois consta que os F-5 suíços estavam em ótimas condições e com 2.500 a 3.000 horas de vôo. Além disso, sempre há a possibilidade de se converter células de
F-5E em F-5F, segundo um programa desenvolvido pelo próprio fabricante, a Northrop Grumman. Pouco tempo antes, a U.S. Navy havia adquirido um lote dos mesmos F-5, com ainda menos horas de vôo (média de 2.300 horas), para uso em seu programa de Treinamento de Combate Simulado (Aggressor). Com a interrupção das negociações, a FAB terá de procurar outros fornecedores no Sudeste Asiático (Coréia do Sul ou Taiwan, sendo que no caso de Taiwan seria necessária uma operação triangular) e no Oriente Médio (Arábia Saudita ou Jordânia). Mas estes podem não estar em tão boas condições como os suíços.
O programa de modernização dos F-5 da FAB continua, com financiamento externo aprovado pelo Congresso Nacional no valor de US$ 285 milhões. A Embraer e a empresa israelense Elbit, selecionada para como fornecedora dos equipamentos e integradora, estão trabalhando atualmente nas duas primeiras unidades (um F-5E e um F-5F), que serão usadas no programa de homologação. Apesar do atraso, a primeira entrega da aeronave F-5 modernizada para o ComAer está prevista para julho de 2004, devendo a última aeronave ser entregue em abril de 2006. Em setembro deste ano deverá voar o primeiro protótipo modernizado, um F-5F e, em dezembro o segundo protótipo, um F-5E. As duas aeronaves serão usadas no programa de homologação.

 
Acima A introdução em serviço dos vários aviões planejados para uso no SIVAM está, sem dúvida, representando um grande avanço para a FAB. Na foto, o AT-29 (primeiro plano), o A-29 (versão monoposto do ALX), o R-99A de Alerta Aéreo e, mais ao fundo, o R-99B de sensoriamento remoto (Foto: Embraer).

A entrega da primeira unidade do ALX ou A-29/AT-29 Super Tucano à Força Aérea Brasileira está prevista para meados deste ano, e já está decidido que a primeira unidade a receber o novo avião será o 2º Esquadrão do 5º Grupo de Aviação, em Natal (RN), para uso em treinamento avançado, substituindo os AT-26 Xavante usados atualmente. Outras unidades também receberão o avião de ataque leve da Embraer, como o 1º e o 2º Esquadrões do 3º Grupo de Aviação, baseados em Boa Vista (RR) e Porto Velho (RO) e que representam o “braço armado” do SIVAM. Além dessas duas unidades, a 2ª Esquadrilha de Ligação e Observação (2ª ELO), a ser transferida para a Base Aérea de Campo Grande (MS) e renomeada 3º Esquadrão do 3º grupo de Aviação, deverá operar o ALX. Isso, e mais a substuição dos AT-26/RT-26 Xavante no 1º e 3º Esquadrões do 10º Grupo de Aviação pelos RA-1/A-1, marcará a retirada do Xavante da primeira linha da Caça da FAB.

Ao lado Nenhum jato de treinamento e ataque
AT-26 Xavante deverá estar em serviço na FAB após 2005. Com a substituição dos aviões operados pelo 2º/5º GAv em Natal (RN) por turboélices AT-29 Super Tucano a partir deste ano, o 1º/4º GAv, também sediado em Natal, será a última unidade da Força Aérea a operar o valente avião (Foto: Alexandre Fontoura).

De qualquer modo, apesar do adiamento da escolha do F-X, o prognóstico para a Aviação de Caça da FAB é favorável, com um número considerável de aeronaves no estado-da-arte (novas ou modernizadas) entrando em serviço nos próximos anos, e introduzindo novas capacidades na Força, como o uso de armas inteligentes e mísseis com capacidade de engajar alvos além do alcance visual (Beyond Visual Range, ou BVR), trabalhando em conjunto com um moderno sistema de defesa aérea e controle de tráfego aéro (SISDACTA) e de vigilância da Amazônia (SIVAM), além de aeronaves de Comando e Controle (R-99B) e de Alerta Aéreo Antecipado (R-99A).

