Argentina desativa M5 e M9
M5 desfilando
Acima A exemplo de inúmeros outros exércitos (inclusive o brasileiro), o da Argentina também utilizou largamente as via­turas meia-lagarta de fabricação americana.

Juan Carlos Cicalesi e Santiago Rivas
(fotos: arquivos dos autores)

Recentemente o Ejército Argentino (EA) retirou de serviços todas as viaturas blindadas meia-lagarta M5 e M9 que, repotencializadas, ainda se encontravam em serviço principalmente no Regimiento de Infantería Mecanizado 15 (RIMec 15), sediado em La Rioja, no RIMec 20, sediado a província de Jujuy, e no Grupo de Artillería Blindado 2, sediado em Rosário del Tala, província de Entre Rios. As duas primeiras unidades dispu­nham, cada uma, de 28 desses veículos, enquanto a terceira estava mobiliada com 22.
Em 1947 o EA adquiriu à Inglaterra 380 exemplares excedentes de guerra. A grande maioria eram Dia­mond M5, embora houvesse também alguns M9A1 e M3. Chegaram também outras variantes, que entretanto não entraram em serviço, sendo utilizadas com fonte de peças de reposição. Até 1959 era possível ver, na ex-Agru­pación Talleres Fabricas Ge­neral Paz, em Villa Martelli, província de Buenos Aires, carcaças de meias-lagarta canibalizados, juntamente com outros materiais blindados retirados de serviço.
Nos primeiros anos de serviço na Argentina, antes de sua repotencialização, as viaturas foram equipadas com um canhão Krupp de 75mm modelo Argentino 1909, sendo utilizadas não como material de artilharia de campanha, mas para acompa­nhamento da Infantaria. Em 1964 foi apresentado publicamente o protótipo de uma versão armada com seis canhões sem recuo de 105mm, usando a mesma filosofia empregada no veículo americano M50A1 Ontos. Atualmente, o conjunto dos seis canhões encontra-se preservado como monumento na entrada do CITEFA.

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Acima É muito provável que dificilmente seriam disparados simultaneamente os seis canhões sem recuo de 105mm, devido à violência do sopro provocado atrás da viatura.

Com o passar do tempo o material foi se deteriorando a ponto de se tornar quase inútil. Face à possibilidade de guerra iminente com o Chile, em 1978, o EA decidiu repotencializar cerca de 150 veículos remanescentes. Os trabalhos ficaram a cargo do Comando de Arsenales del Ejército, que substituiu o motor a gasolina por um Fiat diesel, trocou toda a instalação elétrica, freios, rodas e lagartas e revisou os demais componentes. Os veículos foram também dotados de novo equipamento de rádio e novo armamento, na forma de um canhão Oerlikon de 20mm modelo Argentino 1928, ou um morteiro leve reforçado de 81mm, ou um canhão sem recuo de 105mm ou ainda uma metralhadora MAG de 7,62mm.

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Acima No início da carreira, os veículos foram equipados com canhões Krupp de 75mm.

Dessa forma, o obsoleto blindado passou a ter um desempenho aceitável, e em­bora não pudesse se comparar a um M113 podia com­plementá-lo adequadamente. Com a chegada de mais M113, os meias-lagarta foram sendo passados aos Regimientos de Infantería de Montaña, à Escuela Militar de Montana e ao Liceo Gral. San Martín. Devido à composição adotada para cada seção nos Regimientos de Montaña (quatro veículos), acabaram sobrando blindados, razão pela qual foi iniciada a distribuição a alguns outros Regimientos para que os colocassem como monumento na entrada de suas respectivas instalações.

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Acima M5 do RIMec 20 armado com canhão sem recuo de 105mm. Ao fundo um veículo “Comando”.

Alguns exemplares foram submetidos a nova troca de motor, recebendo um Mercedes Benz semelhante ao usado nas viaturas modelo 1114. Os dois Regimientos de Infantería Mecanizados dispuseram também de uma variante configurada como “Comando”: as la­terais foram elevadas e o teto coberto, permitindo o deslocamento cômodo de seus ocupantes, enquanto que em seu interior foram colocadas mesas para mapas e instalada iluminação adequada. Os trabalhos foram executados no Batallón de Arsenales 604, em Hol­m­berg, província de Córdoba.
Já no final de sua carreira operativa, o desempenho das viaturas passou a cair de forma alarmente. Por ocasião de grandes deslocamentos, as lagartas eram o maior problema. Form instaladas algumas produzidas localmente, porém sem se obter o resultado desejado; as importadas, por sua vez, eram muito caras. O desgaste foi tamanho que a distância média percorrida entre falhas mecânicas chegou a ser somente de 50km. Tudo isso, somado ao fato de que já se dispu­nha de uma quantidade adequada de M113, levou à conclusão que não se justificava o investimento de mais recursos nas viaturas, sendo preferível sua desativação definitiva.
Estando a maioria dos veículos completos e em funcionamento, abriu-se, em 27 de dezembro de 2006, uma licitação pública para a venda, tomando-se por base o preço de cerca de US$7 mil para os exemplares que se encontravam em melhor estado. Em novembro, já haviam sido passados à Bolívia, em caráter de doação, 20 exemplares do Diamond M5 e M9A1, que anteriormente pertenciam ao RIMec 20.

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Acima Os meia-lagarta, já adquiridos como excedentes de guerra, prestaram inestimáveis serviços na Argentina.

Capa SD90
 

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