No Rio o USS Carl Vinson

Acima Operando em suporte às vítimas do terremoto no Haiti, o Carl Vinson utilizou helicópteros MM-53E Super Stallion e SH-60/HH-60 Seahawk (Foto: U.S. Navy Official).
• Mário Roberto Vaz Carneiro
Esteve no Rio de Janeiro no final de fevereiro o navio-aeródromo americano USS Carl Vinson (CVN-70), de propulsão nuclear, terceiro navio da classe “Nimitz”. Deslocando mais de 100.000 toneladas a plena carga, o CVN-70 tem 317,0m de comprimento (na linha dágua), 40,8m de boca moldada (linha d'água — a largura máxima na altura do convés de voo é de 77,1m) e 11,3m de calado em situações padrão (12,50m a plena carga). A quilha foi batida em 11 de outubro de 1975, o navio foi lançado em 15 de março de 1980 e incorporado em 13 de março de 1982. Dois reatores nucleares acionam quatro hélices de 7,50m de diâmetro cada, permitindo-lhe uma velocidade máxima de mais de 30 nós.

Acima As dimensões do convés de vôo do CVN-70 podem ser aquilatadas nesta imagem, tomada durante as operações ao largo do Haiti (Foto: U. S. Navy Official)
Para autodefesa, o navio é armado com dois lançadores óctuplos de mísseis antiaéreos RIM-7 Sea Sparrow e dois lançadores de mísseis RIM-116 RAM. A composição do grupo aéreo embarcado varia com a missão, mas uma configuração típica poderia incluir 44 F/A-18E/F Super Hornet, quatro EA-6B Prowler, quatro E-2C Hawkeye, até 13 SH-60F/SH-60B e dois HH-60H Seahawk — sem contar, claro o C-2 Greyhound, dois dos quais estão normalmente a bordo para atender aas missões de transporte. O navio tem quatro elevadores para aeronaves e três para armamento.
Em novembro de 2005 o Carl Vinson iniciou seu RCOH (Refueling and Complex Overhaul, ou Reabastecimento e Revisão Complexa), que durou aproximadamente quatro anos. A vinda do CVN-70 ao Rio já estava prevista como parte de seu deslocamento do litoral leste dos Estados Unidos para sua nova base em San Diego (Califórnia), no lado do Oceano Pacífico. O navio, é claro, não passa no Canal do Panamá, e por isso tem que dar a volta pelo sul da América do Sul.

Acima USS Carl Vinson fundeado na Baía de Guanabara, com a ponte Rio-Niterói ao fundo (Foto: Segurança & Defesa)
Inesperadamente, o Carl Vinson foi chamado a atuar em socorro ao Haiti, cuja capital havia sido devastada pelo terremoto. O navio rapidamente se incorporou às operações de apoio, antecipando-se mesmo à chegada do navio hospital USS Comfort e navios anfíbios.
Durante o tempo que operou em apoio àquele país, o CVN-70 emprestou seus E-2 Hawkeye para ajudar no controle do tráfego aéreo, já que o sistema haitiano havia ficado seriamente danificado, e ficando incapacitado para a tarefa. Os C-2 Greyhound foram basicamente utilizados na ligação do Carl Vinson com os Estados Unidos e com a base americana de Guantánamo, em Cuba. Além disso, o navio operou com inúmeros helicópteros Seahawk e Sea Stallion. Seus meios aéreos realizaram 2.250 saídas, acumulando um tempo de voo superior a 1.000 horas.

Acima Alinhados no convés de voo, os dois C-2A Greyhound e os três E-2C que vieram com o navio durante a circunavegação da América do Sul (Foto: Segurança & Defesa).
Quando chegou ao Rio, em 26 de fevereiro, o USS Carl Vinson trazia a bordo dez F/A-18E e dois F/A-18F (respectivamente variantes monoposto e biposto do Super Hornet) do esquadrão VFA-81 “Sunliners”; dois C-2A Greyhound pertencentes ao esquadrão VRC-40 “Rawhides”; três E-2C NP2000 Hawkeye do esquadrão VAW-125 “Torch Bearers”; e cinco helicópteros SH-60F/HH-60H do esquadrão HS-15 “Red Lions”. Todos esses esquadrões fazem parte da Carrier Air Wing 17 (CVW-17).

Acima Em razão das condições meteorológicas desfavoráveis, a demonstração dos Super Hornet foi cancelada (Foto: Segurança & Defesa).
Acompanhando o NAe veio o cruzador USS Bunker Hill (CG-52), da classe “Ticonderoga”. O Carl Vinson ficou fundeado no meio da Baía de Guanabara (com pouca folga no fundo, já que quando estivemos a bordo no dia de sua chegada, à tarde, os instrumentos do passadiço marcavam uma profundidade de somente 40 pés), enquanto o Bunker Hill ficou atracado na Base Naval do Rio de Janeiro, na Ilha do Mocanguê.

Acima Embaixo de forte chuva, um dos C-2A Greyhound chega à Base Aérea do Galeão para o embarque dos convidados (Foto: Segurança & Defesa).

Acima E-2C Hawkeye estacionado no convés do Carl Vinson, com as asas dobradas ()Foto: Segurança & Defesa).
A preocupação com a segurança do navio-aeródromo americano era óbvia, tanto pelo número de lanchas da Capitania dos Portos que o acompanhavam e o circundavam mesmo quando fundeado, como também pelo fato de que inúmeros tripulantes transitavam no convés ou estavam posicionados em locais estratégicos (como na proa e na popa) armados com metralhadoras Minimi e carabinas M4.
O Carl Vinson deixou o Rio de Janeiro na manhã de 1º de Março, e o autor havia convidado para ir à bordo na tarde daquele dia, assistir a uma demonstração de poderio aéreo realizada pelos Super Hornet, retornando depois. O deslocamento para bordo foi realizado em um C-2A, decolando da Base Aérea do Galeão. Lamentavelmente, a forte chuva que permaneceu durante todo dia e o teto baixo, forçaram o cancelamento da demonstração, tendo o C-2A retornado a maioria dos convidados para a BAGl no final da tarde (alguns preferiram pernoitar a bordo e retornar no dia seguinte).

Acima Um SH-60F prepara-se para decolar em missão de guarda de aeronaves, para atuar no caso de acidente durante a decolagem dos C-2A, que ocorreria a seguir (Foto: Segurança & Defesa).
A bordo do Carl Vinson encontravam-se vários pilotos do esquadrão VF-1 da Marinha do Brasil, já que como parte do exercício “Passex”, estavam previstos para os AF-1 Skyhawk brasileiros a realização de operações de “toque e arremetida” — além disso, vários pilotos estavam entusiasmados pela possibilidade de realizaram alguns voos no assento traseiro dos F-A-18F.

Acima Alinhados na popa do CVN-70, quatro F-A/18E e dois F/A-18F Super Hornet (Foto: Segurança & Defesa).