Aeronaves de Treinamento
O cenário na Aviação de Treinamento da FAB deverá mudar nos próximos anos, com a introdução em serviço dos AT-29 e, possivelmente, do AMX-T. A responsabilidade pelo treinamento básico na FAB continuará com os excelentes T-27 Tucano. É provável que, com a desativação futura dos T-25 Universal, os Tucano assumam também o treinamento primário. Isso iria ao encontro de um dos objetivos da “nova” FAB, que seria a diminuição do número de tipos de aeronaves em uso e obtenção da máxima padronização de equipamentos, como forma de diminuir custos. Após receberem seus AT-29, os AT-26 do 2º/5º GAv deverão ser repassados ao 1º/4º GAv, uma unidade de treinamento operacional, recentemente transferida de Fortaleza (CE) para Natal após uma decisão da FAB em concentrar todos os AT-26 restantes numa mesma base aérea. Assim, com entrada em serviço do A-29/AT-29, o 1º/4º GAv será será a última unidade operadora do Xavante na FAB; a desativação final da aeronave está prevista para 2005.

Acima Os mais de cem treinadores T-27 Tucano da FAB deverão permanecer em serviço por vários anos ainda e possivelmente
acumularão a atividade
de treinamento primário, com a desativação dos T-25 Universal (Foto: Segurança & Defesa).

A desativação dos Xavante tem suscitado dúvidas na própria FAB: uma corrente preconiza sua substituição pelo AT-29 apenas, enquanto outra prefere um mix do AT-29 e de alguma aeronave a jato para a tarefa de LIFT (Lead-in Fighter Trainer, ou Treinador para Conversão para Aeronaves de Caça). Se a segunda alternativa for a escolhida, e isso só o tempo e a experiência com os AT-29 no 2º/5º dirão, a versão de treinamento do AMX, denominada AMX-T, poderá ser uma boa opção. A recente aquisição de um lote de 12 unidades pela Venezuela pode ser um bom fator para impulsionar a aquisição de um quarto lote de AMX pela FAB, composto de 20 a 24 AMX-T, pois manteria a linha de produção do avião na Embraer aberta por mais alguns anos. A compatibilidade com os equipamentos e aviônicos usados nos F-5BR, nos A-1M e nos ALX é um importante ponto e certamente não deixará de ser considerado pela FAB quando chegar o momento de substituir definitivamente os AT-26 Xavante.

Aviões de Transporte
Algumas importantes medidas foram adotadas para modernizar e reforçar a Aviação de Transporte da FAB, que historicamente sempre teve um importante papel na integração e desenvolvimento nacionais. Em primeiro lugar veio a assinatura de um contrato com a empresa americana Derco Aerospace visando a modernização dos cinco aviões de transporte C-130E Hercules de sua frota para o padrão C-130H LOW, o que assegura um maior grau de comunalidade com os demais Hercules da FAB (então composta de seis C-130H e dois KC-130H). Depois houve a aquisição de oportunidade, por cerca de US$ 66 milhões, de dez C-130H Hercules que pertenciam à Aeronautica Militare Italiana, que se encontravam em excelentes condições e que estão sendo substituídos, na AMI, pelos novos C-130J. O último C-130E modernizado, o FAB 2456, já foi entregue à FAB, assim como o último dos C-130H ex-AMI, que recebeu a matrícula FAB 2470 e foi entregue ao 1º Esquadrão do 1º Grupo de Transporte, sediado no Rio de Janeiro.

Ao lado O KC-137 FAB 2401, que era primariamente usado para transporte do presidente da República e, por isso, usava um esquema de pintura tipo airliner, voltou a usar o esquema em cinza de superioridade aérea, idêntico aos demais KC-137 da FAB (Foto: Segurança & Defesa).

