F-16 entra em serviço na Polônia

F16 Flyby
Acima Sobrevôo dos F-16 poloneses (um monoposto e um biposto), em Poznan.

Algo impensável há relativamente poucos anos acabou de acontecer: um jato de combate americano de primeira linha entrou em serviço na força aérea de um país do Leste europeu.

Paul Kievit e Carlo Kuit/Bronco Aviation
(fotos dos autores)

Em cerimônia realizada em 9 de novembro de 2006 na Base Aérea de Poznan-Krzesiny, na parte ocidental da Polônia, a força aérea daquele país oficialmente recebeu seus quatro primeiros F-16, que localmente serão conhecidos como “ Jastrzab” (Falcão). Ao todo, 48 F-16C/D Block 52 foram adquiridos por US$3,5 bi­lhões, e as entregas se estenderão até 2008, quando o 10º Esquadrão Aéreo Tático (10 LEP), sediado na Base Aérea de Lask, receber seu último quarteto de F-16. A encomenda polonesa envolveu 36 exemplares do monoposto F-16C Block 52 (números de série da USAF 03-0040 a 03-0075) e 12 bipostos F-16D Block 52 (03-0076 a 03-0087).
Até o final de 2006, já haviam sido entregues oito F-16 ao 3º Esquadrão Aéreo Tático (3 ELT), sediado em Poznan. A segunda unidade a se converter para o F-16 será o 6 ELT, que está se mudando da Base Aérea de Powidz para Poznan-Krzesiny no início de 2007. Em 2006, esse esquadrão parou de voar o Su-22M4/Su-22UM3K “Fitter”. A terceira unidade, já mencionada acima, será o 10 ELT, que atualmente voa treinadores a jato TS-11.

F16_solo
Acima Os F-16 poloneses são os mais avançados entre os operados por países da OTAN no continente europeu.

Primeiras entregas
No dia 4 de novembro de 2006 dois F-16 poloneses decolaram da Base Aérea de Wright-Patterson, no Texas, iniciando o translado para a Polônia. Devido a um problema de radar, os aviões tiveram que alternar para a base da Air National Guard em Bangor, no estado do Maine. Em 6 de novembro decolaram de lá e se uniram, já sobre o Atlântico, a outro par de F-16s poloneses. Mais uma vez, entretanto, problemas (dessa vez referentes ao reabastecimento em vôo) fizeram com que dois monopostos tivessem que pousar em Keflavik, na Islândia. O par restante seguiu viagem diretamente para a Base Aérea de Spangdahlem, na Alemanha.
No dia 8 os dois F-16C decolaram de Keflavik e pousaram em Poznan-Krzesiny, após uma escala em Leuchars (Escócia). No dia seguinte, o F-16C remanescente (4042) e o F-16D (4077) voaram de Spangdahlem a Poznan-Krzesiny, onde teve lugar uma cerimônia para marcar esse acontecimento histórico. Além do presidente da República da Polônia, compareceram ao evento o Ministro da Defesa, o Comandante da Força Aérea Polonesa e outros dignitários. O governo americano foi representado por seu embaixador e pelo comandante da USAFE (United States Air Force Europe). Durante a ce­rimônia, um dos aviões (4043) foi abençoado por representantes de três religiões: católica romana, cristã ortodoxa e protestante.

pouso
Ao lado Configurado para translado, o F-16D 4077 pousa em Poznan.

Salto tecnológico
Os F-16 poloneses serão os mais avançados jatos de combate da OTAN na Europa. O padrão Block 52+ inclui radar AN/APG-68(V)9 e o casulo Sniper Extended Range, com equipamento laser para designação de alvos, TV para uso diurno, infravermelho de visada frontal e capacidade de acompanhamento de alvos marcados por laser. “A capacidade avançada do F-16 polonês contribui significativamente para a modernização de nossas forças armadas e terá importante papel na proteção de nossa nação e de nossos aliados”, declarou o Ministro da Defesa, Radoslaw Sikorski.

Acima De agora em diante, as linhas avançadas do F-16 serão visão corriqueira nos céus poloneses.

Além disso, os aviões são equipados com sistema de pontaria montado no capacete, para a designação de munições de precisão, incluindo mísseis ar-ar de alta manobrabilidade. As aeronaves são compatíveis com os sistemas utilizados pela OTAN e pela União Européia. O Tenente-Brigadeiro do Ar Stanislaw Targosz, comandante da força aérea, declarou: “Ter adquirido os mais avançados F-16 da OTAN possibilitará que treinemos, operemos e voemos juntos, aprendendo uns com os outros. Esses F-16 nos capacitam a realizar operações dentro da OTAN e tornam possível à Força Aérea Polonesa transformar-se num forte membro da coalizão”.


Acima F-16C 4042, ostentando as marcas das forças aéreas polonesa e americana.

Origens
O governo polonês começou a procurar um substituto para sua frota de aeronaves MiG-21 “Fishbed” e Su-22 “Fitter” em 1997. O re­quisito era para cem caças multifunção, que operassem em substitui­ção às cerca de 350 aeronaves de combate que a força aérea utilizava no passado. Visando uma futura admissão na OTAN, a Polônia deci­diu adquirir uma aeronave de origem ocidental, tendo inicialmente considerado o Mirage 2000, o Saab Gripen e o próprio F-16.
Em novembro de1998, a então British Aerospace, em conjunto com a Saab e a Daimler Benz Aerospace, ofereceram-se para mo­dernizar a frota polonesa de MiG-29 “Fulcrum” e treinar pessoal no uso da nova tecnologia. O objetivo final do consórcio era conseguir uma encomenda para o Gripen. A pressão americana, entretanto, era grande, e em dezembro de 1998 o Ministério da Defesa polonês solicitou aprovação para arrendar até 36 caças dos Estados Unidos. Os americanos ofereceram jatos F-16 ou F-18 de segunda mão por um período de cinco anos, a um custo de aproximadamente US$100 milhões, incluindo treinamento de pilotos e mecânicos.

