África do Sul:
Colaboração com o Brasil
Acima O míssil ar-ar A-Darter será integrado em várias aeronaves, entre elas o Gripen, o Hawk e o F-5BR. (Foto: Denel)
Nos dois anos desde que a principal empresa sul-africana de defesa estabeleceu uma subsidiária em nosso país, a Denel do Brasil, foram lançadas as fundações para uma ampla colaboração em diversas frentes. O carro-chefe é o programa conjunto de desenvolvimento de um míssil ar-ar avançado de quinta geração, o A-Darter.
Quando o Secretário de Defesa da África do Sul, January Masilela, assinou o acordo bilateral entre os dois países, estava aberto o caminho para a transferência para o Brasil da tecnologia do A-Darter. A Força Aérea Brasileira (FAB) já havia se comprometido financeiramente com o desenvolvimento completo do míssil.
No final de 2006 a Denel Dynamics assinou um contrato com a Armscor, que está gerenciando o programa em nome do Departamento de Defesa da África do Sul. A Denel também tem vários contratos para a integração do míssil em várias aeronaves, incluindo o Gripen e o treinador “lead-in” Hawk da Força Aérea Sul- Africana (South African Air Force, SAAF) e para a produção do míssil localmente e para clientes de exportação.
O míssil também será integrado no F-5BR e no futuro caça da FAB, em processo de seleção. Isso significa que o míssil se tornará disponível para todas as forças aéreas operadoras de F-5 e para aquelas para as quais o Gripen foi exportado. A África do Sul foi o primeiro cliente estrangeiro do caça multifunção sueco.
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Ao lado Um alvo aéreo de alta velocidade Skua, da Denel, foi entregue ao Brasil para aplicação no desenvolvimento do míssil Piranha. (Foto: Denel) |
A SAAF e a FAB serão os primeiros clientes do A-Darter, que estará pronto para entrar em serviço ao final da década. Outras forças aéreas têm demonstrado forte interesse na aquisição do míssil.
Com o contrato para o desenvolvimento completo do míssil assinado, a África do Sul — apoiada pelo Brasil — novamente se junta a um seleto “clube” de nações com acesso a esse tipo de tecnologia de ponta. Apenas Estados Unidos, Reino Unido, Israel e um consórcio de seis nações liderado pela Alemanha estão atualmente trabalhando e produzindo mísseis ar-ar de última geração.
A África do Sul foi o primeiro país a desenvolver e operacionalizar mísseis ar-ar desenvolvidos localmente, em combinação com a tecnologia de designação e acompanhamento através de visor de tiro montado no capacete dos pilotos, o que aconteceu no início da década de 1980.
O A-Darter é um míssil de quinta geração empregado para autodefesa. É extremamente ágil (na realidade o “A” vem de “Agile”, ou “Ágil”), sendo capaz de realizar manobras muito além daquelas que poderiam ser executadas por uma aeronave de combate tripulada.

Acima O já provado sistema Seeker II foi exportado para atender aos requisitos de vigilância e reconhecimento de vários países. O Seeker foi o primeiro VANT certificado para voar em espaço aéreo controlado. (Foto: Denel)
O míssil permite uma cobertura defensiva de 360 graus para a aeronave lançadora, desde um cenário de combate a curto alcance até quase um cenário de enfrentamento além do alcance visual — o que se constitui numa dissuasão extremamente significativa. É importante frisar que o A-Darter tem uma capacidade de lançamento “over the shoulder” (literalmente “sobre o ombro”), ou seja, diretamente para trás do aeronave lançadora. Essa capacidade é mais importante ainda pelo fato do míssil estar diretamente conectado a um sistema de visada e designação de alvos instalado no capacete do piloto. A geração anterior de mísseis ar-ar oferecia pequena capacidade de defesa do setor traseiro da aeronave.
Para o Brasil e a África do Sul o desenvolvimento do A-Darter se constituirá num veículo para tecnologia avançada, que inevitavelmente levará a um aumento do conhecimento de projeto, desenvolvimento, produção e apoio logístico de produtos aeroespaciais complexos. Seu desenvolvimento toca em aspectos interessantes, como miniaturização, materiais compostos de alta resistência, e ferramentas avançadas de “software”. Essas tecnologias agregaram valores em aplicações tão diversas quanto nanotecnologia, biotecnologia, robótica (em indústrias de fabricação em massa, como a automotiva), instrumentação médica e implantes.
A Denel vê esse programa colaborativo como uma oportunidade para expandir o relacionamento com o Brasil em várias áreas. E, com o estabelecimento da Denel do Brasil, várias outras oportunidades já surgiram.

Acima A África do Sul foi o primeiro país a desenvolver e operacionalizar um sofisticado sistema de designação instalado em capacete para mísseis ar-ar. A empresa desenvolveu ainda mais o sistema, para uso no Eurofighter e no Gripen. (Foto: Denel)
A Denel Dynamics produz Veículos Aéreos Não Tripulados (VANT), incluindo o alvo aéreo de alta velocidade Skua. Através dos esforços da Denel do Brasil, a empresa recebeu um contrato da FAB para o fornecimento de um Skua para os ensaios do míssil ar-ar nacional Piranha. Outra aplicação de mais um Skua já foi negociada, e esse sistema adicional será em breve enviado da Denel para o Brasil.
A vantagem do sistema Skua reside em treinar operadores de sistemas antiaéreos através da simulação realista de aeronaves a jato atacantes ou de mísseis em rota de aproximação que precisem ser neutralizados eliminados. O Skua já foi exportado para outros países.
Para operações em modos que requeiram velocidade menor, a opção seria o já provado VANT Seeker — uma plataforma ideal para missões de vigilância ou até mesmo o Bateleur, um VANT de média altitude e grande autonomia (MALE, Medium Altitude Long Endurance) capaz de voar por 25 horas, atualmente em estágio de desenvolvimento. A Denel encararia com bons olhos uma colaboração internacional nesse programa.
Sendo um sistema com relação custo/benefício bastante favorável, o Seeker — que se configurou em um sucesso de exportações — tem autonomia de dez horas e alcance de 250km, extensíveis para 500km através do uso de uma estação tática em terra. Transporta uma carga útil de 50kg, normalmente constituída por um sistema eletro-ótico estabilizado de observação aérea Goshawk 350. Trata-se de uma família de sistemas de observação desenvolvida e produzida pela Denel Optronics. Outros produtos no portfólio da empresa são o LEO, utilizado principalmente em aplicações civis e policiais, e sua versão militar, o Argos.
A presença de estabilização giro-estabilizada sofisticada nesses sistemas assegura imagens excepcionalmente nítidas e estáveis, a despeito da vibração e movimento da aeronave. Com sua avançada tecnologia multisensorial de imagem, esses sistemas são ideais para operações de imposição da lei.
Um dos mais recentes clientes estrangeiros do LEO II é a Polícia de Buenos Aires. O LEO é usado por unidades policiais em cinco continentes, incluindo países americanos, europeus, do Oriente Médio e da região da Ásia banhada pelo Pacífico; ao todo, são vinte nações em todo o mundo. Face ao progresso já realizado em colaboração como Brasil, a Denel está desejosa de expandir esse relacionamento, através da Denel do Brasil. •

Acima A Denel está desenvolvendo o Bateleur, um VANT cujo teto operacional é de 24.000 pés, capaz de voar por 25 horas. O Bateleur é projetado para operar ao longo dos 3.000km do litoral sul-africano, incluindo as ilhas na região antártica. (Foto: Denel)