A terceira medida importante no esforço de modernização da Aviação de Transporte da FAB foi o anúncio da seleção, em 31 de novembro de 2002, da oferta da empresa européia EADS CASA como a vencedora do Programa CL-X, que previa a aquisição de pelo menos 12 aviões de transporte médios para substituir os 16 DeHavilland DHC-5 Buffalo (C-115) remanescentes dos 24 adquiridos a partir de 1965. A proposta da CASA prevê o fornecimento de 12 aviões de transporte CASA C295 por US$ 270 milhões. Os doze C295 do primeiro lote deverão substituir os Buffalo do 1º Esquadrão do 9º Grupo de Aviação, sediado em Manaus (AM), largamente empregados para apoio a unidades do Exército Brasileiro na Região Amazônica, além do apoio ao SIVAM. Apesar do recente adiamento da assinatura do contrato, o próprio ministro da Defesa, José Viegas, garantiu que a EADS CASA será a fornecedora e que a assinatura do contrato foi apenas adiada. Neste meio tempo, a exemplo do que está acontecendo com o Xavante, todos os C-115 Buffalo da FAB estão sendo transferidos para o 1º Esquadrão do 9º Grupo de Aviação, em Manaus (AM), após revisão geral no Parque de Material Aeronáutico de São Paulo.
Outras aeronaves usadas pela FAB para transporte precisarão ser substituídas. Entre elas estão os cinco C-91 (Avro 748 Series 2, conhecidos na FAB como “Avrões”) remanescentes na FAB, em uso pelo 1º Esquadrão do 2º Grupo de Transporte. Outros seis C-91 Avro, mas do modelo “antigo” (sem porta de carga traseira e conhecidos na FAB como “Avrinhos”), foram desativados no ano passado. Na mesma situação estariam os C-95B do 1º/15º Gav, sediado em Campo Grande (MS). Assim, embora isso ainda não esteja definido, é provável que, futuramente, um segundo lote de 12 C295 seja adquirido.
Por último, mas não menos importante, vem a aquisição de dez EMB-120 Brasília de segunda-mão pela FAB, para que sejam submetidos a modificações para o padrão EMB120K ou C-97B, que prevê a instalação de um piso reforçado e uma porta de carga maior, do lado esquerdo da fuselagem. Esses aviões serão comprados para substituir aviões C-95 Bandeirante mais antigos e é provável que, se sua operação se mostrar vanatajosa, outros sejam adquiridos e modificados para o mesmo padrão. Um outro avião que vem demonstrando ser um bom substituto para o versátil C-95 Bandeirante, principalmente quando operando em pequenas e precárias pistas de pouso no interior da Amazônia, é o Cessna 208 Caravan (C-98). Como diversos Bandeirante mais antigos devem ser desativados nos próximos anos, é bem provável que a dupla C-97B/C-98 se apresente como a melhor opção para substituí-los.
Outra área de atenção da Aviação de Transporte da FAB é, certamente, o Reabastecimento em Vôo, que recebeu o recente reforço do KC-137 FAB 2401, antes alocado primariamente à Presidência da República para uso como avião de transporte presidencial (e jocosamente apelidado pela imprensa brasileira como “Sucatão”, devido à sua idade, em que pese suas execelentes condições operacionais). O avião retornou à sua atividade principal de transporte e reabastecimento em vôo, juntando-se aos seus três “irmãos”, devido à preferência do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso pelo fretamento de aviões Airbus da TAM, em seus últimos anos de governo, para uso em viagens ao exterior. Com sua maior disponibilidade para as missões primárias, o FAB 2401 voltou a ostentar a pintura em cinza de superioridade aérea usada pelos outros três KC-137 da FAB. O novo presidente, entretanto, usou o avião para seu retorno ao Brasil em uma recente visita à Europa e gostou da experiência de usar a aeronave.

Ao lado Todos os 10 aviões de transporte C-130H Hercules adquiridos à Aeronautica Militare Italiana (AMI) já foram recebidos e representam um excepcional reforço à Aviação de Transporte da FAB (Foto: Segurança & Defesa).

Entretanto, se o Presidente Lula quiser voltar a usar a aeronave regularmente em suas futuras viagens, é provável que a FAB considere a remotorização da sua frota de KC-137 com modernos, econômicos e, principalmente, silenciosos motores turbofan, como os CFM56 da International Aero Engines (joint venture da General Electric americana e da SNECMA, francesa) ou, pelo menos, adote Hush-Kits (equipamentos para redução de ruídos), pois as legislações sobre emissão de ruídos têm ficado cada vez mais rigorosas em diversos países, notadamente na América e Europa.
Remotorizados ou não, é certo que os KC-137 da FAB têm pelo menos mais 20 anos de vida útil na missão de Transporte e REVO. Porém, mesmo contando com o apoio dos dois KC-130H Hercules usados pela FAB na missão de reabastecer seus caças, a introdução em serviço de mais aviões com capacidade de serem reabastecidos em vôo, como os futuros F-X, os F-5BR (atualmente, só os F-5 baseados em Santa Cruz/RJ têm sonda REVO) e os AMX, além de, possivelmente, os R-99A, R-99B e os P-3BR, o número de aviões-tanque é perigosamente baixo. Por isso, a aquisição dos dez C-130H Hercules ex-AMI permitiu à FAB planejar a conversão de pelo menos quatro desses aviões para reabastecedores, equipando-os com pods e mangueiras para REVO. Entretanto, certamente esses aviões convertidos não utilizarão o enorme tanque de combustível levado dentro do compartimento de carga dos KC-130H, para não prejudicar de forma mais permanente sua capacidade de transporte. A aquisição de cinco ou seis Boeing KC767 ou Airbus MRTT poderia a longo prazo resolver a questão da substituição dos KC-137, permitindo também que se destinasse uma aeronave do mesmo tipo para atender à Presidência da República. Entretanto, recentemente a FAB começou a avaliar nas viagens internacionais do presidente Lula, aviões especialmente configurados para o transporte executivo cedidos pelos seus respectivos fabricantes, sem ônus para o País. A este respeito, leia esta notícia.