Programa Peace Sky
Em 27 de dezembro de 2002 o governo da Polônia finalmente se decidiu comprar, e não arrendar, novos caças, daí surgindo a aquisição dos 48 F-16 atualmente em processo de entrega. O principal elemento desse acordo foram os offsets acertados entre a Lockheed Martin e o governo da Polônia, que representam um retorno de até US$9 bilhões à economia local. Os principais projetos incluem os planos da General Motors (GM) para expandir uma fábrica em Gliwice (Polônia), e um compromisso da Motorola de investir num moderníssimo sistema de comunicação destinado aos serviços públicos do país.
O contrato foi finalmente assinado em 18 de abril de 2003, e incluiu também motores sobressalentes, armamento, documentação técnica e treinamento de pilotos. O primeiro F-16 polonês voou em Fort Worth, no Texas (fábrica da Lockheed Martin), em 14 de março de 2006.
O armamento contratado inclui mísseis ar-ar AIM-9X e AIM-120C, bem como bombas guiadas por GPS JSOW-C (Joint Stand-Off Weapon) e JDAM (Joint Direct Attack Munition). Os F-16 poloneses utilizam o motor Pratt & Whitley F100-229, e são equipados com a suíte de guerra eletrônica ALQ-211(V)4 e o radar AN/APG-68(V)9, que produz imagens do solo em alta resolução, tornando possível o uso de armamento de dia ou de noite, em quaisquer condições meteo­rológicas.


Ao lado Finda a cerimônia, o primeiro dos doze F-16D adquiridos pela Polônia é rebocado para o hangar.

Os F-16 da Polônia utilizam o sistema de reconhecimento tático DB-110, da Goodrich Corporation. Ele permite a obtenção de imagens digitais em tempo real, de dia e de noite. A imagem da câmera é exibida num dos displays do cockpit, possibilitando ao navegador ve­rificar os alvos e avaliar danos causados. Os F-16 poloneses são os primeiros a serem equipados com essa tecnologia.

Treinamento
Em 16 de junho de 2006 os primeiros três pilotos poloneses completaram o treinamento em Tucson, no Arizona. Ao final de 2006, já eram sete os pilotos habilitados a voar o novo caça; segundo o acordo de venda, um total de 49 pilotos serão treinados nos Estados Unidos. A USAF também disponibilizará o programa ETSS (Extended Training Service Specialists), além do chamado “guest pilot program”. Dois instrutores americanos de F-16 serão enviados à Polônia, onde permanecerão por dois anos desenvolvendo programas de treinamento adicional, treinamento de qua­lificação de missão e treinamento básico.
O “guest pilot program” permitirá que um piloto polonês, após ser certificado no F-16, permaneça na 162nd Fighter Wing, no Arizona, como instrutor, para atender os próximos pilotos de seu país. Eventualmente ele retornará à Polônia, onde colaborará na elaboração do programa de treinamento básico local no F-16. Dos 49 pilotos poloneses treinados nos EUA, 37 o foram no F-16 e 12 no T-38C Talon. Além desses pilotos, serão treinados 183 especialistas em apoio logístico, que serão empregados em Manutenção, Operações e Controle dos F-16 na Polônia.
Para manter as equipagens polonesas capacitadas, destacamentos da ANG e da Air Reserve continuarão a visitar a Polônia anualmente, para treinamento. Em 2004 e 2005, esses desdobramentos foram feitos sob o nome “Sentry White Falcon”, quando membros da 183rd Fighter Wing da Illinois Air National Guard e da 149th Fighter Wing da Texas Air National Guard estiveram na Polônia.
Em novembro de 2006 os Estados Unidos ofereceram à Polônia a doação de nove treinadores Northrop T-38A ex-USAF, uma solução que atenderá aos poloneses pelos próximos 20 anos. Entretanto, eles terão que pagar até US$100 milhões pela elevação desses aviões ao padrão T-38C. A Polônia tem planos de encomendar um novo treinador a jato avançado em 2009, para substituir o já obsoleto PZL Mielec TS-11 Iskra, construído no país.
No dia 10 de fevereiro de 2006 os Estados Unidos e a Polônia assinaram uma Carta de Oferta e Aceitação de treinamento adicional de pilotos de F-16 no valor de US$40 milhões, sob o programa FMS (Foreign Military Sales). Foi também assinado um acordo que garante à Polônia a concessão de fundos no valor de US$40 milhões através de recursos provenientes do Emergency Supplemental Appropriations Act for Defense, Global War on Terrorism, e do Tsunami Relief. Segundo informações, esse numerário é parte dos US$100 milhões que George Bush pro­meteu à Polônia para aplicação em defesa. •

Capa SD90
 

INÍCIO | INFORME S&D | ARTIGOS | ENTREVISTAS | BIBLIOTECA S&D | LINKS | QUEM SOMOS | FALE COM S&D

© Copyright 2002-2003 - Contec Editora Ltda. Proibida a reprodução de artigos, fotografias e ilustrações sem prévio consentimento.
OTIMIZADO PARA NAVEGADORES 4.0 OU SUPERIOR EM RESOLUÇÃO 800X600