Asas rotativas
O principal helicóptero da FAB é o veterano Bell UH-1H Iroquois, conhecido mundialmente como Huey e, na FAB, como “Sapão”. São quase meia centena destes versáteis helicópteros em serviço. A criação da Aviação do Exército, atualmente equipada com 36 helicópteros HM-1 Pantera, 35 Esquilo/Fennec, oito Cougar (em fase de entrega), todos de origem francesa, e quatro HM-2 Blackhawk, de origem norte-americana (Sikorsky), mudou o perfil e as missões da Aviação de Asas Rotativas da FAB. Antes voltada mais para o apoio ao Exército, agora ela vem sendo redirecionada para as necessidades da própria Força Aérea. Assim, missões como Combat-SAR (Busca e Salvamento de Combate) e Operações Aéreas Especiais vêm tendo maior destaque.
Neste sentido, o material atualmente em uso, como os nove CH-34 Super Puma e os já citados UH-1H, mostram-se claramente inadequados. Outra questão é o treinamento em aeronaves de asas rotativas. A criação do Ministério da Defesa poderia ou — na opinião deste autor — deveria permitir uma total reestruturação do treinamento em helicópteros nas Forcas Armadas brasileiras. Poderia ser adotado um único centro de treinamento, comum às três Forças. Do mesmo modo que a FAB e a Marinha do Brasil acertaram que os pilotos de asa fixa da MB serão treinados pela Força Aérea, deixando somente a Qualificação em Navios-Aeródromo a cargo da Marinha, o treinamento em asas rotativas deveria mudar. Mas isso será poderá ser tema de outro artigo, em uma futura edição.
Sobre a concorrência CH-X, para a aquisição de helicópteros pesados, já foram definidos como finalistas o Boeing CH-47 Chinook norte-americano e o russo Mil Mi-26T. Ambos são extremamente capazes, mas nenhuma decisão foi tomada até o momento e a concorrência foi também adiada para o próximo ano. É provável que sejam adquiridos quatro a seis aeronaves, a um custo de US$ 100 a US$ 120 milhões, e que a escolha seja feita no início de 2004.
Alguma coisa deverá ser feita nos próximos anos para atualizar os UH-1H da FAB. A modernização para o padrão Huey II, oferecida pela fabricante Bell, ou mesmo um dos pacotes de modernização oferecidos pela IAI e Elbit israelenses podem ser uma opção viável. No caso de se optar por um novo tipo de aeronave, sobre a qual cairia a quase totalidade das missões de Combat-SAR e Operações Especiais, poder-se-ia pensar no Sikorsky UH-60L BlackHawk. Idealmente, poderiam ser adquiridos entre 36 e 48 aeronaves de duas versões: a primeira seria o UH-60 básico, equipado com as “asas” para emprego de tanques extras e armamentos, constituindo a maior parte da frota. A segunda, adquirida em número de 8 a 12 unidades, seria baseada na variante MH-60K Credible Hawk (ou a Night Hawk) usada pela USAF em Combat SAR e Operações Especiais e equipadas com sonda para REVO e diversos equiapmentos especiais. Essas aeronaves seriam alocadas ao 2º/10º GAv, sediado em Campo Grande (MS) e única unidade da FAB especializada em SAR. Desnecessário dizer, todas as aeronaves seriam compatíveis com NVG (Night Vision Goggles, Óculos de Visão Noturna). É claro que essa é apenas uma proposta do autor e não uma posição da FAB, e muito menos uma decisão tomada, principalmente pelos custos envolvidos.

Missões especiais, aviões especiais
Na mesma ocasião em que foi anunciada a vitória do grupo EADS/CASA na concorrência CL-X, a empresa também foi declarada como a vencedora da propsta de modernização de até oito dos 12 aviões de patrulha marítima e guerra anti-submarino Lockheed P-3A Orion, adquiridos dos excedentes da U. S. Navy. Os aviões encontravam-se armazenados no Aircraft Maintenance and Regeneration Center (AMARC), localizado no deserto do Arizona, Estados Unidos, onde a baixa umidade favorece a preservação de inúmeros tipos de aeronaves consideradas “excedentes” pelas Forças Armadas americanas. Ironicamente, todas as células adquiridas pela FAB são da versão P-3A, por serem estas as que apresentavam baixo número de horas de vôo, ao contrário das versões P-3B e, principalmente, P-3C, mais voadas. Como o que interessa no programa P-3BR é o “recheio” de equipamentos eletrônicos, sensores e armas das aeronaves, a melhor opção era comprar os aviões com maior vida útil possível e, neste caso, esses eram os P-3A.
Pela proposta vencedora, sete aviões serão levados em vôo diretamente do AMARC para a fábica da EADS/CASA, na Espanha, para serem modernizados para o padrão P-3BR, usando o sistema CASA F.I.T.S, também usado na modernização dos P-3 espanhóis e na versão de patrulha marítima do C295. O valor do contrato de modernização dos sete aviões atinge US$ 326 milhões. Existe opção para modernização de ao menos uma aeronave adicional. Além disso, ao menos dois outros P-3 devem ser convertidos para uso em treinamento, enquanto os demais deverão ser usados como fontes de peças de reposição. Embora a decisão de se adquirir os P-3 tenha sido criticada por alguns, por considerarem que representa a introdução de mais um tipo de aeronave na FAB – quando o objetivo é reduzir o número de modelos em uso – é importante lembrar que o P-3 usa os mesmos motores empregados nos C-130E/H da FAB e que a aeronave é referência mundial no que se refere a aeronaves de patrulha marítima e guerra A/S, principalmente em termos de autonomia e persistência de combate. Entretanto, Aa recente decisão de adiar a assinatura do contrato de compra dos 12 C295 da EADS CASA, também levou a assinatura do contrato de modernização dos P-3 ao adiamento.
Os 19 aviões de esclarecimento marítimo P-95A/B Bandeirante, que substituíram inicialmente os Lockheed P-2 Neptune (P-15) e, mais recentemente, os Grumman S-2A/E Tracker (P-16A/E), devem continuar em uso por mais alguns anos e seus substitutos ainda não foram definidos. Poderão vir a ser unidades adicionais do P-3BR ou até mesmo do proposto P-99 da Embraer, versão de patrulha marítima do EMB-145.
A introdução em serviço de aviões com capacidade de comando e controle e alerta aéreo antecipado na FAB é um dos maiores avanços que a Força conseguiu. Recentemente, a FAB teve a oportunidade de empregar numa operação (Operaer 2002) os dois Embraer EMB-145AEW (R-99A) e o Embraer EMB-145SR (R-99B na FAB) já recebidos, de um total de cinco e três unidades, respectivamente, e que equiparão uma das mais novas unidades aéreas da FAB: o 2º/6º Grupo de Aviação, o “Esquadrão Guardião”, sediado em Anápolis (GO). Os resultados foram promissores. Mesmo tendo sido adquiridos visando atender às necessidades de controle do espaço aéreo da Amazônia, no Projeto SIVAM, onde já demonstraram excelentes resultados logo após o primeiro mês de operação, é óbvio que tais aeronaves revolucionarão a forma da FAB voar e combater daqui por diante. Num breve futuro, essas aeronaves estarão totalmente integradas ao sistema de Defesa Aérea brasileiro, podendo transmitir e receber informações em vôo com outros aviões do mesmo tipo, aviões de combate e ataque como o futuro F-X, o F-5BR, os A-1M e os A-29/AT-29, além dos P-3BR, KC-130 e KC-137. Para isso, a FAB começou a adquirir, em 2002, centenas de conjuntos de rádio Rohde & Schwarz M3AR 6000 Series, para uso nessas aeronaves.
Além dessas aeronaves, a FAB precisa de outras para missões especiais, como rádio-calibração, aerofotogrametria, guerra eletrônica e, até mesmo, transporte de autoridades. Na área de rádio-calibração, a FAB recebeu quatro jatos Raytheon 800XP (HS 125-800), designados EU-94 e alocados ao Grupo Especial de Inspeção em Vôo (GEIV), sediado no Rio de Janeiro. Embora adquiridos com verbas do SIVAM e visando principalmente a manutenção dos radares e demais equipamentos do programa, na prática os aviões se integraram à frota de aeronaves de inspeção em vôo da FAB, composta por EU-93 (HS125 Series 400) e Embraer EC-95 Bandeirante.
As áreas de aerofotogrametria e de transporte VIP não devem sofrer muitas modificações nos próximos anos. A primeira usa três jatos Gates Learjet 35A (R-35A) e quatro turboélices R-95 Bandeirante, enquanto a missão de transporte de autoridades é executada atualmente por um mix de jatos HS125 (VU-93), Learjet das versões 35A (nove unidades) e 55A (uma unidade, repassada à FAB pelo Banco Central, depois de ser recebida como ressarcimento das dívidas de um grande banqueiro brasileiro com a instituição), além de dois Boeing 737-200 (VC-96). O mais provável é que, no futuro, os dois Boeing sejam revendidos e um novo jato executivo venha a ser adotado. Neste caso, o Legacy, da Embraer, surge como escolha óbvia. Aliás, foi exatamente um Legacy, cedido pela Embraer, que o presidente Luís Inácio Lula da Silva usou em suas primeiras viagens ao exterior.

Outras questões
Se o recente corte de despesas do Governo Federal e o contingenciamento de verbas já aprovadas não afetaram os programas de modernização da FAB ao ponto de seu cancelamento definitivo, o mesmo não se pode dizer da parte operacional. O corte nas despesas afetou violentamente a operacionalidade da Força Aérea, que já vinha sendo comprometida. Centenas de aviões (mais da metade da frota de cerca de 750 aeronaves da FAB) estão impedidos de voar por falta de recursos para compra de combustível e peças de reposição. Em meados de março deste ano, o Ministro da Defesa José Viegas apresentou ao presidente da República um pedido de liberação de verba contigenciada para assegurar a compra de combustível para a FAB até o final do ano corrente.
Outros importantes programas da FAB, embora não tão visíveis para a mídia como o F-X, também vêm sendo afetados pelo contingenciamento de verbas. Os programas de desenvolvimento de armas e equipamentos pelo CTA, por exemplo, são alguns desses programas. O radar SMA-Mectron SCP-01 Scipio, que será usado na modernização de todos os AMX da FAB, embora com um exemplar já instalado em um avião deste tipo e realizando os testes operacionais, sofreu grandes atrasos em seu desenvolvimento. O mesmo ocorreu com o programa do míssil Mectron MAA-1 Piranha, que apesar de já ter sido homologado pelo CTA, ainda não chegou em grande número às unidades de caça, só sendo visto, na maior parte dos casos, em sua versão inerte. A encomenda do primeiro lote, de uma centena de mísseis, já foi feita. Além desse míssil, o CTA está desenvolvendo, e futuramente a Mectron deverá produzir em série, um míssil anti-radar.

Acima A crônica falta de recursos e o contingenciamento de verbas afetaram diversos programas de pesquisa e desenvolvimento da Força Aérea, como o do radar SCP-01 Scipio, o do míssil ar-ar Piranha e o do míssil anti-radar, visto na foto sob a asa de um A-1 (Foto: Segurança & Defesa).

Mesmo com todas essas dificuldades, a área de pesquisa da FAB, representada pelo CTA, não pára. Vários programas foram bem-sucedidos e boa parte deles já se encontra em produção, como a blindagem composta para aeronaves, que será usada no cockpit dos ALX da FAB, bem como o programa MARE, visando o desenvolvimento de Material Absorvente de Radiação Eletromagnética, que será testado ainda neste ano num Xavante do CTA. Além disso, várias armas especializadas, como bombas de diversos tipos, encontram-se em desenvolvimento no CTA, à espera de verbas para que sua encomenda pela FAB e produção em série seja assegurada.
Apesar dos percalços e do adiamento do programa F-X, as perspectivas para a FAB estão bem melhores do que há cinco ou seis anos atrás. Numa recente ocasião, ao ser agraciado com a medalha do Mérito Militar no Quartel-General do Comando do Exército, o presidente da República reafirmou seu compromisso com a modernização das Forças Armadas Brasileiras, apesar de ter, neste momento, priorizado a área social. A FAB está consciente das dificuldades enfrentadas pelo País, mas ao mesmo tempo, têm plena confiança na superação dessas dificuldades. •

 

Capa SD90
 

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